O presidente da Associação Nacional de Agências de Viagens (ANAV), Miguel Quintas, reconhece a “solidez financeira” que a Lufthansa vai garantir à TAP, mas considera “pouco ambicioso” o seu plano de expansão da frota, disse ao PressTUR.
É “essencial” que a “solidez financeira, conhecimento e economias de escala” que a Lufthansa vai assegurar à TAP “se traduzam em crescimento efectivo da companhia e da conectividade de Portugal”. Nesse sentido, “a ambição anunciada merece ser questionada”, defendeu Miguel Quintas, numa resposta enviada por escrito ao PressTUR.
A expansão da frota de 101 para 117 aviões até 2035 e 130 após esse ano “parece-nos um objectivo pouco ambicioso para um horizonte tão longo”. Por isso, o dirigente afirma que devem ser anunciados “os investimentos e o aumento de capacidade previstos para os primeiros anos”.
A aquisição de quase metade do capital da TAP pela empresa alemã também comporta o “risco” de que a companhia aérea portuguesa “fique subordinada à estratégia dos vários hubs do grupo”, avisa Miguel Quintas. Para contrariar essa possibilidade, “Portugal deve assegurar compromissos verificáveis sobre Lisboa, Porto, regiões autónomas e mercados lusófonos”, defendeu.
Riscos para as agências de viagens
Sobre os impactos da privatização da TAP na actividade das agências de viagens e dos operadores turísticos, o presidente da ANAV alerta para os efeitos da “concentração de mercado”.
Com a TAP, o Grupo Lufthansa reforça a sua posição no mercado de voos directos entre o Brasil e a Europa. Esta situação aumenta “o poder negocial do grupo” e, na perspectiva de Miguel Quintas, poderá “reduzir as alternativas comerciais das agências e dos operadores, com riscos para as tarifas, as condições de contratação e a disponibilidade de lugares para grupos e pacotes”.
O dirigente alertou ainda para “os riscos de novas sobretaxas ou restrições no acesso das agências às melhores tarifas”, recomendando, por isso, “um escrutínio rigoroso da concorrência e condições comerciais transparentes”.
O Grupo Lufthansa aplica sobretaxas “em determinados canais de reserva e diferencia condições entre modelos de distribuição”, uma política que “merece atenção”, porque “uma eventual alteração poderá exigir investimento tecnológico às agências, aumentar custos e pressionar margens, sobretudo nas empresas de menor dimensão”, acrescentou o presidente da ANAV.




