O sindicato dos tripulantes da easyJet revelou que a low cost cancelou 350 voos que tinha previsto operar de e para Portugal entre 21 e 25 de Julho, dias de greve, o que corresponde a 69% da operação neste período.
Em comunicado citado pela agência Lusa, o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) disse que a greve “poderia ser evitada se houvesse vontade da empresa para que tal não acontecesse, mas a easyJet parece estar apostada em não voltar às negociações com o pré-aviso de greve, tendo já cancelado 69% dos voos, isto é, 350 voos que partiriam das bases do Porto, Lisboa e Faro para os dias de greve”.
A notícia da Lusa, citada na imprensa portuguesa, diz que, na quinta-feira, 90% dos associados do sindicato votaram contra a proposta da low cost para aumentos salariais, tendo marcado cinco dias de greve entre 21 e 25 de Julho, a terceira paralisação em poucos meses.
A easyJet, por sua vez, acusou o sindicato de continuar com exigências impraticáveis, reivindicando aumentos “que não demonstram qualquer sentido de realidade”.
A companhia aérea especificou que a mais recente proposta do sindicato foi um aumento de 44% na remuneração global.
No comunicado divulgado ontem, segunda-feira, o SNPVAC disse que, “ao contrário de outros países onde a easyJet tem a operação, os tripulantes das bases portuguesas votaram de forma unânime um congelamento salarial em Outubro de 2020, ajudando a empresa na sua fase mais difícil”, durante a pandemia de covid-19.
“Pedimos, agora, que a empresa mostre o ‘sentido de realidade’ e ‘sentido de responsabilidade’ que mostrou noutras jurisdições, como em França e na Alemanha, onde a empresa proporcionou aumentos aos trabalhadores, mesmo sem o crescimento da operação que demonstrou em Portugal”, acrescentou o sindicato.
O SNPVAC salienta que a sua proposta “não chega a cobrir o valor da inflação desde o início de 2022 e não inclui os anos de pandemia”.
O sindicato disse estar disposto a continuar as negociações e sublinhou que não vai aceitar “que a empresa continue a perpetuar o seu regime de rentabilidade máxima e remuneração mínima”, lembrando que a low cost declarou o objectivo de “superar as expectativas do mercado e alcançar lucros de 294 milhões de euros até ao final de Setembro”.




