Subir demasiado o preço pode significar perder mercado britânico para outros destinos - directora do Conrad Algarve

22-06-2018 (17h05)

“Se aumentarmos demasiado os preços, poderemos perder o negócio para outros destinos na Europa”, disse em entrevista ao PressTUR a directora do Conrad Algarve, Katharina Schlaipfer, ao avaliar a procura do mercado britânico e os preços da hotelaria portuguesa.

“Precisamos de ser muito cuidadosos e observar o que está a acontecer com o Brexit”, avisa Katharina Schlaipfer, que realça também que não existe quebra da procura do mercado britânico pelo hotel Conrad Algarve, na Quinta do Lago.

A quebra do mercado britânico que está a acontecer no Algarve verifica-se nos hotéis de gama média, defende a directora do hotel.

O mercado de luxo, por sua vez, mantém-se em alta. Prova disso é que a roof garden suite do Conrad Algarve, que tem uma piscina interior privativa, “está quase sempre esgotada” no Verão.

 

PressTUR: Como estão as reservas este ano?

Katharina Schlaipfer: Estamos com um crescimento fantástico no segmento de MICE. E as perspectivas para o mercado de individuais para o Verão são muito boas. Já estamos muito melhores que no ano passado em termos de grupos. Temos uma base muito boa ao longo de todo o ano.

 

PressTUR: O que é que o justifica?

Katharina Schlaipfer: Portugal no ano passado teve um grande boom. Agora é um país que está muito na moda. Lisboa e Porto estão ficar cada vez mais movimentados. E é por isso que os hóspedes também optam por ir para o Algarve. Nós somos muito competitivos face a outras cidades europeias em termos de época baixa e dos shoulder months.

 

PressTUR: O problema pode estar na oferta de voos...

Katharina Schlaipfer: Claro que esse é sempre o primeiro desafio quando vamos lá fora procurar atrair negócio. Estamos, de alguma forma, a enfrentar um desafio por causa das insolvências da Monarch, Air Berlin e Niki. Agora precisamos de observar cuidadosamente quem irá ficar com os voos, especialmente os da Monarch, que tinha voos diários para Faro na época baixa. Mas sei que as autoridades e o aeroporto estão a trabalhar para repor os slots.

 

PressTUR: RevPAR e preço médio estão a aumentar em Portugal, mas considera que já estão ao nível da qualidade dos hotéis?

Katharina Schlaipfer: Há sempre a possibilidade de aumentar mais. Aqui temos uma vantagem. Temos mais de 20 suites e uma forma de aumentar o preço médio é vender todas suites a uma boa tarifa. Temos a nossa suite de assinatura – a roof garden suite, com uma piscina interior – que está a ser cada vez mais procurada. No Verão está quase sempre esgotada. Desta forma conseguimos realmente aumentar os preços médios. Mas há uma coisa que é clara, que nós precisamos de ser muito cuidadosos e observar o que está a acontecer com o Brexit. O Algarve é um destino onde o mercado britânico é o emissor mais forte. Temos que ser muito cuidadosos com as tarifas que temos para vender ao preço certo, porque já no ano passado os hóspedes disseram que gastaram mais 20% nas suas férias devido à taxa de câmbio da moeda [libra]. É claro que querem vir e ver o Sol, as praias, e é talvez por isso que no ano passado nós não vimos qualquer impacto, pelo menos no nosso hotel. Mas se não observámos um decréscimo da procura do mercado britânico, percebemos que temos que começar a ter cuidado. Se aumentarmos demasiado os preços, poderemos perder o negócio para outros destinos na Europa, incluindo mesmo Espanha.

 

PressTUR: Nota alguma retracção do mercado britânico este ano?

Katharina Schlaipfer: Aqui não notamos nenhuma mudança. O que notamos é que estamos a ter um crescimento significativo da Alemanha e de França. Mas a base era baixa. Não são os números do mercado britânico. E também por isso o crescimento é significativo [dos mercados alemão e francês]. Olhando para os números globais do Algarve há um decréscimo significativo do número de viajantes britânicos, mas nós não assistimos a qualquer decréscimo do Reino Unido.

 

PressTUR: Porquê?

Katharina Schlaipfer: Acho que está relacionado com o mercado médio. O Algarve tem muitos hotéis de gama média, no segmento de 4 e 3-estrelas. Nós estamos no mercado de luxo e, de momento, não vemos qualquer decréscimo.

 

PressTUR: O mercado brasileiro tem algum peso para o Conrad Algarve?

Katharina Schlaipfer: É um mercado em crescimento. Vamos definitivamente investir um pouco mais do nosso esforço no Brasil. É um mercado que já é importante para o Algarve e nós consideramos que podemos aumentar a nossa quota no mercado brasileiro.

 

Continua:

“Hilton gostaria de expandir a sua presença em Portugal” - afirma directora do Conrad Algarve

2017 foi um ano fantástico para o Conrad Algarve, que esteve praticamente esgotado de Abril a Outubro – directora 

 

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