Operadores marítimo-turísticos dos Açores queixam-se de falta de capacidade na SATA

07-08-2018 (15h08)

Foto: www.azores.gov.pt/
Foto: www.azores.gov.pt/

A SATA “está a penalizar” a actividade dos operadores marítimo-turísticos, por falta de capacidade para a procura que há nomeadamente para mergulho com jamantas ao largo da ilha de Salta Maria, que empresários locais garantem estar a afirmar-se como alternativa às Maldivas.

“Claramente não há lugares suficientes para cobrir a procura”, declarou à Lusa o responsável pela Associação dos Operadores de Mergulho dos Açores (AOMA), que realçou a ineficácia de voos de reforço anunciados com pouco tempo de antecedência, por os clientes do sector dos operadores marítimo-turísticos “normalmente marcarem as férias com antecedência”.

De acordo com o operador, tem havido queixas das agências de viagens que tentam marcar grupos, mas não conseguem, procedendo ao cancelamento das reservas porque, por exemplo, necessitam de oito lugares na SATA e só conseguem seis, o que “gera consequências”.

“O turismo está a mudar. Há sectores que estão a crescer, o que saudamos, mas ao crescerem estes novos sectores isto significa que os previamente existentes não conseguem ter a quantidade de clientes desejada para fazer face às despesas e suas actividades”, declarou o presidente da AOMA.

No caso específico do turismo subaquático, em que, por exemplo, Santa Maria tem maior expressão no Verão, Paulo Reis, empresário do ramo, aponta para quebras de 50%.

O responsável afirma que o modelo de reencaminhamentos aéreos nos Açores “simplesmente não funciona, porque não há lugares e agência nenhuma quer trabalhar com este sistema porque, se algo correr mal, há que arcar com as despesas”.

A ilha de Santa Maria tem vindo a afirmar-se como um "destino de eleição" para mergulhar com jamantas, em alternativa às Maldivas e outras áreas do planeta.

Paulo Reis considera que os Açores “estão definitivamente” na rota das jamantas, que passam o Inverno em Cabo Verde, a avaliar pelos animais sinalizados pela Universidade dos Açores, e ficam o Verão nos Açores, onde chegam normalmente no mês de Junho e início de Julho.

O banco de pesca do Ambrósio é o local onde estas aparecem, sendo “muito raro” o dia em que se lá vai e não se mergulha com com jamantas, adianta.

Face aos “menos voos e menor acessibilidade” nas ilhas de Santa Maria, Faial, Pico e Flores, Paulo Reis refere que já não é possível salvar o Verão.

O dirigente da AOMA deixa, contudo, a necessidade de o grupo SATA começar a trabalhar já a operação de 2019, sublinhando que os mercados americano e europeu agendam férias com “muita antecedência”.

Apesar de reconhecer o esforço de realizar voos de reforço por parte da operadora aérea, o empresário recorda que estes são anunciados com um mês de antecedência ou 15 dias, o que “não serve absolutamente para nada” na sua actividade.

(PressTUR com Agência Lusa)

 

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