A apresentação da BTL 2027, Better Tourism Lisbon Travel Market, que decorreu na FIL, no Parque das Nações, reuniu responsáveis pela feira, presidentes de entidades e o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, num evento com ‘várias cantigas’ mas só um cante, o alentejano.
O evento começou com o discurso de António Ramalho, presidente da Comissão Executiva da Lisboa FCE, seguido de Pedro Costa Braga, director de Eventos Próprios da Lisboa FCE, a revelação do destino e municípios nacionais convidados, Évora e a região de Lisboa, uma entrega de prémios no mínimo invulgar, e um discurso de agradecimento à BTL pelo secretário de Estado do Turismo Comércio e Serviços, Pedro Machado.

Pelo meio de discursos e algumas ‘cantigas’, os Cantares de Évora, foram os únicos a cantar no tom certo e a enaltecer a cultura portuguesa e os motivos pelos quais o país merece ser visitado.
‘Maneira de ser’, cultura, pessoas e território são mais-valia
António Ramalho, presidente da Comissão Executiva da Lisboa FCE, afirmou que a BTL “foi o maior evento de negócios verificados em Portugal no ano de 2026, com 85.000 visitantes, 200 compradores internacionais, mais de 3.800 reuniões, 600 acções de activação, 100 conferências temáticas, mais de 300 oradores. “Julgo que o sucesso de 2027 é evidente para toda a gente e este sucesso é inevitável porque é um sucesso que decorre daqueles que compreenderam que a indústria do turismo é a que mais resolveu e interpretou os problemas que nós tínhamos do ponto de vista do nosso equilíbrio externo, e tornou escrutável aquilo que tínhamos menos transaccionável e menos imitável, a nossa maneira de ser, a nossa cultura, as nossas pessoas, o nosso território”.

“A BTL é só o resultado disto tudo”, disse António Ramalho, fazendo referência às parcerias e o seu sucesso, indicando que a “BTL é o sucesso das parcerias da FIL com a TAP, com o Turismo de Portugal”, entre outras como autarquias, territórios, entre outros, incluindo agentes privados.
O presidente da Comissão Executiva da Lisboa FCE salientou que “os portugueses já se habituaram a usar a BTL para definir o seu programa de férias”.
Portugal como “uma verdadeira plataforma Atlântica em turismo e negócios”
Pedro Costa Braga, director de Eventos Próprios da Lisboa FCE, por sua vez, e recorrendo a um microfone ao estilo palestrante de Ted Talk ou de Web Summit, afirmou que “a BTL teve e tem um impacto muito grande no sector e na economia”, e que há vontade para “reforçar aquilo que a BTL tem sido, o grande ponto de encontro, o grande ecossistema do turismo, o espaço onde todos os agentes do sector, desde as empresas às associações, às instituições, aos profissionais e consumidores se encontram”.

“A BTL é a grande mostra do turismo, é a grande mostra do sector”, disse Pedro Braga, indicando que “existe para servir o sector”, e acrescentando que a feira “não pretende definir o caminho, mas ajuda a criar as condições para que o sector avance e evolua e cresça”.
“Para 2027, a nossa missão é clara, reforçar o papel da BTL como ecossistema agregador capaz de dar o real valor para o turismo”, frisou o executivo. E, depois de afirmar que a BTL “não pretende definir o caminho”, declarou: “queremos que a BTL seja um ponto de encontro entre decisão e mercado, um espaço onde se criem oportunidades e um palco onde o sector se afirma”, e “queremos ser uma locomotiva de transformação, um palco onde tudo acontece, por isso estruturamos a nossa estratégia em cinco grandes pilares”.
Os cinco pilares, sem lugar para a sustentabilidade
Os pilares são a internacionalização, o negócio, o consumidor, a inovação e o talento, e não incluem o conceito da sustentabilidade ambiental e social.
