Grupo TAP tem prejuízo de 118 milhões de euros em “ano necessário”

22-03-2019 (18h06)

O Grupo TAP passou de um lucro de 21,2 milhões de euros em 2017 para um prejuízo de 118 milhões de euros em 2018, um ano de transformação necessária para preparar o futuro, segundo descreveram hoje Miguel Frasquilho, Antonoaldo Neves e David Neeleman.

O Grupo apresentou os resultados hoje em Lisboa sem indicar os resultados da TAP SA, que é a empresa responsável pelo transporte aéreo de passageiros e carga, e manutenção de aviões, que são determinantes para os resultados do grupo.

O lucro de 21,2 milhões em 2017, por exemplo, foi alcançado porque a TAP SA teve um lucro de 100,4 milhões de euros.

Os 118 milhões de euros de prejuízo apresentados hoje, segundo o CEO da TAP, Antonoaldo Neves, demonstram “um perfil de uma empresa em transformação, de uma empresa que está em processo de reestruturação”.

Para Miguel Frasquilho, presidente do Conselho de Administração da TAP, “apesar de ter sido um ano difícil e desafiante, foi um ano em que a TAP não comprometeu o seu futuro. Pelo contrário, preparámos o futuro”.

A companhia aérea, continuou Miguel Frasquilho, “optou por não sacfrificar a execução do seu plano estratégico, o plano de transformação que está em curso desde 2016. Escolheu manter o conjunto de investimentos previstos que ajudarão a que, em termos de resultados, 2018 não se repita”.

Já David Neeleman, accionista da TAP através do consórcio Atlantic Gateway, caracterizou 2018 como “um ano necessário”.

Os resultados, apresentados por Raffael Quintas, Chief Financial Officer (CFO), indicam que dos 118 milhões de euros de prejuízo, 95 milhões foram custos extraordinários e não recorrentes.

Desses custos, Raffael Quintas destacou 75 milhões de euros em investimentos para reestruturação da empresa (27 milhões em pré-reformas e reestruturação de pessoal, 20 milhões em passivos laborais de 2015 a 2017 e 28 milhões com rescisões na M&E Brasil) e 41 milhões de euros em gastos extraordinários com irregularidades (22 milhões em indemnizações extraordinárias a passageiros e 19 milhões em fretamentos extraordinários de aviões).

Dos resultados sobressaiu também o impacto do aumento de 32% do preço médio do jet fuel, que Raffael Quintas avaliou em 169 milhões de euros. A factura do combustível da TAP atingiu 798,6 milhões de euros no ano passado, mais 38% que em 2017.

As receitas totais da TAP, porém, subiram 9,1% ou 273 milhões de euros, para 3.251 milhões, enquanto o número de passageiros transportados alcançou os 15,8 milhões, mais 1,5 milhões que em 2017.

As receitas de passagens aéreas, por sua vez, tiveram um aumento de 8,2% face a 2017, apesar de um abrandamento no segundo semestre.

As receitas de passagens subiram 22,3% no primeiro trimestre, para 580 milhões de euros, e 12% no segundo trimestre, para 699 milhões. No terceiro trimestre o crescimento das receitas de passagens foi de 5,1%, para 877 milhões, e no quarto trimestre caíram 1,6%, para 627 milhões.

 

Ver também:

TAP quer acabar com “dependência” do Brasil através da diversificação de mercados

TAP vai investir “cada vez mais” nas vendas directas

 

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