A proposta de fusão da United com a American, que significaria a criação de um gigante, levanta dúvidas quanto ao cumprimento das leis da concorrência, de acordo com especialistas ouvidos pela Reuters.
A agência de notícias sublinha que a companhia aérea resultante da fusão teria cerca de 40% da capacidade de voos domésticos nos Estados Unidos, o que demonstra os enormes obstáculos ao cumprimento das leis da concorrência.
William Kovacic, director do departamento de direito da concorrência da Universidade George Washington, disse à Reuters que o negócio lhe parece um caso perdido, devido às “enormes sobreposições em diversas rotas e em várias áreas metropolitanas”. Na sua opinião, “nenhuma quantidade de desinvestimentos resolveria o problema”.
A notícia da proposta de fusão fez subir as acções da American 8% e da United 3%, o que levou os analistas da Seaport, citados pela Reuters, a defender que, mais do que pela confiança de que o negócio poderá concretizar-se, a proposta poderá ter sido motivada pela cobertura de posições curtas (recompra de acções vendidas anteriormente, criando pressão do lado da compra para impulsionar valor, garantir lucros ou mitigar perdas).
Um investidor da companhia aérea JetBlue, ouvido pela Reuters, afirmou que a United poderá estar a fazer uma negociação ao estilo do presidente norte-americano, Donald Trump, fazendo uma exigência alta para depois ceder: se a concorrência rejeitar a fusão com a American, poderá aceitar com a JetBlue.
Além dos obstáculos relacionados com a sobreposição de rotas, o negócio também levanta preocupações sobre o reforço do poder de fixação de preços. Ao reduzir a concorrência, as tarifas serão mais elevadas para os viajantes, perspectiva o advogado Andre Barlow, do DBM Law Group, também citado pela Reuters.
A proposta de fusão entre as duas companhias aéreas foi apresentada pelo CEO da United Airlines, Scott Kirby, ao presidente norte-americano, Donald Trump, no final de Fevereiro, de acordo com duas fontes familiarizadas com o assunto, indica a agência de notícias, acrescentando que os detalhes não foram esclarecidos e a United recusou comentar as implicações relacionadas com a concorrência.
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