O tráfego de passageiros nos aeroportos europeus cresceu 4,3% no primeiro trimestre, o que, para Olivier Jankovec, director da ACI Europe, representa uma ‘normalização’ do crescimento, demonstrando que o “boom das viagens pós-pandemia está a dissipar-se”.
O ACI Europe, que diz juntar mais de 600 aeroportos em 55 países, representando 95% do tráfego aéreo comercial, anunciou hoje que o tráfego aéreo de passageiros na Europa, no primeiro trimestre, aumentou 4,3% em relação ao período homólogo do ano passado, um crescimento inferior ao registado no primeiro trimestre de 2024 em relação a 2023, que tinha sido de 10,2%.
Na comparação com o primeiro trimestre de 2019, pré-pandemia, o tráfego aéreo de passageiros na Europa está com um crescimento de 3,2% nos primeiros três meses do ano.
O crescimento do volume de passageiros no primeiro trimestre deste ano foi impulsionado inteiramente pelo tráfego internacional (+5,7% em relação ao período homólogo de 2024), já que o tráfego doméstico estagnou.
Em comparação com o primeiro trimestre de 2019, pré-pandemia, o tráfego internacional de passageiros na Europa está com um crescimento de 8,9%, enquanto o tráfego doméstico de passageiros caiu 12,8%.
Na análise mensal, o ACI Europe sublinha um abrandamento do crescimento, de +6,9% em Janeiro para +3,4% em Fevereiro e +3% em Março, com este último mês a reflectir o efeito da Páscoa tardia, a ocorrer apenas em Abril este ano, quando em 2024 ocorreu na última semana de Março e na primeira de Abril.
Citado num comunicado, o director-geral do ACI Europe afirmou que os dados do primeiro trimestre “mostram que o boom das viagens pós-pandemia está a dissipar-se, à medida que caminhamos para taxas de crescimento ‘normalizadas’ no volume de passageiros, com a procura, em geral, a manter-se resiliente até à data”.
Para Olivier Jankovec, a resiliência da procura “reflecte a priorização das experiências por parte dos consumidores, apesar de um ambiente económico cada vez mais desafiante, juntamente com o dinamismo dos mercados de aviação nas regiões Leste e Sul do nosso continente e na Ásia Central”.
“Embora a procura transatlântica esteja a enfraquecer, esperamos que a parte europeia desta procura se desloque para outros mercados e continuamos confiantes em relação à época de Verão”, perspectivou o executivo.
Para o director do ACI Europe, “a grande questão é o que acontecerá a partir do próximo Inverno, dada a incerteza macroeconómica sem precedentes que enfrentamos actualmente como resultado do ataque do governo Trump ao sistema multilateral de comércio global”.
“Para além da geopolítica e das actuais pressões de oferta decorrentes de atrasos na entrega e manutenção de aeronaves, bem como das restrições de capacidade de infraestrutura e do foco das companhias aéreas em rendimentos em vez da expansão da capacidade, poderemos ver pressões de queda da procura a tornarem-se realidade”, concluiu Olivier Jankovec.
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