Angola promete regularizar em Julho toda a dívida às companhias aéreas

29-06-2018 (22h45)

O governador do Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou hoje que os valores reclamados pelas companhias aéreas, uma das quais a TAP, desceram este mês para 85 milhões de euros e que a situação será totalmente regularizada em Julho.

“Agora, no mês de Julho, regularizaremos a totalidade dos valores reclamados pelas companhias aéreas que, dos 540 milhões de dólares [460 milhões de euros] identificados como devidos no início deste ano, estão hoje calculados em menos de 100 milhões de dólares [85 milhões de euros]”, disse o governador José de Lima Massano falava no encerramento do VIII Fórum Banca, promovido pelo semanário angolano “Expansão”, em Luanda.

A dívida de Angola às companhias aéreas estrangeiras, em fundos bloqueados, já tinha descido mais de 100 milhões de euros até Junho, mas ainda era a segunda mais elevada do mundo, informou no início do mês a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).

Em causa estão fundos das companhias com origem na venda de passagens aéreas que depois não conseguem repatriar, no caso de Angola devido à forte crise económica, financeira e cambial que o país atravessa desde finais de 2014.

A situação levou Angola a acumular uma dívida, em fundos bloqueados — depositados em moeda angolana nos bancos nacionais e que aguardam autorização para repatriamento, em divisas —, até um ‘pico’ de mais de 500 milhões de dólares, conforme reconheceu a IATA.

No último balanço da Associação, disponibilizado a 5 de Junho, o presidente do conselho de administração da IATA, Alexandre de Juniac, informou que a Nigéria regularizou os 600 milhões de dólares (513 milhões de euros) que tinha em fundos bloqueados às companhias aéreas e que Angola tinha reduzido o montante em dívida em 120 milhões de dólares (102 milhões de euros).

“Encorajo o Governo de Angola a trabalhar com as companhias aéreas para ajudar a reduzir ainda mais este atraso”, disse então Alexandre de Juniac.

Segundo a IATA, a Venezuela lidera destacada o montante de fundos que as companhias aéreas não conseguem repatriar, com 3.780 milhões de dólares (3.230 milhões de euros), seguida por Angola, com 386 milhões de dólares (330 milhões de euros).

Surgem depois países como o Sudão, com 170 milhões de dólares (145 milhões de euros) bloqueados, o Bangladesh, com 95 milhões de dólares (81 milhões de euros), e o Zimbabué, com 76 milhões de dólares (75 milhões de euros).

A Associação estima que no final de 2017 estavam bloqueados, em 16 países, cerca de 4.900 milhões de dólares (4.190 milhões de euros) de fundos que as companhias aéreas não conseguiam repatriar, uma quebra de 7% face aos indicadores do ano anterior.

(PressTUR com Agência Lusa)

 

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