Vítor Neto no “Diário Económico”: O Algarve sem “mitos e ilusões”

07-08-2006 (12h37)

“O viajante arrisca-se a afirmar que o Algarve não é, de longe, a região da área do Mediterrâneo que está pior e, se existir inteligência, é  capaz de construir um desenvolvimento turístico sustentável e competitivo”, escreve hoje Vítor Neto, na sua coluna habitual no “Diário Económico”, em que aborda o “difícil” tema dos “mitos e ilusões” sobre a maior região turística do País.

O ponto de partida do ex-secretário de Estado do Turismo e presidente do NERA, Núcleo Empresarial do Algarve, é uma crónica de Clara Ferreira Alves na revista “Única” do “Expresso”, que, para Vítor Neto, “deixa, curiosamente, transparecer um conjunto de contradições que, no fundo, reflectem a relação ambígua, de amor/rejeição, de muitos portugueses com o Algarve”.
O Algarve, “queira-se ou não, faz arte do imaginário dos portugueses”, sublinha o articulista, concedendo, que “certamente por diferentes razões consoante o extracto social, o nível cultural, a idade”.
E enumera que há o Algarve, da “maioria dos portugueses”, que significa praia, descanso, diversão, lazer, de alguns, que significa “promoção social, moda, exibicionismo, como qualquer destino turístico do mundo” e também dos que dizem que já lá não vão porque o turismo destruiu o verdadeiro Algarve “das praias desertas, do pescador amigo e da tasca na praia, do bucolismo da velhota de xaile preto e chapéu de homem”.
E é sobretudo para estes que Vítor Neto realça que “vivemos nesta sociedade europeia e moderna”, em que o “Turismo já não é privilégio de uma elite num mundo todo por descobrir”, levando a que dos 330 milhões de turistas internacionais estimados em 1985, se tenha ultrapassado em 2005 os 800 milhões e as previsões apontem mais de 1.500 milhões em 2020.
Ora, neste processo, não foi o Algarve que, por “visão” empresarial escolheu o turismo. “Foi o Turismo, em consequência da explosão da procura dos países do centro e norte da Europa em relação aos mares quentes do Mediterrâneo...que escolheu o Algarve”, defende Vítor Neto, lembrando que actualmente o Algarve recebe vários milhões de turistas portugueses e estrangeiros.
Daí, prossegue, que tenha crescido “como os outros destinos turísticos, sem modelo nem estratégia, ao sabor da pressão imobiliária que foi «evoluindo»: hotéis, apartamentos, time share, aldeamentos, resorts...”
Daí, também, que tenha “hoje todos os problemas dos outros destinos regionais do sul europeu: desordenamento e excesso de concentração  urbanística no litoral, pressão imobiliária, agressões ambientais, destruição de recursos naturais”.
“Mas é injusto reduzir o Algarve apenas a aspectos negativos. O Algarve  mudou muito, em muitos aspectos para melhor, e tem qualidade em muitas áreas”, defende Vítor Neto que noutro passo salienta que “é tempo de se fazer um discurso adulto e realista sobre o Turismo, o que não significa fechar os olhos a erros, absolver «culpados» e ser imprevidente em relação ao futuro”.

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