“Não temos nenhum fetiche de colocar a comissão zero”

23-05-2005 (12h06)

Carlos Paneiro (TAP) ao presstur.com (4)

“Nós não temos nenhum fetiche de colocar a comissão zero. Temos é que ver o que se passa nos mercados internacionais, porque a TAP está a competir no mercado global”, afirma Carlos Paneiro, que se mostrou convicto que TAP e APAVT “saberão sentar-se à mesa, analisar essas realidades e procurar as melhores soluções”, como o têm feito no passado. Relativamente ao futuro da TSF e à nova solução preconizada pela IATA, Carlos Paneiro afirma: “temos uma solução que está a funcionar e que o mercado aceitou bem. Para já vamos continuar com ela, sem prejuízo do agente de viagens utilizar o quinto cupão se assim o entender”.

O acordo da TAP com a APAVT relativo à remuneração dos agentes de viagens prevê um acompanhamento da evolução da situação em Espanha e França. A realidade nesses países mudou. Como vai ser?
Nestes últimos anos, sobretudo desde que existe a tendência para a redução das comissões, a TAP tem vindo a dialogar com as agências e com a APAVT no sentido de encontrar soluções boas para nós e para os agentes de viagens. Temos procurado, sem qualquer demagogia, demonstrar que para nós é extremamente importante que os agentes de viagens sejam devidamente remunerados pela venda e promoção do produto do transporte aéreo, até porque eles são responsáveis por 80% a 85% das nossas vendas aqui em Portugal.
Nessa perspectiva procurámos encontrar uma solução com a APAVT, a qual foi implementada em meados de 2003 que, como toda a gente sabe, passou pela introdução da TSF - Ticket Service Fee, através da qual o agente de viagens, além de uma comissão da companhia aérea, cobra do próprio cliente pelo serviço que lhe presta e que tem a ver com o serviço em si.
A solução foi implementada e nós sentimo-nos satisfeitos pelo facto de o mercado ter passado de uma realidade em que a agência de viagens era totalmente remunerada pela companhia aérea para a situação que existe hoje e por a transição ter sido feita de uma forma mais suave que em outros mercados internacionais, porque todos sabemos que em alguns mercados a comissão foi reduzida de uma só vez para zero.
Em Portugal, não. Nós temos procurado fazer a redução de forma gradual para que o canal de distribuição se possa adaptar à nova realidade.
Nessa perspectiva podemos dizer que as coisas estão a correr bem e sentimos o reconhecimento dos próprios agentes de viagens pelo trabalho que foi feito em conjunto. Consideramos que existe uma relação saudável entre a TAP e os agentes de viagens, que é também uma relação de confiança mútua.

Mas está em aberto o valor da comissão para o próximo ano...
O processo negocial está feito. Aponta para que a comissão normal em 2005 seja de 3% no primeiro semestre, que a partir de 1 de Julho será 2% e a partir de 1 de Novembro será 1%. Isso é claro, assim como a TAP dá garantias em como o agente de viagens continuará a poder cobrar um TSF no bilhete da TAP. Isso está perfeitamente claro.
Quando falamos em 2006, nós não temos nenhum fetiche de colocar a comissão zero. Temos é que ver o que se passa nos mercados internacionais, porque a TAP está a competir no mercado global. Nós sabemos que existem mercados que têm mais semelhanças com o nosso, nomeadamente o mercado espanhol e também, em parte, o francês. Nessa perspectiva nem garantimos que será 1% nem dissemos que será zero. Vamos analisar como estão as coisas nesses mercados, qual a realidade de Espanha e França e em função dessa análise a TAP e a APAVT saberão sentar-se à mesa, analisar essas realidades e procurar as melhores soluções.

TSF vs TASF
E quanto ao futuro da TSF, tendo em conta algumas críticas de que não obedece às regras da IATA?
Nunca ouvi dizer que a TSF não obedece às regras da IATA. A TAP nunca iria fazer algo que não fosse legal. Foram pedidos pareceres às entidades competentes do País e só depois de termos parecer positivo é que a implementámos. E não é realidade única no mercado europeu, até porque nós baseámo-nos na solução que existe na Áustria.
Aliás, é bom salientar que houve inércia da própria IATA, porque não soube encontrar atempadamente uma solução que fosse universal.

Mas a IATA hoje já tem a TASF?
Nós não temos nada contra essa solução, nem a TAP quer ir contra a IATA, da qual fazemos parte. A questão é que a IATA em tempo útil não colocou uma solução no mercado. Quando implementamos a TSF, em Abril de 2003, a IATA ainda estava longe de ter uma solução. Então a TAP e a APAVT foram à procura da melhor solução e encontraram. Entretanto a IATA começou a desenvolver uma solução, que só agora foi colocada no mercado. Cabe aos agentes de viagens decidirem se querem utilizar essa solução ou não.
A companhia aérea não tem que dar qualquer autorização, nem ao sistema de distribuição, nem à IATA, nem ao agente de viagens. Cabe ao mercado decidir se quer adoptar a Ticket Airline Service Fee, também conhecida por quinto cupão. A TAP não é contra, nem boicota essa solução.
Para nós, a questão é: temos uma solução que está a funcionar e que o mercado aceitou bem. Para já vamos continuar com ela, sem prejuízo do agente de viagens utilizar o quinto cupão se assim o entender.
Share
Tweet
+1
Share
Comentários
Escrever comentário

Outras Notícias

Portugal será “um hub” da expansão do Minor Hotel Group na Europa

02-02-2016 (18h52)

"Acho que Portugal vai tornar-se um hub europeu na continuação da nossa expansão na Europa", afirmou ao PressTUR o CEO do Minor Hotel Group, Dillip Rajakarier, sublinhando que os seus planos passam por tornar a Tivoli numa marca global e por trazer para Portugal outras marcas do grupo.

É preciso que haja coragem para rever as leis de ordenamento do território

19-06-2006 (15h29)

“Enquanto não houver coragem de mexer na Rede Natura, na Reserva Ecológica e na Reserva Agrícola” muitos projectos turísticos de qualidade, nomeadamente no interior algarvio, vão permanecer parados, e a pressão vai continuar a exercer-se sobre o litoral, advertiu o presidente da Região de Turismo do Algarve, Hélder Martins, que em declarações ao PressTUR afirmou estar indignado com o chumbo do empreendimento turístico de Corte Velho, no concelho de Castro Marim, pelo secretário de Estado do Ambiente.

RTA defende nova legislação para enquadrar camas paralelas

19-06-2006 (15h28)

A Região de Turismo do Algarve defende que a nova lei dos empreendimentos turísticos deveria prever a figura do alojamento particular que permita enquadrar essa oferta, porque a actual legislação, de 1997, não permite a sua legalização e enquadramento.

Projectos Algarvios candidatos ao QCA

19-06-2006 (15h21)

O Centro Oceanográfico de Sagres, a requalificação das ilhas da Ria Formosa e o Pavilhão Multiusos do Algarve são os “três projectos públicos emblemáticos na área do turismo”, eventualmente candidatáveis a financiamento do próximo Quadro Comunitário de Apoio, anunciou ao PressTUR o presidente da RTA, Hélder Martins.

Revisão do PROTAL deve acautelar projectos que aguardam aprovação

19-06-2006 (15h18)

A revisão do PROTAL - Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve deve acautelar os projectos que aguardam aprovação, defende o presidente da RTA, que, além disso, preconiza a adopção de “restrições no litoral, de acordo com o que já está aprovado no Plano de Ordenamento da Orla Costeira, e no aumento do perímetro urbano”.

Noticias mais lidas