Os resultados de um inquérito da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) aos seus associados concluiu que mais de metade dos hotéis da Grande Lisboa prevê uma descida do preço médio no último trimestre do ano.
Os dados, apresentados esta manhã pela vice-presidente executiva da Associação, Cristina Siza Viera, indicam que 51% dos inquiridos da Grande Lisboa consideram que o preço médio nos últimos três meses do ano será pior que no período homólogo do ano passado.
A desaceleração do desempenho da hotelaria da Grande Lisboa tem dois motivos principais, de acordo com a Cristina Siza Vieira. Por um lado, “cresceu muito” e já “está a bater-se com as grandes capitais europeias” a nível de preços; por outro, “o espaço para crescer está limitado” devido aos constrangimentos de capacidade do Aeroporto de Lisboa.
“Estamos a entrar num planalto em Lisboa, não vamos assistir a crescimentos de taxa de ocupação e de preço nos próximos tempos”, prevê a vice-presidente executiva da AHP.
Apesar das restrições de capacidade, o Aeroporto de Lisboa foi o que mais cresceu em número absoluto de passageiros em Portugal, de Janeiro a Agosto, embora o crescimento em termos relativos tenha sido de apenas 3,1%, de acordo com os dados do INE. Clique para ler: Aeroportos portugueses somam quase 50 milhões de passageiros até Agosto.
Cristina Siza Vieira descarta que os hoteleiros possam baixar preços para contrariar este abrandamento. “Não foi isso que verificámos mesmo em situações de abrandamento da procura”, indicou. Além disso, “o que está a condicionar é o esgotamento do Aeroporto de Lisboa, não resolve nada baixar preços”.
Além do preço médio, a AHP também questionou os seus associados sobre as reservas para o último trimestre, e concluiu que mais de 40% dos hotéis da Grande Lisboa indicam que estão piores ou muito piores que no período homólogo do ano passado (47% em Outubro, 42% em Novembro e 40% em Dezembro).
Em relação aos principais mercados, a maioria dos hotéis da Grande Lisboa incluíram no seu Top3 de emissores os Estados Unidos, Portugal e Reino Unido.
No total, maioria dos hotéis prevê subida de preço
Ao contrário das previsões para a Grande Lisboa, a nível nacional, mais de metade dos hotéis antecipa uma subida do preço médio no último trimestre, destacando-se as regiões da Madeira e do Algarve.
Os dados apresentados pela AHP mostram que, em Outubro, 57% dos inquiridos prevê melhor ou muito melhor preço médio que no mês homólogo do ano passado. Em Novembro são 55% e em Dezembro, 53%.
A nível de reservas, a maioria dos empreendimentos do Algarve espera desempenhos melhores ou muito melhores que no ano passado (93% em Outubro, 65% em Novembro e 58% em Dezembro), com contributos de eventos como o Le Mans em Outubro e o Moto GP em Novembro.
Os hotéis da Madeira também estão com crescimentos nos volumes de reservas para o último trimestre, com 86% dos inquiridos a antecipar melhores ou muito melhores desempenhos em Outubro e em Novembro, e 69% em Dezembro.
A AHP realizou este inquérito junto de 394 empreendimentos turísticos, entre 25 de Setembro e 10 de Outubro, apresentando os resultados com um intervalo de confiança de 95% e uma margem de erro de 4,4%.
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