“Se temos qualidade, podemos ter melhor preço”, defende presidente da AHP

11-11-2017 (12h00)

Em dois/três anos, a hotelaria portuguesa viveu uma ‘reviravolta' em preços, que deixaram de ser o seu ‘calcanhar de Aquiles'. Mas o presidente da AHP, Raul Martins, considera que "ainda temos espaço para crescer [porque] hoje o destino Portugal é qualificado, tem valor".

O dirigente associativo diz em entrevista ao PressTUR que considera que "a partir de 2012 os hotéis começaram a ganhar dinheiro" e que desde o ano passado "o seu endividamento também tem vindo a baixar", mas que "se temos qualidade, podemos ter melhor preço".

"Alguém me perguntava aqui: ganhámos o prémio de melhor destino da Europa e agora?", conta o presidente da AHP para responder que o caminho é "melhorar porque senão o segundo passa-nos para a frente, se ficarmos tal qual estamos", apontando designadamente a necessidade de formação.

 

PressTUR: Há dois/três anos estaríamos a falar sobre o preço da hotelaria ser um problema, por estar muito baixo...

Raul Martins: Agora, com a ocupação, a situação melhorou.

 

PressTUR: Melhorou o suficiente para o sector passar a ganhar dinheiro?

Raul Martins: Sim.

 

PressTUR: E já dá para pagar o endividamento?

Raul Martins: Já. Nós, os hotéis, o sector em Portugal, em 2016 ultrapassamos 2008 em tudo. Nós [AHP] pelo nosso Hotel Monitor temos os números e em 2016 ultrapassámos tudo, taxa de ocupação, RevPAR, preço médio.

 

PressTUR: E a rentabilidade?

Raul Martins: Considero que 2012 foi o ano de viragem. A partir de 2012 os hotéis começaram a ganhar dinheiro. Simplesmente tiveram que pagar o que gastaram de 2008 a 2012. Os hotéis endividaram-se para pagar a fornecedores e para pagar ao pessoal. Esse endividamento começou a ser recuperado. Desde 2016 que o endividamento tem vindo a baixar.

 

PressTUR: Outra questão associada a essa era do próprio nível de preço, que se dizia ser injusto para a qualidade da hotelaria portuguesa, que estava a um preço muito baixo quando se comparava com os padrões internacionais. E hoje?

Raul Martins: Ainda está. Ainda temos espaço para crescer. Hoje o destino Portugal é qualificado, tem valor. As pessoas que antigamente encontrávamos noutros países diziam-nos: hei-de ir lá a Portugal, já me falaram. De uma forma mais ou menos distante. Hoje em dia as pessoas sabem. Por exemplo: o rent-a-car subiu imenso a sua utilização e a sua rentabilidade. Vêem-se ‘n' carros turísticos. Se não tivéssemos auto-estradas capazes não tínhamos tantos carros aí pela estrada fora. E não é só na cidade de Lisboa. Portanto, nós hoje temos das melhores estradas da Europa. Falo das principais. Algumas secundárias são o que são. Mas em auto-estradas temos das melhores da Europa. É facto que a Itália começou muito antes. Lembro-me de passar em Itália e ir por viadutos que proporcionavam uma imagem linda, fantástica, parecia que íamos de avião, eram tão altos e passavam em zonas tão montanhosas, tínhamos perspectivas inacreditáveis. Portugal equipou-se de uma forma notável. Investiu dinheiro. Os particulares e o Estado também nos outros aspectos. Isso permite termos qualidade. Se temos qualidade, podemos ter melhor preço.

 

PressTUR: Não está ainda satisfeito?

Raul Martins: Não. Alguém me perguntava aqui: ganhámos o prémio de melhor destino da Europa e agora? E agora temos que melhorar porque senão o segundo passa-nos para a frente, se ficarmos tal qual estamos. Temos que melhorar. Temos que melhorar em formação. Os empregados dos hotéis são uma preocupação. E lá está, é um tema do congresso. E a formação não é só ao nível dos empregados, mas também na gestão. Há muitos hotéis pequenos em Portugal que não têm gestão qualificada, que não querem gastar dinheiro num gestor. Mas nós temos hoje um protocolo com a Universidade Europeia que permite a donos dos hotéis frequentar umo curso que lhes dá instrumentos de gestão. Há também hotéis hoje em dia que não têm site. Tudo isso são ferramentas que nós queremos trazer à hotelaria para melhorarmos a gestão. Os serviços da Associação, que são muito vastos - vão da parte jurídica até à aprovação de projectos e à parte financeira - são no fundo uma forma de completar a falta de gestão que às vezes há em hotéis pela sua dimensão. São hotéis pequenos, familiares, criados por alguém que não tem formação de gestão. Senão podem ter um gestor, podem ter na Associação apoios diversos. Temos tido muita aceitação e por isso temos crescido em número de sócios.

 

Continua:

"Nós não estamos contra a Booking. Só estamos contra a cláusula de paridade" - presidente da AHP

"Tem que haver um controlo sobre o alojamento", defende Raul Martins

Entre hotéis e alojamento local "a concorrência não existe", defende presidente da AHP

AHP faz avaliação positiva deste Governo, afirma presidente da Associação 

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Ver também:

Calendário da solução aeroportuária para Lisboa "não está a ser respeitado", alerta Raul Martins, presidente da AHP

"ATL terá que desenvolver soluções que façam prolongar a estadia", defende Raul Martins

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