Maiores emissores penalizam evolução da hotelaria portuguesa em 2017

14-02-2018 (15h11)

O ano de 2017 não foi apenas de recordes e crescimentos ‘explosivos’. Pelo contrário. O conjunto dos cinco maiores emissores, responsáveis por 60,8% das dormidas de estrangeiro, teve um ‘modestíssimo’ aumento das pernoitas de apenas 2,5% e excluindo a Alemanha (+7,7%), o aumento médio cai para 1,1%.

Os primeiros indícios desta evolução vinham ‘mascarados’ por um possível efeito do Brexit, que penalizaria a progressão do mercado britânico, mas hoje com os dados completos do ano torna-se claro que não houve ‘um problema’ com o mercado britânico, mas sim um padrão comum aos maiores emissores, à excepção da Alemanha.

O aumento médio dos outros quatro, em apenas 1,1%, reflecte crescimentos de apenas 1,1% do Reino Unido, 2,7% de Espanha e 0,3% de França, agravados por uma queda em 0,6% dos Países Baixos.

Desta forma, esses quatro mercados que em 2016 tinham sido a origem de mais de metades das dormidas na hotelaria portuguesa, em 2017 tiveram a sua quota reduzida para 47,3%, deixando em aberto a questão sobre se reflectirá a recuperação de destinos do Mediterrâneo, como a Turquia, a Tunísia e o Egipto.

Os dados do INE nada revelam a esse respeito, embora mostrem, claramente, que esses quatro dos maiores emissores, representando 47,3% do total de dormidas de residentes no estrangeiro, tiveram um aumento que apenas equivale a 6,3% do aumento total desses mercados.

O crescimento em 2017 fez-se, assim, pela evolução dos restantes mercados que fazem parte do Top13 publicado pelo INE, com realce para Brasil, Alemanha e Estados Unidos, mas principalmente pelos ‘outros’ ou ‘emergentes’, relativamente aos quais o INE não publica dados, que no ano passado foram responsáveis por 35,4% do aumento de dormidas de turistas estrangeiros.

As dormidas desse conjunto de ‘emergentes’ aumentaram no ano passado em 21,6% ou 1,17 milhões, atingindo um total de 6,6 milhões, que representa 15,9% do total de pernoitas de estrangeiros, +1,7 pontos que em 2016.

Ainda assim, o Reino Unido manteve-se o maior emissor por grande margem, com 22,3% das dormidas de residentes no estrangeiro, num total de 9,28 milhões, seguindo-se Alemanha, com 13,6% (5,64 milhões), Espanha, com 9,7% (quatro milhões), França, com 9,5% (3,95 milhões), Países Baixos, com 5,7% (2,38 milhões), Brasil, com  4,8% (2,01 milhões), Estados Unidos, com 3,8% (1,56 milhões), Irlanda, com 1,51 milhões (3,6%), Itália, com 3,2% (1,32 milhões), Polónia, com 2,3% (959 mil), Bélgica, com 2,1% (881,3 mil, Suíça, com 1,9% (770,8 mil), e Suécia, com 1,6% (671,5 mil).

 

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Hotelaria portuguesa 2017: mais 1,68 milhões de hóspedes, mais 3,94 milhões de dormidas, mais 483,9 milhões de euros

 

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