Macau quer mais turistas de mercados de emissores de longo curso, como Portugal — Alexis TAM ao Congresso da APAVT

23-11-2017 (12h30)

Foto de Nuno Carvalho, Click and Play, distribuída pela APAVT
Foto de Nuno Carvalho, Click and Play, distribuída pela APAVT

A cidade de Macau onde está a decorrer pela 5ª vez um Congresso da APAVT é um destino em acelerado desenvolvimento no sentido de se assumir como "centro mundial de turismo e lazer", bem como "plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa".

Esta uma das mensagens transmitidas hoje aos congressistas pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, Alexis Tam, que realçou também o papel que “o Congresso Nacional da APAVT tem ajudado a erguer, ao longo das últimas cerca de três décadas, uma importante ponte de ligação entre Macau e Portugal ao nível do turismo” e “têm permitido proporcionar uma actualização regular sobre Macau aos operadores turísticos portugueses e renovar as nossas relações de amizade”.

O trabalho que as autoridades macaenses estão a desenvolver no sentido das diversificação da oferta turística foi outra das mensagens enfatizadas por Alexis Tam que igualmente realçou a aposta na diversificação dos mercados emissores, com realce para os de longa distância, como Portugal, “para estadias mais longas e uma maior imersão no destino”

Alexis Tam referiu-se também ao recente início dos voos da Beijing Capital entre Lisboa e Pequim, que enquadrou na iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota” e no “Planeamento do Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau”, que caracterizou como “projectos de desenvolvimento nacional que vão continuar a trazer mais oportunidades e a abrir novos horizontes para Macau e os nossos parceiros”.

“A inauguração para breve da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, será mais uma peça fundamental para dinamizar o turismo na região, sobretudo num âmbito de multi-destinos, que há também que aproveitar”, acrescentou.


O PressTUR publica de seguida, na íntegra, a intervenção de Alexis Tam na abertura do 43º Congresso Nacional da APAVT:

Minhas senhoras e meus senhores,

A todos muito bom dia.

É com grande alegria que participo hoje nesta cerimónia de abertura para, em nome do Governo da Região Administrativa Especial de Macau, dar as nossas calorosas boas-vindas a todos os convidados e congressistas que se deslocaram a Macau para o 43º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo.

Enquanto destino anfitrião do evento deste ano é extremamente gratificante verificar a mobilização que o Congresso Nacional da APAVT em Macau gerou.

Antes de mais, por ter superado as expectativas em termos de adesão, com o evento a atrair cerca de 650 inscrições - número que nos registos da APAVT bate recordes ao nível da história recente dos congressos da associação, atraindo a Macau tantos profissionais dos mais diversos sectores da actividade turística de Portugal

Mas também pelo grande nível de oradores que o congresso traz a Macau, cuja lista inclui o antigo Presidente da Assembleia da República e antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Doutor Jaime Gama, e o antigo Ministro da Economia, Doutor Augusto Mateus, que muito nos honram com a sua nobre presença. A par com académicos, consultores, empresários, e demais individualidades que conduzirão as várias sessões de trabalho deste grande fórum do turismo português, este ano centrado nas relações com o oriente.

O Congresso Nacional da APAVT tem ajudado a erguer, ao longo das últimas cerca de três décadas, uma importante ponte de ligação entre Macau e Portugal ao nível do turismo. Desde o primeiro congresso realizado em Macau, em 1982, esta é a quinta vez que o nosso destino acolhe a reunião magna do turismo português, e a segunda desde o estabelecimento da Região Administrativa Especial de Macau. Estes congressos têm permitido proporcionar uma actualização regular sobre Macau aos operadores turísticos portugueses e renovar as nossas relações de amizade.

Neste congresso fomos ainda mais longe, com Macau e a APAVT a fazerem pleno uso do papel da nossa cidade como plataforma de relações entre a China e os países de língua portuguesa. Já esta tarde, muito nos orgulha poder facilitar um dos pontos altos do congresso, mediante a realização de um workshop que juntará operadores de várias grandes cidades do Interior da China com profissionais de turismo portugueses. É uma oportunidade significativa para os dois lados explorarem possibilidades de negócios e tirarem partido da aproximação que Macau proporciona entre operadores chineses e portugueses.

O encontro desta tarde atraiu operadores turísticos de cerca de meia centena de agências de viagens do Interior da China interessadas em dinamizar o mercado outbound e inbound de Portugal-Europa-China, os quais eu gostaria também aqui de saudar por se terem deslocado a Macau para o encontro de negócios de hoje com parceiros portugueses. Sei também que a edição deste ano do Congresso da APAVT é das mais participadas em termos de agências de viagens portuguesas, pelo que estão reunidas as condições para um frutuoso encontro.

Minhas senhoras e meus senhores,

O acolhimento do Congresso da APAVT em Macau insere-se plenamente no duplo desígnio do Governo Central para o desenvolvimento da nossa Região Administrativa Especial: de por um lado, transformar Macau num centro mundial de turismo e lazer e, por outro, de funcionar como uma plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa.

Ao nível da dinamização da aproximação entre a China e os países de língua portuguesa, as iniciativas têm decorrido sobretudo no âmbito do mecanismo de relacionamento multilateral criado em 2003 com o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, cujo Secretariado Permanente é em Macau, e conta com delegados dos diferentes países lusófonos, incluindo Portugal.

Devido às nossas relações históricas, além do Fórum de Macau, o relacionamento bilateral com Portugal é naturalmente privilegiado e mais próximo, com trocas de visitas regulares e cooperação nas mais diversas áreas. Ainda em Setembro passado tive oportunidade de visitar Portugal para encontros com as autoridades portuguesas e aprofundamento das relações nas áreas da saúde, educação e cultura.

