Relações com as low cost

25-11-2005 (16h13)

Vítor Filipe ao presstur.com (4)

O tema low cost não está na agenda do congresso, quando curiosamente este ano esse foi um dos temas dominantes em termos da agenda governamental para o sector. Porquê?
Vítor Filipe: Há muita gente que pensa que eu sou anti-low cost. Não sou. Ainda há dias li declarações do Engº Fernando Pinto em que afirma não acreditar que as low cost sejam um benefício para o País. Eu também sou um bocado céptico. Quero que me provem. E ninguém o pode provar actualmente porque o número de voos e de turistas que nos visitam através das low cost ainda é muito marginal. Mas há uma coisa de que toda a gente pode estar certa: para as agências de viagens, hoje em dia é indiferente vender uma companhia low cost ou uma chamemos-lhe regular, porque o tipo de remuneração é praticamente o mesmo, nomeadamente desde o passado dia 1 de Novembro com a baixa das remunerações das companhias aéreas às agências de viagens.

Qual é, afinal, a atitude do agente de viagens em relação às low-costs?
Vítor Filipe: A nossa obrigação enquanto consultores dos clientes é informá-los sobre quais as vantagens e desvantagens em viajarem numa ou noutra companhia. E isso significa informá-los sobre as tarifas e neste aspecto toda a gente sabe que as companhias aéreas tradicionais também têm um determinado número de lugares a preços competitivos com as low cost e estas não têm o avião todo ao preço low cost, embora possam ter uma margem de lugares superiores. Mas as nossas obrigações não se ficam pelos preços. Temos que informar também os nossos clientes sobre as diferenças de serviço. Por exemplo, para que aeroportos voam. E vamos ao exemplo de Londres, onde os passageiros que vão para Heathrow têm custos mínimos para chegarem ao centro da cidade, enquanto se forem para Stansted vão gastar muito mais. E temos que atender a outros aspectos, como se o passageiro quer ou não consumir refeição a bordo, ler o jornal, etc. E também temos que alertar o cliente quanto ao que acontece em cada uma das alternativas no caso de surgir algum impedimento que o leve a adiar a viagem. Na maioria das tarifas baixas das low costs, o cliente não pode adiar a viagem e nas tradicionais tem penalizações. Mas se houver um problema com a viagem, por avaria de um avião ou condições climatéricas, as alternativas que o cliente tem para seguir para o seu destino são infinitamente maiores numa companhia tradicional do que numa low cost. Portanto, os clientes precisam de ser informados de todas estas componentes e é essa a função do agente de viagens. Mas toda esta mediatização da questão das low costs que tem existido nos últimos tempos em Portugal centra-se mais no turismo receptivo.

Não são só rosas, como se costuma dizer...
Vítor Filipe: Toda a gente sabe o que aconteceu no Porto. A entrada da Ryanair afectou o mercado, porque estas companhias são muito agressivas, e o resultado foi que a British Airways, através da sua franchisada GB Airways, que há vários anos voava para o Porto, deixou de o fazer. O que é que será mais benéfico? É uma grande interrogação e só o futuro nos poderá esclarecer. Portanto, o que defendo é que é preciso ter bom senso e não nos deixarmos embarcar em falsas quimeras.

E como é que o presidente da APAVT vê a questão dos incentivos para as low costs criarem rotas para Portugal?
Vítor Filipe: Defendo que todos os incentivos devem ser dados por igual a todas as companhias aéreas, sob pena de se estar a fomentar concorrência desleal, o que vai contra as normas europeias. Todos sabemos que há subterfúgios na forma como os apoios estão a ser dados e na minha opinião isso não faz sentido. O que defendo é que as companhias aéreas devem ter todas o mesmo tipo de tratamento, que não pode haver casos em que umas têm benefícios e outras não. Garantem-nos que isso não está a ser feito, que apenas estão a ser dados apoios para novas rotas, campanhas de marketing... Mas não tenho dúvidas nenhumas que esses apoios também devem ser dados às companhias tradicionais.

Outro tema muito em voga no sector é a Internet, que muitas vezes se confunde com comercialização fora das agências de viagens...
Vítor Filipe: Sim é verdade e eu já falei várias vezes sobre esse assunto. Actualmente existem vários tipos de agências de viagens. Há as que se dedicam ao turismo receptivo, outras ao outgoing, temos as que chamamos operadores turísticos ou grossistas e temos as agências de viagens online, nas quais grande parte das reservas é feita através da internet. E nós temos alertado os nossos associados para se posicionarem mais neste segmento.

Qual é o peso do online no mercado português?
Vítor Filipe: Em Portugal não existem dados muito fiáveis, mas admitimos que o online represente cerca de 5% das vendas do sector e é natural que rapidamente isto se altere e passemos para 10%, 15%, 20%. Porque sabemos como as novas gerações cada vez são mais “computo-dependentes”. O que nos leva a alertar os empresários para estarem atentos a este fenómeno e posicionarem-se cada vez mais na venda online. E sabemos que o estão a fazer.
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