Em relação à internacionalização, Pedro Braga quer “atingir a presença cada vez maior de uma BTL internacional, com mais destinos, mais operadores e mais delegações”, porque acredita que “quanto mais o sector estiver ligado, mais oportunidades se criam para todos”.
Mais uma vez, depois de no mesmo discurso indicar que a BTL “não pretende definir o caminho”, Pedro Costa Braga frisou que “queremos que a BTL seja a porta de entrada para um objectivo maior, para um objectivo mais vasto, queremos contribuir para que a BTL possa afirmar Lisboa e Portugal como uma verdadeira plataforma Atlântica em turismo e negócios”. A organização vai trabalhar com os parceiros no desenvolvimento de uma “presença cada vez mais qualificada e presenciadora no segmento do MICE na BTL, que seja capaz de atrair decisores, eventos e investimentos internacionais”.
“Temos um objectivo claro e quantificado”, continuou o director de eventos prórprios da Lisboa FCE. “Até 2030, queremos contribuir para gerar um impacto de mil milhões de euros no valor acrescentado pelo internacional”, sem especificar mais sobre a origem ou destino deste valor.
Em relação ao segundo pilar, o negócio, “a BTL tem de continuar a ser uma plataforma onde o negócio acontece, onde se criam contactos, onde se estabelecem relações e onde se concretizam oportunidades”. O foco, acrescentou, é criar condições para gerar valor na economia e no sector.
Sobre o terceiro pilar, o consumidor, Pedro Braga indicou que “queremos continuar a reforçar o profissionalismo, que já é hoje muito forte, continuar a fazer da BTL o momento em que os portugueses pensam, escolhem, decidem e compram as suas férias, um espaço de descoberta, de inspiração, mas também de decisão”.
Sobre a inovação, o terceiro pilar, o executivo afirmou que “a BTL deve ser um espaço onde o sector escolhe o futuro, onde novas soluções, novas tecnologias e novos modelos encontram o mercado, não como conceito teórico, mas como algo concreto, visível e aplicável”.
Sobre o talento, uma forma de se referir aos trabalhadores, sobre o qual Pedro Braga indica que é “um dos [pilares] mais importantes de todos, um dos maiores desafios do sector”, o executivo indicou que “queremos aproximar empresas, instituições de ensino e profissionais, queremos criar pontes, queremos facilitar eventos, queremos contribuir para a qualificação do sector”.
“Tudo isto assente num princípio essencial, crescer melhor, um turismo mais equilibrado, mais compensável e com mais valor, um turismo que gera riqueza, mas também impacto positivo no território”.
“Ao mesmo tempo, queremos evoluir a experiência da própria BTL, torná-la mais envolvente, mais interactiva, mais próxima de quem a visita”, disse o director de eventos próprios da Lisboa FCE, acrescentando que “o mais importante é isto, o impacto que a BTL gera no sector, na criação de negócio, na atracção de investimento, na promoção internacional e na democratização da cultura, é isso que nos orienta, é este o nosso foco”.
“A BTL continuará com isto, a ser um ecossistema aberto, colaborativo e agregador, um espaço onde o turismo se encontra, se projecta, e se transforma, este é um projecto de todos, das empresas, das instituições, das associações e dos parceiros”.
Évora e Região de Lisboa são o município e destino nacionais convidados
Seguiu-se a apresentação do município convidado e do destino nacional convidado da BTL, sendo o município convidado Évora, que será capital europeia da cultura em 2027, e o destino nacional convidado a região de Lisboa, cuja apresentação de Carla Salsinha, presidente da Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa, incluiu a Margem Sul do Tejo, numa demonstração de conhecimento notável dos municípios, e das suas mais-valias, na região de Lisboa, e na região de Setúbal.
Um cavalheiro na ‘Feira das Vaidades’
O evento contou ainda com uma excruciante cerimónia de entrega de prémios, com menções honrosas, cuja anfitriã, a jornalista da “SIC”, Rita Neves, indicou que era desenvolvida por um júri independente, o que está sujeito a interpretação, visto que quando parte do júri são media partners da BTL.
