Turismo e imobiliário: transparência precisa-se

10-07-2006 (09h00)

Vítor Neto no “Diário Económico”

“O Turismo precisa da imobiliária como suporte insubstituível da sua actividade, mas a pressão instrumental para dar estatuto de turismo ao que o não é, acaba por ser mistificadora”, escreve hoje Vítor Neto, empresário, ex-secretário de Estado do Turismo, na sua coluna habitual no “Diário Económico”, na qual defende que “tem de haver transparência sobre o tipo de «negócio» de que se está a falar e não tentar vender «gato por lebre», à custa do turismo”.

O presidente do NERA e vice-presidente da AIP refere-se “à problemática da  imobiliária, à imobiliária residencial e aos  megaprojectos a ela associados”, relativamente à qual diz perfilhar “as palavras sábias  do empresário  Dionísio Pestana (D.Econ.03.05.04), que explica de forma clara as diferenças entre o investimento no turismo e na imobiliária que, diz ele, é «outra coisa»”.
“São coisas importantes, mas diferentes”, salienta Vítor Neto, para quem “a pressão instrumental para dar estatuto de turismo ao que o não é prejudicial para “a imobiliária em geral e sobretudo a imobiliária genuinamente ligada ao turismo”.
“As estruturas institucionais não podem voltar a cair na cilada. É visível a operação de «cerco». Nem o Presidente da República escapa”, alerta o articulista que, porém, centra a sua tomada de posição no “estranho silêncio” que domina quando, afinal, “quem acredita no Turismo tem o dever de gritar que «o rei vai nu» e que importa enfrentar as questões de fundo”.
“O Turismo tem urgência em clarificar o seu rumo, objectivos, prioridades, estratégia. Só um ingénuo pode pensar que basta anunciar «investimento», uma lista de «produtos» prioritários  e milhões para «promoção», e deixar o «mercado» fazer o seu papel... para se ter uma estratégia de turismo!”, adverte Vítor Neto, que abre o seu texto com a afirmação: “É curioso, em Portugal discute-se cada vez menos Turismo. Fala-se, fala-se, gasta-se muita tinta, mas pouco se discute e nada se questiona! Vive-se  o dia a dia”.
O ex-SET salienta que “não faltam por aí grandes cabeças pensantes que tudo sabem sobre Turismo”, mas interroga-se “por onde andam?”.
“Onde estão as profundas análises, as propostas estratégicas e as reivindicações  das grandes associações? Onde estão as exigências  de «medidas» e «planos», e as «reinvenções» do Turismo? E o «ministro», já não é preciso? Onde estão os intrépidos dirigentes que pontificavam empertigados por essas regiões fora, tudo exigindo a secretários de estado, ministros e governos? Onde estão, que ninguém os vê nem ouve?”, escreve Vítor Neto, que comenta: “Que estranho e comprometedor silêncio este, que, afinal, só exprime fraqueza e oportunismo”.
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