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Semana de quatro dias “é a segunda maior vergonha nacional” a seguir ao aeroporto de Lisboa – CEO do Grupo Pestana

A proposta da semana de quatro dias numa altura em que faltam trabalhadores na hotelaria é para o CEO do Grupo Pestana, maior grupo hoteleiro português, “a segunda maior vergonha nacional a seguir a não se fazer o aeroporto [de Lisboa]”.

José Theotónio, que falava num painel no 33º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, organizado pela AHP em Fátima, começou por admitir que a semana de quatro dias “para algumas unidades até poderia ser positivo” se fosse mantida a carga horária de 40 horas semanais, “o que obriga a uma flexibilização de toda a legislação laboral”.

Contudo, a semana de quatro dias mantendo a carga horária por dia “é um desastre, um tiro nos pés”, defende José Theotónio, sobretudo “numa indústria que trabalha 365 dias por ano, 24 horas por dia” e numa fase em que falta de trabalhadores está a provocar “uma redução da qualidade de serviço”.

Concretamente, faltam “1,5 milhões de trabalhadores na indústria hoteleira” em todo o mundo, incluindo cerca de “45 mil” em Portugal, indicou o CEO do Pestana Hotel Group.

Efeitos da guerra no turismo

Questionado sobre a possibilidade do turismo em Portugal poder beneficiar da guerra na Ucrânia, José Theotónio não deixa margem para dúvidas: “uma guerra nunca beneficia um sector do turismo”.

“Se olharmos em termos globais o turismo ainda não recuperou e ainda em parte por causa da guerra”, disse, usando como exemplos o mercado escandinavo, que “está completamente parado”, e o mercado alemão, que “teve uma redução”.

“É verdade que Portugal e Espanha, por estarem na Europa e por serem os países que estão mais longe do teatro onde as coisas estão piores”, podem ser os destinos turísticos escolhidos pelas “pessoas que estão a viajar”, admite José Theotónio.

Contudo, “não se pode dizer que a guerra nos tenha ajudado em termos turísticos”, porque a guerra “cria este clima de incerteza” e, “de um momento para o outro”, pode paralizar o turismo na Europa.

Mais do que beneficiar, a guerra pode prejudicar o turismo em Portugal. “Para já com o aumento dos custos que tem havido”, frisou o executivo, indicando que os custos com os trabalhadores aumentaram e vão continuar a aumentar no próximo ano “para compensar o aumento da inflação”.

“Depois o custo da energia, que é o segundo maior custo na hotelaria a seguir à força de trabalho, que está também a explodir e só não é maior porque têm havido apoios do Governo”, mas essas ajudas podem acabar a qualquer momento. E também “os custos ao nível da cadeia alimentar, que também aumentaram, e são o terceiro maior custo no sector”.

Além destes aumentos de custos, o executivo acrescenta que ainda existem restrições no sector da aviação que “fazem com que alguns mercados tenham muitas dificuldades em poder viajar”.

No fundo, “nada pode ser dado como adquirido dado o clima de incerteza em que vivemos”, concluiu José Theotónio.

O PressTUR viajou para Fátima a convite da AHP

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