“Há pouco diálogo entre quem desenha o dia-a-dia das empresas e a tecnologia” - Pedro Seabra, Viatecla

28-11-2018 (17h30)

"A tecnologia é sempre vista como a solução milagrosa" para os problemas das empresas, mas "na verdade é um instrumento" que tem que ser ‘alimentado' com a informação de quem desenha o dia-a-dia das empresas para ser eficiente, defendeu Pedro Seabra, administrador da Viatecla, no 44º Congresso da APAVT, em Ponta Delgada.

"O que sinto no turismo é que, na maior parte das vezes, as pessoas contam com a tecnologia para resolver os problemas, mas depois no dia-a-dia do negócio, do desenho do negócio, não se fala com a tecnologia. Espera-se que depois ela venha a resolver os problemas", afirmou Pedro Seabra, num debate sobre as oportunidades da tecnologia.

"Há pouco diálogo entre quem desenha os processos, o dia-a-dia das empresas, e depois a tecnologia", enfatizou o administrador da Viatecla.

Como exemplo, Pedro Seabra falou dos bots, "dos agentes inteligentes para dar apoio ao cliente", dizendo que "só vão funcionar se antes houver um trabalho forte de digitalizar o que é o suporte ao cliente, digitalizar de uma forma consistente toda essa informação para que depois quando o cliente nos faz uma pergunta, esse sistema, baseado no histórico e no know-how que as empresas têm, conseguir dar uma resposta".

A tecnologia "não faz magia", enfatizou Pedro Seabra, para concluir que "são as pessoas que fazem a diferença".

O futuro das agências de viagens, de acordo com o executivo, "passa fundamentalmente por dois pilares: diferenciação e serviço", mas ambos "têm que ver com um trabalho árduo" de digitalização dos processos.

"Diferenciação tem que ver com um forte know how de um destino, de determinado produto", e para que a tecnologia consiga ajudar nessa diferenciação, o conhecimento tem que ser "bem sistematizado", tem que ter "regras claras".

No serviço, "se eu não tiver check-lists, rigor, preocupação de falar com os meus clientes e registar o que é que são as suas preferências", as soluções tecnológicas não serão eficientes.

"A tecnologia é uma ferramenta, é um acelerador", mas só poderá ser eficiente se, estrategicamente, "desenharmos os nossos processos de negócio", concluiu Pedro Seabra.

 

Ver também:

Tecnologia tem que estar "ao serviço das pessoas e não o inverso" - Cláudio Santos, Amadeus
"Temos as soluções", é preciso avançar - António Loureiro, Travelport
Tecnologia é uma oportunidade para os agentes de viagens comunicarem mais - Vasco Pinheiro, Go4Travel

 

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