A entrega de prémios chamou ao palco o presidente da Turismo do Centro, Rui Ventura, por duas vezes, um dia depois deste dirigente ter afirmado na Expofacic – Exposição/Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Cantanhede, de acordo com o “Diário de Viseu“, que “quem conhece a BTL percebe que é um palco principal do Turismo de Portugal, onde apresentámos já a Expofacic, mas que não pode ser uma feira de vaidades”. E acrescentou: “nós vamos para a BTL para promover o território, para o vender, para criar riqueza para o território e, portanto, temos de vender o território como um todo”.

Sobre o actual modelo da BTL, o dirigente indicou que “é preferível não estar dessa forma e nos reinventarmos, como vocês fazem aqui também, e fazermos uma promoção completamente diferente. O território ganha mais com esta união entre todos”.
“Com aquilo que é o investimento feito por todo o Centro de Portugal numa feira como a BTL, nós temos seguramente, já fizemos esse trabalho de casa, capacidade para estar em outros certames, de outra forma, criando mais riqueza para o território”.
No evento de apresentação da BTL esta terça-feira em Lisboa, o presidente do Turismo Centro de Portugal subiu ao palco e cumpriu imaculadamente as suas funções em representação da região, por duas vezes.
Depois da entrega de prémios, encaixada antes do discurso de encerramento para garantir a presença de meios de comunicação não afectos à BTL, subiu ao palco o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado.
Obrigado, obrigado, obrigado
O secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, começou por afirmar que “queria dar-vos, em nome do Governo de Portugal, o meu agradecimento por aquilo que a BTL representa para o país”, comparando a BTL a outros eventos como a Fitur, em Espanha, a ITB, em Berlim, o World Travel Market, em Londres, como grandes certames nacionais e internacionais para projectar a actividade do turismo.
Dirigindo-se a António Ramalho e a Pedro Braga, “o que vos quero dizer é que, da mesma forma que reconhecemos hoje à BTL a importância que tem enquanto destino de captação, desde os hosted buyers aos países convidados, desde a representação nacional, da maior à mais recôndita, também é bom que o país reconheça a importância que a BTL tem para o nosso país e essa é, talvez, a primeira nota que quero aqui deixar. Sim, o país reconhece e agradece à instituição BTL o serviço que ela presta a Portugal”, no segundo agradecimento seguido, incluindo todo o país.
Em relação ao serviço que a BTL presta ao país, Pedro Machado, indica que “presta, desde logo, em matéria de posicionamento, Portugal é o 12º país mais competitivo do mundo em matéria de turismo. Queremos continuar a crescer neste ranking internacional e, para isto, precisamos de posicionamento ao melhor nível daquilo que são hoje os nossos mercados concorrentes”.
Crescimento em mercados emergentes como o dos Estados Unidos e consolidação dos tradicionais
“Estamos a fazer crescer a nossa procura, nomeadamente em mercados que hoje representam valor acrescentado para a marca Portugal”, continuou Pedro Machado, especificando “a consolidação dos mercados mais maduros, o caso do Reino Unido ou da Alemanha, mas hoje em linha com aqueles que são os mercados emergentes, que apresentam crescimento e produto per capita superior àqueles que são alguns dos nossos mercados tradicionais, [temos] Estados Unidos à cabeça, 3,2 milhões de americanos que entraram em Portugal em 2025, geraram mais de 5,4 milhões de dormidas, e mais de 3,2 mil milhões de euros de receita”.

O secretário de Estado aproveitou para saudar o destino nacional convidado e o município nacional convidado, indicando que “é uma forma também de afirmarmos a importância que hoje o território tem na operação turística. Desde logo na base, a estruturação do produto turístico, a nossa capacidade de podermos ser mais competitivos e de podermos qualificar a nossa experiência turística, passa inevitavelmente pela diversidade do nosso território”.
