Portugal vai perder tráfego e turismo para Espanha por culpa das taxas aeroportuárias – afirma Michael O’Leary

17-05-2017 (16h17)

José Espartero, Michael O'Leary e David O'Brien em Lisboa
José Espartero, Michael O'Leary e David O'Brien em Lisboa

Campeões no futebol e campeões a cantar, mas no turismo Portugal vai perder para Espanha, prognostica Michael O’Leary, CEO da Ryanair, culpando as taxas elevadas dos aeroportos e a delonga na abertura do Aeroporto do Montijo.

“O governo tem o papel de dizer que quer o Montijo aberto em 2019”, defendeu o CEO da Ryanair hoje em conferência de imprensa em Lisboa.

“Nem em 2020, nem 2021, precisamos que esteja aberto mais cedo, [porque] de outra forma, Portugal e Lisboa vão perder crescimento, que irá para os aeroportos espanhóis, como Málaga ou Valência, que estão a baixar as suas taxas”.

“São campeões no futebol, são agora campeões a cantar na Eurovisão, mas vão perder tráfego e turismo para Espanha... e Portugal odeia perder para Espanha”, frisou Michael O’Leary.

David O’Brien, responsável comercial (chief commercial officer) da low cost, apresentou a Madeira como exemplo da concorrência entre os aeroportos portugueses e espanhóis, dizendo que “a Ryanair não voa para a Madeira porque custa 33 euros por passageiro, enquanto Lanzarote custa 15”.

“Isso é resultado de fazer parte de um monopólio”, acrescentou David O’Brien.

Os executivos da Ryanair estiveram esta manhã em Lisboa para reforçar uma perspectiva já avançada por Michael O’Leary em finais de Fevereiro, de que o Montijo poderia estar aberto mais cedo que a data prevista de 2021 e que deveria ser outro operador a gerir o novo aeroporto, porque “a concorrência funciona” (clique para ler: Michael O’Leary defende que o Montijo deveria estar a funcionar em seis meses / Michael O’Leary diz que a Ryanair só voará para o Montijo se for “significativamente mais barato que a Portela”).

Este Verão a Ryanair tem seis novas rotas em Lisboa, designadamente Bolonha, Glasgow, Luxemburgo, Nápoles, Toulouse e Breslávia, e avançou que prevê transportar de/para a capital este ano 3,2 milhões de passageiros.

Em 2016, a Ryanair foi a segunda maior companhia aérea no Aeroporto de Lisboa, com 2,5 milhões de passageiros em 14,6 mil voos, representando aumentos em 12,5% em número de passageiros e em 9,2% em número de voos.

No primeiro trimestre deste ano, com 639.540 passageiros, a low cost está com um aumento em 7,5%, abaixo do crescimento médio do tráfego em voos regulares de/para Lisboa, que teve um aumento em 21,4%, para 5,16 milhões de passageiros.

Assim, ao contrário dos prognósticos do seu CEO, a Ryanair no primeiro trimestre viu a TAP distanciar-se, com a companhia portuguesa a crescer 30,1% e a alcançar uma quota de mercado de 51,6%, enquanto a low cost baixa para 12,3%.

 

Ver também:

O’Brien da Ryanair diz ter sido contactado pela TAP sobre a low cost ser feeder da portuguesa

 

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