Portugal, turismo e inovação

06-08-2014 (16h52)

Portugal foi um país pioneiro na institucionalização do turismo na orgânica do Estado, há um século, e tornou-se um dos mais importantes países turísticos europeus. Os seus recursos naturais e culturais e os produtos e destinos turísticos próprios, reconhecidos nacional e internacionalmente, são aspectos estruturantes quando pensamos e falamos de como ultrapassar a crise actual. Um dos binómios fundamentais para a mudança é, seguramente, o turismo com a inovação. Mas como?

As comemorações do centenário do turismo em Portugal têm celebrado o passado, mas não deixando de perspectivar caminhos de futuro e procurar eixos de actuação que se constituam como oportunidades para o nosso país. É determinante a aposta, designadamente, nas redes de conhecimento, externa e internamente, para a afirmação do turismo português como valor económico e cultural perante os mercados.

O papel das redes é fundamental para a gestão da inovação e consequente melhoria da competitividade do sector turístico, a que se associa o impacto das tecnologias e das indústrias criativas e culturais na potenciação dessa inovação. Neste quadro de parcerias, o fortalecimento do papel de Portugal no turismo internacional passa por criar e liderar (se possível) uma Rede Lusófona em Turismo, a qual deve ter como objetivos constituir-se como uma plataforma de comunicação e promoção de programas de cooperação científica, mas também congregadora de maior intercâmbio social e económico. Tratar-se-ia de uma oportunidade para Portugal, tendo como matriz a língua comum, para ganhar escala e antes que essa conjuntura esteja irremediavelmente perdida, pelo avanço da concorrência.

Internamente, a diversidade e a biodiversidade do nosso país sempre potenciaram a criação de produtos, destinos e marcas valorativas de uma estratégia turística nacional que, por sua vez, se deve articular, coerentemente, com a própria marca do País. A acrescentar a isso, os últimos dados estatísticos demonstram o carácter exportador do sector turístico, além de que o valor do turismo no produto interno bruto (PIB) português é um dos maiores de entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). A oferta turística tem crescido, com sinais de qualidade e diversificando as experiências disponíveis. Com ela, devemos ser capazes de fazer algo de novo e diferente, relativamente a outros destinos dos quais nos chegam sinais de boas práticas, e - muito importante - não descurar os pormenores para satisfazer o consumidor, o alvo principal das atenções.

Mas será que o turismo faz hoje parte da estratégia da economia nacional? E da cultura? E da educação e ciência? E do ambiente e ordenamento do território? E da cidadania?

 

Charles Smith, Turism Expert

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