Exemplo do resultado das nossas boas relações foi o sucesso da candidatura conjunta do Arquivo de Macau e do Arquivo Nacional da Torre do Tombo de Portugal, da colecção denominada “Chapas Sínicas” (Registos Oficiais de Macau durante a Dinastia Qing), inscritas há poucas semanas no Registo da Memória do Mundo da UNESCO.

Ao nível da outra grande orientação de desenvolvimento para Macau – a transformação da cidade num centro mundial de turismo e lazer, tal envolve objectivos mais abrangentes, que têm a ver com a melhoria do bem-estar da população, da diversificação da economia da cidade e da prossecução de um desenvolvimento sustentável. O turismo ocupa, naturalmente, um papel central neste processo, dada a preponderância da indústria na economia local e na vida quotidiana da população.

Nos últimos anos, a principal palavra de ordem para o trabalho desenvolvido quer pelo Governo, quer pelo sector privado, tem sido no sentido de diversificar a indústria turística, tirando partido da recente grande expansão da oferta turística.

A liberalização do jogo, em vigor desde 2002, gerou um grande dinamismo ao nível da indústria do turismo em Macau, com novos complexos turísticos de grande envergadura a abrirem uns a seguir aos outros, que têm permitido à cidade desenvolver e solidificar outras vertentes do turismo. Estas novas infra-estruturas posicionaram Macau no mapa ao nível dos destinos emergentes para acolhimento de grandes feiras e congressos internacionais. Estes empreendimentos têm ajudado também a afirmar a cidade como um destino de compras, de gastronomia e entretenimento de famílias.

Outro aspecto fundamental da diversificação da oferta turística tem sido a aposta na organização de eventos emblemáticos, a par com o estabelecimento de sinergias entre turismo, cultura e desporto, bem como na criação de novos espaços de lazer e do forte encorajamento ao desenvolvimento das indústrias culturais e criativas.

Ao mesmo tempo, o legado histórico único de Macau, cujo Centro Histórico de Macau foi inscrito na lista do património mundial da UNESCO, em 2005, continua a ser alvo de revitalização, constituindo não só grande fonte de orgulho da nossa população, como também uma grande atracção turística da cidade. Macau tem desenvolvido um cuidadoso trabalho de protecção e reaproveitamento de edifícios históricos. Este legado histórico e cultural único que liga a cidade a Portugal ganhou, aliás, novo ímpeto com a recente designação de Macau como Cidade Criativa da UNESCO em Gastronomia, que irá permitir a Macau continuar a aprofundar e explorar uma outra faceta fundamental do nosso destino.

Estes desenvolvimentos para introduzir maior variedade no cenário turístico de Macau reflectem-se em mais atracções e experiências para os nossos visitantes, e em acrescidas oportunidades para os operadores promoverem o destino. Isto porque outro dos grandes objectivos de Macau é continuar a mover esforços para diversificar as fontes de visitantes, captando mais mercados de longo curso, como Portugal, para estadias mais longas e uma maior imersão no destino.

Há ainda muitos outros projectos em planeamento para Macau que vão continuar a mudar o destino em várias frentes. Para congregar os desenvolvimentos recentes e orientar o rumo da indústria para os próximos quinze anos, divulgámos recentemente um Plano Geral do Desenvolvimento da Indústria do Turismo de Macau, com vários objectivos chave, estratégias e planos de acção concretos para o curto, médio e longo prazo.

Ilustres oradores e congressistas, meus amigos,

No ano passado tive o privilégio de assinar, em Macau, com o Senhor Ministro da Economia de Portugal, Doutor Manuel Caldeira Cabral, um Protocolo de Cooperação no Domínio do Turismo, durante a quinta edição da Conferência Ministerial do Fórum de Macau. O protocolo reconhece a relevância do turismo para o desenvolvimento de ambas as economias, encoraja o reforço das relações bilaterais através do turismo e estimula a cooperação em vários níveis na área do turismo.

Contamos pois com o entusiasmo e a determinação dos operadores turísticos para apostarem em estratégias que gerem maiores fluxos turísticos. O Congresso Nacional da APAVT em Macau é uma oportunidade, por excelência, para continuarmos a aprofundar as nossas boas relações e a dinamizar a oferta de pacotes e roteiros turísticos.

Mediante a inauguração dos voos directos entre Pequim e Lisboa, com uma ligação a Macau, foi dado um passo histórico que há que aproveitar. Macau está ainda integrada na iniciativa de “Uma Faixa, Uma Rota” e no Planeamento do Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau, ambos projectos de desenvolvimento nacional que vão continuar a trazer mais oportunidades e a abrir novos horizontes para Macau e os nossos parceiros. A inauguração para breve da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, será mais uma peça fundamental para dinamizar o turismo na região, sobretudo num âmbito de multi-destinos, que há também que aproveitar.

Os profissionais de turismo portugueses têm em Macau uma boa base para explorarem todas estas oportunidades e estou plenamente confiante de que, tal como nas edições anteriores, a nossa cidade providenciará um local privilegiado para poderem vislumbrar o que esta dinâmica zona do mundo tem para oferecer e debaterem sobre “Turismo: A Oriente, tudo de novo!”

Votos de sucesso para o Congresso Nacional da APAVT e tenham uma boa estadia em Macau.

Muito obrigado.

 

O PressTUR está em Macau a convite da APAVT

 

Ver também:

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