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Agências de viagens protestam contra redução dos prazos de pagamento imposta pelas companhias aéreas

As agências de viagens consideram “inaceitável” a decisão da IATA de impor uma uniformização global dos prazos de pagamento às companhias aéreas, que anula os acordos locais e, em alguns casos, vai forçar as agências a adiantar dinheiro às transportadoras antes que os clientes tenham pago na totalidade.

O que está em causa é a recente decisão da IATA, maior associação mundial de companhias aéreas, de implementar prazos de pagamento uniformizados em todos os mercados até meados de 2026.

Em Portugal, os prazos de pagamento foram reduzidos no início deste de ano, de cerca de 14 dias para sete. Com esta mudança, a tesouraria das agências de viagens portuguesas estará pressionada na próxima semana, quando terão que fazer os pagamentos dos valores referentes à última semana de Dezembro e dos valores referentes à primeira semana de Janeiro.

A decisão de uniformização dos prazos de pagamento, de acordo com um comunicado da Aliança Mundial das Associações de Agentes de Viagens (WTAAA), elimina a flexibilidade para que os mercados definam datas alternativas através dos seus Conselhos Conjuntos de Programas de Agências (APJCs). Estes Conselhos são compostos por companhias aéreas e por agências de viagens, para definir os ciclos de facturação e o calendário dos pagamentos de acordo com as condições específicas do mercado e as realidades das relações comerciais locais.

As agências de viagens consideram “inaceitável” que uma decisão tomada exclusivamente por companhias aéreas possa “anular unilateralmente acordos locais alcançados através de negociação conjunta” entre companhias e agências.

A decisão da IATA vai provocar a redução dos prazos de pagamento em vários mercados. No segmento das viagens de negócios (corporate), onde os clientes têm prazos de pagamento às agências mais longos do que nas viagens de lazer, a redução dos prazos de pagamento imposta pela IATA fará com que as agências de viagens tenham que adiantar dinheiro às companhias aéreas antes que os clientes tenham pago na totalidade, alerta a WTAAA.

Em última análise, a decisão da IATA “põe em risco as relações de colaboração entre os representantes locais das companhias aéreas e os agentes de viagens”, defende a WTAAA.

“Ao privar os mercados nacionais da capacidade de adequar os prazos de pagamento às necessidades locais, a decisão de alinhamento global desconsidera as relações locais de longa data entre companhias aéreas e agentes e ignora as realidades operacionais de diversos modelos de negócio, incluindo contas corporativas e de operadores turísticos de alto volume”, avisou o director executivo da WTAAA, Otto de Vries, citado no comunicado.

A WTAAA apela às companhias aéreas associadas da IATA para reestabelecerem a possibilidade de os conselhos locais (APJC) determinarem os prazos de pagamento de acordo com os seus ciclos de facturação e os seus critérios financeiros locais, tal como tem sido o seu papel histórico.

Os pagamentos que as agências de viagens fazem às companhias aéreas são feitos através do sistema de intermediação BSP (do inglês para Billing and Settlement Plan) da IATA. Em Portugal, o montante de vendas de voos e serviços comercializados pelas agências de viagens, contabilizados em BSP, de Janeiro a Outubro, superou os 900 milhões de euros. Clique para ler: Vendas de voos pelas agências de viagens portuguesas superam os 900 milhões de euros até Outubro.

Para mais notícias clique: Empresas e Negócios

Para aceder ao site da WTAAA clique aqui.

Para aceder ao site da IATA clique aqui.

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