Governo de Cabo Verde confirma não ter concretizado ainda participação na Binter CV

08-01-2020 (19h15)

Foto: Binter
Foto: Binter

O Governo cabo-verdiano informou hoje o parlamento que ainda não é acionista da Binter CV, contrariamente ao que esteve previsto aquando da entrada da empresa espanhola no mercado aéreo doméstico de Cabo Verde, em 2016.

Essa foi a informação avançada pelo ministro dos Transportes e do Turismo, José Gonçalves, questionado pelos deputados sobre a situação da companhia, que desde 2017 e até ao último Verão, com a saída da TACV, teve o monopólio das ligações domésticas.

“O Estado ainda não é proprietário, acionista, dos 30% [do Capital Social da Binter CV]. Desde o início, em 2017, em que acordamos, através de dois memorandos [de entendimento] com a Binter, esta opção dos 30%, que estão neste momento a ser operacionalizados”, disse José Gonçalves.

Segundo o ministro, não sendo acionista, o Estado cabo-verdiano também não pode pedir contas à empresa: “Ainda não somos acionistas, portanto, não temos o direito de pedir contas enquanto acionistas”, disse.

A Binter Cabo Verde (CV), criada em 2014, é uma companhia de direito cabo-verdiano, que tem como único acionista a empresa Apoyo Y Logistica Industrial Canária, Sociedade Limitada.

A companhia, que anunciou ter atingido no final de 2019 o primeiro milhão de passageiros transportados em Cabo Verde, está a operar nas ligações inter-ilhas desde Novembro de 2016 e um memorando de entendimento anterior previa a entrada do Estado cabo-verdiano no capital da Binter, numa posição de 30% relativa à concessão da linha doméstica.

O entendimento previa ainda a possibilidade de o Estado cabo-verdiano adquirir mais 19% do capital social da Binter CV.

Embora sem adiantar mais detalhes, o ministro dos Transportes garantiu aos deputados que a Binter será uma empresa “cada vez mais cabo-verdiana”.

“Estamos a finalizar e a Binter está inclusive aberta a aumentar a participação do nacional até 49%. Estamos neste momento a negociar este pacote”, disse.

A Binter divulgou em 2018 que foi convidada pelo anterior governo do PAICV, em 2012, para entrar no mercado cabo-verdiano e operar nas rotas inter-ilhas, dada a “dramática situação financeira” que a companhia de aviação cabo-verdiana TACV atravessava então e que conduziu à sua privatização.

(PressTUR com Agência Lusa)

 

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