Pedro Machado indicou que “a BTL também representa isso, valoriza o nosso território, valoriza a nossa oferta, valoriza a capacidade que o território tem de se poder mostrar do ponto de vista nacional e, sobretudo, internacional, e tem essa capacidade de, no certame, durante os quatro dias que decorre a Bolsa de Turismo de Lisboa (antigo nome da Better Tourism Lisbon Travel Market) podermos criar as condições ideais para que operadores nacionais e operadores internacionais se possam reencontrar no nosso território”.
O governante também afirmou que “a actividade turística é, por natureza, uma actividade das empresas e dos empresários”, uma crença que está em linha com o actual Governo do PSD e as suas propostas em colaboração com o partido de extrema-direita Chega, acrescentando, de forma preocupante para os trabalhadores, ou talento, do sector, que “saibamos nós, aqueles que têm responsabilidades políticas nacionais, criar as condições e os instrumentos para que as nossas empresas possam desenvolver cada vez mais o seu trabalho. Na internacionalização sim, é fundamental que as marcas portuguesas, as empresas portuguesas, criem essa massa crítica para continuar o processo de internacionalização, de penetração nesses mercados”.
“Sabemos que em muitos casos e muitas vezes é preciso dimensão, e essa dimensão consegue-se na agregação das empresas”, continuou o secretário de Estado. “Sabemos que para muitos é a oportunidade que têm, na Bolsa de Lisboa (Better Tourism Lisbon), poder essencialmente desenvolver essa capacidade de poderem planear o ano económico e, a partir daí, através de organismos como o Turismo de Portugal, como o AICEP, como o Compete, terem os instrumentos e as organizações necessárias para poderem desenvolver os seus modelos de negócios, e dessa forma cumprirmos um objectivo nacional”.
“Crescer, desenvolver e criar coesão no nosso território, todos estes princípios, todas estas premissas estão muito presentes no território que é a BTL, e por isso, queridas e queridos amigos”, e pela terceira vez, “à direção da BTL e, sobretudo à equipa que constrói todos os anos a BTL, uma palavra de agradecimento e de saudação”.
Perspectivas para 2026
“Avizinha-se um ano intenso, este exercício de 2026, os indicadores que temos do primeiro quadrimestre de 2026 apontam para superarmos os resultados de 2025, que já são significativamente positivos, mas acreditamos nós que o exercício de 2026 vai seguramente coroar de êxito aquilo que é hoje uma indústria incontornável para o nosso país. O turismo é, continuará a ser, um dos sectores, uma das indústrias mais poderosas”, sublinhou Pedro Machado.
O governante salientou que em 2025 registaram-se “praticamente 1,5 mil milhões de pessoas a viajar” e, em 2035, serão “mais de 2,5 mil milhões de pessoas”. O turismo emprega “hoje, na Europa, mais de 12,5 milhões de pessoas” e “é, por isso, não só um instrumento de criação de riqueza, mas é também, acreditamos, esperamos todos, que seja em Portugal e que seja para as nossas comunidades, um instrumento poderoso para criar riqueza e para criar felicidade”.
“Sim, o turismo é a indústria da felicidade. Viva a BTL”, terminou o secretário de Estado do Turismo, Pedro Machado.
Desta forma, neste evento de apresentação da BTL, o momento mais representativo do que é o turismo foi a apresentação dos Cantares de Évora, com uma exibição de cante alentejano, um exemplo da cultura portuguesa, declarado Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, que se inclui naquilo que António Ramalho, presidente da Comissão Executiva da Lisboa FCE, referiu no início do evento como “aquilo que tínhamos menos transaccionável e menos imitável, a nossa maneira de ser, a nossa cultura, as nossas pessoas, o nosso território”, onde se encontra a verdadeira natureza da actividade turística, e não nas empresas que exploram, melhor ou pior, com mais ou menos valor para a comunidade, estas mais-valias do território, pessoas, e cultura portuguesa.

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