Os agentes de viagens e os operadores turísticos portugueses que estão a visitar o Dubai esta semana esperam uma recuperação rápida da procura pela cidade, que, segundo garantiram ao PressTUR, vive uma “normalidade total”, com a qualidade dos serviços e das infraestruturas a que habituou os visitantes.
“O Dubai de 2026 é igual ao que era no ano passado a nível de segurança e de serviços. Está tudo a funcionar e a hospitalidade continua excelente, como sempre foi”, assegurou Isabel Almeida, directora de Produto e Operações da Catai Portugal, do Grupo Ávoris.
Isabel Almeida defende que “não há motivo” para se deixar de viajar para o Dubai e para outros destinos fazendo escala no Dubai. Se o espaço aéreo fechar, como aconteceu depois dos EUA e de Israel começarem uma guerra contra o Irão a 28 de Fevereiro, existe uma forte rede de apoio liderada pelo Turismo do Dubai e pela Emirates, garantiu a executiva.
“Temos muito apoio do Turismo no Dubai e da Emirates, que é muito importante, com políticas de cancelamento e de alteração muito flexíveis”, detalhou Isabel Almeida.
A confiança no destino já está a produzir resultados e a procura “está a retomar, principalmente para 2027”, sublinhou a responsável da Catai.
João Alves, supervisor de Reservas do operador turístico Icárion, do Grupo W2M, partilha a mesma opinião. “Quem veio antes da situação e quem vem agora não vai notar diferença a nível de segurança, sem dúvida alguma”.
“Desde o final de Junho, o Dubai tem começado a ter um grande crescimento de pedidos. Já não há tanta reticência em voar via Médio Oriente. Esse estigma já foi eliminado, embora existam sempre alguns clientes ou agências que continuam a não querer”, acrescentou João Alves.
“Uma oportunidade”
Para Vasco Marques, director regional da Abreu nos Açores e na Madeira, o momento actual representa uma oportunidade para experienciar o luxo do Dubai a preços mais acessíveis. “Está com um preço bastante apelativo, com serviços incríveis, com as melhores marcas de hotéis e com uma restauração mundial, que oferece a possibilidade de ter a experiência do mundo inteiro num só lugar, a sete horas de Lisboa”.
O regresso ao fluxo normal de viajantes para o Dubai “é uma questão de tempo” e de se “acabar com aquele sentimento de insegurança, porque essa insegurança não existe”, garante Vasco Marques.
Um dos maiores entraves à normalização das viagens para o Dubai, de acordo com os profissionais ouvidos pelo PressTUR, é o governo português manter a recomendação para evitar voos com escala nos aeroportos em Abu Dhabi e no Dubai, e “cautela a todos os cidadãos portugueses que pretendam viajar ou transitar pelos Emirados Árabes Unidos”.
Ainda assim, os representantes das agências e operadores que estão a visitar o Dubai esta semana garantem que continuam a ter clientes a viajar para o emirado, embora em volumes inferiores ao passado.
É o caso de Magda Lourenço, responsável pelo departamento de Vendas da Honeymooners. “Continuamos a ter procura, menos do que anteriormente, mas as coisas estão a correr bem”.
Na sua visita à cidade ao longo desta semana, no âmbito da feira de turismo Arabian Travel Market (ATM), Magda Lourenço destaca a segurança e a diversidade de experiências que tem vivido. “É um destino que oferece muito, quer seja para uma lua de mel quer seja para uma viagem em família”.

“Normalidade total”
Para Ricardo Lopes, key account manager da Smytravel para o Sul de Portugal e Açores, “a experiência” que está a viver “no Dubai e na feira” revela “uma normalidade total, sem qualquer constrangimento”.
“Neste momento, estamos a recuperar a procura por viagens com stopover no Dubai, por parte de clientes que vão para as Maldivas, a Tailândia ou para mais longe. Para o início de 2027 também já começamos a ter algumas reservas para estadia completa aqui”, acrescentou Ricardo Lopes.
Para Andreia Camacho, do departamento de Reservas da Pinto Lopes Viagens, “está tudo a funcionar muito bem no Dubai, sem qualquer tipo de insegurança”. A agência tem clientes a reservar viagens via Dubai, e já está a contar com a cidade no próximo ano. “Estamos a estruturar o catálogo para 2027, vamos colocar em vendas e ver como será a procura”.
O operador turístico Image Tours também já regista alguma retoma da procura “não só para o Dubai, mas para toda esta região”. Valéria Perna, assistente de produtos do operador, espera que a visita dos agentes de viagens portugueses ao Dubai contribua para acelerar a recuperação. “É importante estarmos aqui, porque uma coisa é dizermos o que o agente local nos diz, outra coisa é dizermos: eu estava lá, eu vi e está tudo normal”.
Nos últimos anos, o Dubai tornou-se um destino de peso nas contas das agências de viagens e dos operadores portugueses, quer como destino de férias, quer como paragem para uma escapada a caminho ou no regresso das Maldivas, da Tailândia e de outros países, graças à rede de voos da Emirates.
Em conferência de imprensa na feira Arabian Travel Market (ATM), que decorreu no Dubai entre 14 e 17 de Setembro, o Departamento de Economia e Turismo do Dubai (DET) não revelou os números de visitantes portugueses, indicando apenas que entre Janeiro e Novembro de 2025 estavam a crescer 10% em relação ao período homólogo do ano anterior.
Por outro lado, a importância do mercado português para o Dubai e a relevância do emirado para as empresas turísticas portuguesas é visível na participação portuguesa na ATM, com nove empresas (além das ouvidas pelo PressTUR, também estiveram presentes os operadores turísticos Solférias e Quadrante), e nos investimentos do Turismo do Dubai em Portugal (clique para ler: Turismo do Dubai investe em novos eventos em Portugal para acelerar a recuperação).
O PressTUR está no Dubai a convite do Departamento de Economia e Turismo do Dubai
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