CTP perspectiva queda de dormidas na hotelaria este ano

06-12-2018 (16h23)

A Confederação do Turismo de Portugal divulgou hoje uma declaração do seu presidente, Francisco Calheiros, em que avança previsões para o fim deste ano que, a confirmarem-se, significarão que 2018 será o primeiro ano de queda homóloga das dormidas desde 2009.

De facto, na sua declaração o presidente da CTP diz que “tudo indica que iremos fechar 2018 com cerca de 57 milhões de dormidas e 21 milhões de hóspedes”, quando em 2017, segundo o INE, a hotelaria portuguesa, incluindo hotéis, hotéis-apartamentos, pousadas, apartamentos turísticos, aldeamentos turísticos e “outros alojamentos, teve 57,62 milhões de dormidas.

A previsão da CTP para o total de dormidas na hotelaria este ano aponta, portanto, para um quebra em 1,1% ou cerca de 620 mil, a qual se ficará a dever a decréscimo do tempo médio de permanência dos clientes, uma vez que para o número de hóspedes, ao avançar com o total de 21 milhões, indica que prevê um aumento em 1,5% ou perto de 310 mil.

Em ambos os casos, no entanto, a previsão aponta para que o último trimestre deste ano tenha sido de estagnação.

Até Setembro, segundo o INE, a hotelaria portuguesa somou 16,5 milhões de hóspedes, pelo que no último trimestre basta ter os mesmos 4,4 milhões que teve no último trimestre de 2017 e ficará em 20,9 milhões, ou seja, próximo dos 21 milhões da previsão da CTP.

Em dormidas, os dados do INE indicam um total de 46,12 milhões até Setembro, inclusive, pelo que basta somar os mesmos 11,25 milhões do último trimestre de 2017 para atingir 57,37 milhões e superar os 57 milhões da previsão da CTP.

A CTP, ainda assim, avança que a sua expectativa que o balanço de 2018 indique “uma boa performance, estabilizando o número de dormidas e de hóspedes e alcançando novos recordes nas receitas turísticas e no transporte aéreo”.

Francisco Calheiros, na declaração citada no comunicado, afirma, aliás, que “estamos a viver um momento de estabilização do nosso Turismo” e realça o crescimento desde 2013, que diz ter sido o início de “um ciclo de crescimento”.

A declaração de Francisco Calheiros diz que relativamente a esse ano de 2013 o numero de hóspedes aumentou 40% e o número de dormidas, 32,5%, mas citando totais desse ano que diferem dos publicados pelo INE, indicando 43 milhões de dormidas e 15 milhões de hóspedes, mais cerca de 630 mil hóspedes que o INE (14,37 milhões) e mais cerca de 1,4 milhões de dormidas do que o Instituto (41,56 milhões).

A CTP diz na mesma informação que “no que respeita aos proveitos da hotelaria, antevê-se um aumento na ordem dos 6%, atingindo os 3,6 mil milhões de euros”, que a confirmar-se significará um aumento em 4,6% no último trimestre, face aos 661,1 milhões do quarto trimestre de 2017, tendo em conta que no final de Setembro o total de proveitos do alojamento turístico está em 2,9 mil milhões de euros, com um aumento em 6,3% face ao período homólogo do ano passado.

A CTP avança ainda que “o RevPar (preço médio por quarto disponível) irá também registar um crescimento de cerca de 5,3%”, o que significará uma ligeira aceleração face aos primeiros nove meses do ano, em que segundo o INE a RevPAR subiu 5,2%, para 56,8 euros.

“Nota positiva também para o número de passageiros desembarcados nos aeroportos nacionais, atingindo os 27,4 milhões de passageiros (mais 7% face a 2017)”, diz também a CTP que assim prevê um crescimento em linha com o aumento nos primeiros nove meses, que foi de 7% segundo a ANA, que indicou 21,29 milhões de desembarques até Setembro.

E para os portos de cruzeiros, a CTP avança o total de passageiros este ano de 1,4 milhões, com um aumento em 12%, em linha com o aumento médio até Setembro, que, segundo informação dos Portos Marítimos divulgada pelo Turismo de Portugal, nos primeiros nove meses do ano tiveram um aumento de passageiros em 12,1%, para 953,3 mil, com 916,28 mil passageiros em trânsito (+13,7%), 18,5 mil embarques (-17,9%) e 18,5 mil desembarques (-14,6%).

No mesmo comunicado a CTP defende que “o turismo continuará a ser a maior actividade económica exportadora do nosso país e a principal fonte de financiamento da balança comercial”, referindo-se designadamente às receitas turísticas, que são os gastos de não residentes registados pelo Banco de Portugal, os quais prevê atinjam “o valor recorde de 17 mil milhões de euros, alcançado um aumento de 12% quando comparado com 2017”.

Essa previsão aponta para que o último trimestre seja de aceleração do crescimento das receitas turísticas apesar da estagnação na hotelaria, com um aumento de aproximadamente 14,8%, tendo em conta que até Setembro as receitas estavam em 12,887 mil milhões de euros, com um aumento médio de 11,4%.

Idêntica tendência é a previsão da CTP para o saldo da balança turística, que antecipa tenha um aumento em 14%, para 12,4 mil milhões de euros, já que prognostica que os gastos dos portugueses em turismo no estrangeiro atinjam 4,6 mil milhões, o que significará um aumento em cerca de 7,2%.

Os dados do Banco de Portugal relativos aos primeiros nove meses do ano indicam que neste período as receitas cresceram 12,2%, para 11,1 mil milhões de euros, os gastos cresceram 8,1%, para 3,14 mil milhões, e o saldo teve um aumento em 13,9%, para 12,56 mil milhões.

“O turismo continuará a ser a maior actividade económica exportadora do nosso país e a principal fonte de financiamento da balança comercial”, conclui a CTP, que se refere também às exportações de transporte aéreo, avançando que “devem alcançar um valor histórico na ordem dos 4, 7 mil milhões de euros, mais 8% do que em 2017” e que, assim, “o saldo da balança do Turismo deverá atingir os 15 mil milhões de euros”.

 

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