O Grupo Lufthansa anunciou que para o exercício do ano de 2025 registou o valor recorde de 2 mil milhões de euros de lucro, acima dos 1,6 mil milhões registados em 2024, tendo transportado 135 milhões de passageiros.
O grupo indica que o lucro operacional, EBITDA ajustado, de 2 mil milhões de euros, conta com uma margem operacional de 4,9%, quando no ano passado foi de 4,4%. Os lucros consolidados, que incluem outras empresas do grupo, como as companhias subsidiárias, foi de 1,3 mil milhões de euros, 100 milhões abaixo dos 1,4 mil milhões de 2024.
A facturação foi de 39,6 mil milhões de euros, acima dos 37,6 mil milhões de euros de 2024 e, no que diz respeito a despesas, o comunicado da Lufthansa indica que houve menos 362 milhões de euros em gastos com irregularidades de voo devido à consolidação das suas operações de voo, além de poupanças na ordem os 500 milhões de euros devido ao baixo preço do querosene e da fraqueza do dólar.
Foram transportados 135 milhões de passageiros, +3% que em 2024, tendo a capacidade da operação de transportes sido aumentada em 4% em comparação com a capacidade do ano anterior. A taxa de ocupação dos voos foi de 83,2%, 0,1 pontos percentuais acima da de 2024.
Referindo apenas as receitas com o transporte de passageiros, a Lufthansa indica que estas cresceram para 30,1 milhões de euros, enquanto que os lucros, EBIT ajustado, desta actividade chegou aos 1,1 mil milhões de euros, +4% que no ano anterior. Destaque para a ITA Airways, que fez uma contribuição de 90 milhões de euros.
O yield caiu 1,3% devido aos conflitos no Médio Oriente causados por Israel e Estados Unidos e aos atrasos nas entregas de aeronaves. O comunicado detalha que a queda do yield foi compensada por receitas mais altas em serviços ancillaries, que aumentaram 15%. O RASK ficou estável em comparação com o ano passado.
O CASK, por sua vez, cresceu 1,9% devido à inflação, particularmente nos honorários, materiais e custos com staff, sendo que a evolução dos custos foi favorável ao longo do ano para no quarto trimestre estarem estáveis face ao período homólogo do ano anterior, quando no primeiro semestre aumentara 3,6%.
O programa Turnaround da Lufthansa e a sua implementação na principal marca do grupo, a companhia aérea Lufthansa, de acordo com o comunicado, é o grande responsável pelo crescimento em 250 milhões de euros, regressando a uma margem EBIT ajustado de 0,9%, da companhia, que prevê aumentos sustentáveis em ganhos em 2026. Está previsto um efeito acumulado nos rendimentos brutos de cerca de 1,5 mil milhões de euros para este ano, e aumentado para cerca de 2,5 mil milhões de euros até 2028.
O principais impulsionadores do aumento da rentabilidade da Lufthansa são a modernização da frota com aeronaves eficientes como o 787, o crescimento da Lufthansa City Airlines e da Discover Airlines, bem como outras cerca de 700 medidas individuais, que mais de metade devem ser implementadas até final de 2026.
Till Streichert, CFO do grupo, indicou, citado em comunicado que “o último ano foi um ano de transição marcado por pontos de viragem importantes, o programa Turnaround na Lufthansa Airlines ganhou impulso, bem como a modernização da nossa frota. Ambos vão continuar em 2026 e obviamente beneficiar a nossa rentabilidade. No meio termo, queremos chegar a uma margem de EBIT ajustado de 8% a 10% e demos passos importantes no sentido desse objectivo”.
O CFO mencionou ainda os problemas no Médio Oriente, consequência dos ataques não-provocados dos Estados Unidos e Israel ao Irão, mas mantém o optimismo e afirma que “estamos a enfrentar os desafios e para 2026 esperamos outra vez um EBIT ajustado que cresce significativamente em relação ao ano anterior”.
Para os accionistas, a proposta de dividendos é de 0,33 euros por acção, +10% que no ano anterior, sendo o rendimento desses dividendos de 4% em relação ao preço das acções no final do ano. O rácio do payout cresce 30%, quando em 2024 foi de 26%.
Para o futuro, o grupo espera aumento nas receitas e lucros, bem como na margem operacional, e que um aumento de capacidade de transporte de passageiros de cerca de 4% e a contínua renovação da frota contribuam para isso.
O grupo manifestou ainda as suas preocupações, já referidas, relacionadas com os ataques norte-americanos e israelitas ao Irão e a sua consequente resposta em aeroportos, portos e bases militares norte-americanas na região, particularizando as disrupções no estreito de Hormuz, que afectam o preço do combustível.
Em relação a novas rotas, o grupo está a considerar frequências extra para Singapura, Índia, China e África do Sul.
No próximo ano, a Lufthansa espera receber cerca de uma aeronave por semana para, no final do ano, contar com 30% da sua frota composta por aviões de última geração.
Particularizando o crescimento do grupo, este deve ser feito exclusivamente em destinos de longo-curso, enquanto que a capaciade para rotas de curta distância deve permanecer estável e ser parcialmente impulsionada por um alinhamento mais eficiente dos hubs de Frankfurt, Munique, Vienna, Bruxelas e Roma.
O programa Turnaround e a modernização da frota devem continuar a ter um impacto positivo nos resultados da companhia, que espera limitar o aumento do CASK para metade da taxa de inflação.
A Lufthansa Cargo e Lufthansa Technik esperam aumentar as suas receitas, devido à contínua forte procura nos seus mercados.
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