A conta da TAP dos “documentos pendentes de voo”, que diz respeito a bilhetes pagos pelos clientes mas ainda não voados, voltou a situar-se no fim do primeiro trimestre acima dos mil milhões de euros, em 1.057,3 milhões de euros, que traduz um aumento em 43,3% ou 319,5 milhões nos primeiros três meses deste ano.
As companhias de aviação têm ‘contas correntes’ com os clientes, que compram os bilhetes com antecedência para poderem garantir que viajam nas datas que pretendem e, também, a preços melhores, já que os bilhetes vão ficando mais caros à medida que se aproxima a data de partida.
Este quadro agravou-se com a pandemia, que levou as companhias a cancelarem mais voos do que habitualmente, bem como os passageiros a adiarem viagens quando possível sem encargos, pela instabilidade que causa aumento de receios.
Acresce que o sector das agências de viagens admite que muitas das viagens vendidas neste período sejam já para o Verão, admitindo que os passageiros receiam não conseguirem os voos que querem pelo aumento da procura e, sobretudo, as restrições na oferta, decorrentes de falta de pessoal e aviões.
O mercado sabe que as companhias fizeram cortes drásticos de pessoal e que leva muito tempo a formar quadros, nomeadamente pilotos e técnicos de engenharia e manutenção.
Dessa forma, e até porque os preços têm aumentado muito, não estranham que aumente o montante dos bilhetes pagos e ainda não voados.
Os dados publicados pela TAP relativos ao primeiro trimestre permitem calcular que o preço médio que os passageiros pagaram por quilómetro voado, ou yield, aumentou 8,8% no trimestre, permitindo à TAP ter uma subida das receitas unitária ou PRASK (receita de passagens por lugar voado um quilómetro) em 28,5%, com um contributo da melhoria da ocupação dos aviões em 12,2 pontos, para 79%.
Acresce que o aumento agora verificado no primeiro trimestre deste ano ocorre em cima de evolução em alta desde os primeiros meses de 2022, que permitiu à TAP ser uma das poucas companhias europeias que já supera números pré-pandemia, com 3,5 milhões de passageiros transportados no primeiro trimestre e as receitas de passagens a atingirem 835,9 milhões de euros.
A informação também indica que além de aumento do tráfego e subida o preço, a TAP voou mais, ao contrário do que prognosticavam alguns sindicatos, tendo realizado 27,5 mil partidas, e com os aviões com menos lugares vazios, uma que a taxa de ocupação subiu para 79%, quando nos primeiros meses de 2019 não chegava a 75%.




