Primeiro Festival Literário de Lisboa realiza-se entre 5 e 9 de Maio

22-04-2021 (19h40)

Foto: lisboa5l.pt
Foto: lisboa5l.pt

O primeiro festival literário de Lisboa decorre entre 5 e 9 de Maio em teatros, cinemas, livrarias, ruas, largos e praças da cidade, reunindo mais de 70 autores de oito países, numa homenagem à língua portuguesa.

O Festival Internacional de Literatura e Língua Portuguesa – Lisboa 5L tem direcção artística de José Pinho, criador do Folio, e é uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa (CML), que visa celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa e promover a Língua, a Literatura, os Livros, as Livrarias, a Leitura, os Autores e os seus Leitores, anunciou a autarquia, em comunicado.

Durante cinco dias, mais de 70 autores de oito nacionalidades reúnem-se em Lisboa para participar no festival que contará com uma programação diversa, que inclui debates, mesas de autor, concertos, cinema, performance, encontros e exposições, a decorrer em espaços variados, que vão do Teatro São Luiz ao Museu da Farmácia, passando pelo Cineteatro Capitólio e Cinema Ideal.

As ruas, livrarias, largos e praças lisboetas vão ser também palco de algumas das iniciativas previstas para esta edição do Festival 5 L.

Os debates e mesas de autor realizam-se no São Luiz Teatro Municipal e no Museu da Farmácia e contam com a presença de escritores e especialistas, nacionais e estrangeiros, consagrados e também estreantes.

Entre os autores convidados contam-se portugueses como Hugo Cardoso, Inês Fonseca Santos, André Letria, Carla Oliveira, Isabel Minhós Martins, Pedro Mexia, José Pacheco Pereira, Bruno Vieira Amaral, Cláudia Andrade, João Tordo, Dulce Maria Cardoso, Isabel Rio Novo, Lídia Jorge, Mário de Carvalho, Mário Zambujal, Teolinda Gersão, Gonçalo M. Tavares, Filipe Melo, Valter Hugo Mãe, Afonso Cruz, Matilde Campilo ou José Luis Peixoto.

Oriundos de outros países de língua portuguesa, estão previstos os escritores Itamar Vieira Junior, Paulo Werneck, Paulo Scott, do Brasil, José Eduardo Agualusa e Ondjaki, de Angola, e Inocência Mata, de São Tomé e Príncipe.

Participam ainda autores de outras nacionalidades, como é o caso de Alberto Manguel (Argentina), Doris Wieser (Alemanha), Jean-Luc Nancy e Guillaume Husson (França), Donatella Di Cesare e Leonardo Taiuti (Itália), Jorge Carrión e Jesús Trueba (Espanha), entre outros.

Nestes encontros vão ser debatidos temas da actualidade no contexto da criação, da produção e da circulação da literatura, mas também de ciência, do ciberespaço, de ócio, de economia e sobretudo da condição humana.

A palavra será celebrada também através da música, mais concretamente, através de concertos, em que a “palavra escrita, dita, musicada e cantada” ganha o protagonismo.

Este evento contará com a participação de artistas como os Poetry Ensemble ou Lisbon Poetry Orchestra, mas também Sérgio Godinho, Filipe Raposo, Capicua e Camané.

“Artistas de expressão portuguesa encontram-se no Cineteatro Capitólio, para dar voz à Língua e à Literatura, criando universos poéticos em forma de espectáculos musicais”, especifica o comunicado, citado pela Agência Lusa.

O Cinema Ideal será espaço para o ciclo de cinema “Filmar Literatura”, uma selecção de filmes adaptados de diferentes obras e géneros literários, que vão do conto à novela gráfica, num programa exclusivo, criado em parceria com o IndieLisboa e que exibirá "Uma abelha na chuva", "Apocalypse Now", "Blow-Up", "Galinha com ameixas" e "Bruscamente no verão passado".

A performance “Bem Essencial, Pão, Água e Livros”, com concepção artística de Madalena Victorino e Pedro Salvador, é um percurso performativo, com a participação do público (através de pré-inscrição), pelas ruas, largos e becos da zona da baixa lisboeta.

Neste festival haverá lugar também para duas exposições, uma de “Cartas de Lisboa” e outra de “Álbuns Ilustrados”, que vão estar patentes em cinco praças da cidade e na Livraria Snob/Brotéria.

A primeira mostra, “Cartas de Lisboa”, com curadoria de Rita Marquilhas, reúne 45 cartas escritas há centenas de anos, que inspiraram quatro artistas portugueses contemporâneos a criarem uma ilustração, que será apresentada lado a lado com a carta correspondente.

A segunda exposição, “Álbuns Ilustrados”, com curadoria de Sara Amado, reúne uma biblioteca de 25 álbuns ilustrados e de 25 actividades desenvolvidas por alunos em meio escolar no âmbito do projecto “A Janela”, um programa do 5L de Educação para a Cidadania no 1º Ciclo, a decorrer até 2022.

Quanto aos “Itinerários Literários”, são percursos na cidade, guiados pelos olhos e pela mão de consagrados autores portugueses, que levam o público a percorrer as ruas de Lisboa, revisitando obras e descobrindo autores clássicos menos conhecidos: Joaquim Paço d'Arcos, Eça de Queirós, Luís de Camões e Ricardo Reis, conforme retratado por José Saramago.

Estão também previstas emissões ao vivo no Instagram e um mapa digital sobre as paisagens literárias de Lisboa.

A par deste programa nuclear do festival, decorrem actividades paralelas, desenvolvidas por um conjunto de parceiros - editoras, livrarias e espaços culturais – “cúmplices no propósito de transformar a cidade, durante estes cinco dias, no recinto de uma grande festa consagrada à língua e à literatura”, destaca a câmara.

A programação completa do Festival 5L, assim como a programação paralela do festival, podem ser consultadas no site www.lisboa5l.pt.

A primeira edição do novo Festival Internacional de Lisboa 5L esteve inicialmente prevista para Maio de 2020, mas a pandemia de Covid-19 obrigou a adiar a iniciativa para este ano.

Na altura em que foi anunciado pela primeira vez, a Câmara Municipal de Lisboa explicou que José Pinho foi o autor da proposta escolhida pela autarquia “no âmbito do concurso público realizado para a Direção Artística do Festival Lisboa 5 L” e que a ele “caberá a programação e a coordenação geral deste evento”.

A CML recordou que José Pinho é o “criador, director, curador e coordenador dos festivais literários Folio - Festival Literário Internacional de Óbidos e Latitudes: Viagens e Viajantes”, que “desempenhou também funções de livreiro e editor” e “foi cofundador da Ler Devagar, projecto que teve início no Bairro Alto e que, durante os últimos 20 anos, passou por seis espaços na cidade de Lisboa, sendo o último a LX Factory”. Foi ainda “o responsável pela instalação de livrarias de Óbidos no âmbito do projecto Óbidos Vila Literária, cofundador da Nouvelle Librairie Française de Lisboa e sócio-gerente da Ferin, livraria histórica situada também na capital”.

“Instalou as Livrarias de Portugal País Convidado nas Feiras do Livro de Sevilha e de Madrid, em Espanha, e de Guadalajara, no México, e participou em festivais literários e conferências internacionais em vários países por todo o mundo, como Espanha, Itália, França, Brasil, Canadá, Austrália, entre outros”, sublinhou a CML.

A realização de um encontro internacional de literatura e língua portuguesa em Lisboa partiu de uma proposta do PCP, que foi aprovada em reunião de câmara em Setembro de 2018.

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