Hoteleiros defendem criação de experiências para aumentar a estada média

27-11-2019 (15h38)

A quebra da estada média na hotelaria portuguesa é uma tendência que a Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) e o Governo garantiram querer combater. Para conhecer a visão dos profissionais, o PressTUR foi ouvir os grupos Vila Galé, Pestana, SANA, Hoti Hotéis e PortoBay.

A explicação para o decréscimo do tempo médio de permanência nos hotéis está no “crescimento maior nas cidades”, onde “a estada média é menor que nos resorts”, começou por assinalar ao PressTUR o presidente do grupo Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, durante o 31º Congresso da Hotelaria e Turismo, organizado pela AHP na semana passada em Viana do Castelo.

Apesar disso, “mesmo nos resorts ela está a diminuir, há menos dinheiro, as pessoas têm menos dinheiro, viajam à mesma, mas viajam por menos dias”, acrescentou Jorge Rebelo de Almeida.

Para inverter a tendência, as soluções passam por “criar pacotes mais atractivos para a semana inteira” e desenvolver conteúdos “sobretudo com a cultura”. As pessoas ficam mais tempo “desde que haja mais coisas para fazer nas regiões”, concluiu.

Para José Roquette, administrador do Pestana Hotel Group, “haver mais turistas com estadias médias menores, isso mostra uma tendência. Mais do que classificar se é uma boa ou uma má notícia, isso mostra uma tendência do mercado”.

“Se calhar é cada vez mais um mercado de short breaks, o que faz com que a estada média, tirando o Verão, que são as férias de família em que as pessoas ficam uma ou duas semanas, se calhar o short break é mesmo uma tendência que veio para ficar e que veio influenciar de forma estrutural a estada média do turista em Portugal. Não vejo isso como um problema”, sublinhou o administrador do grupo Pestana.

Questionado sobre o interesse dos hotéis em ter uma estada média maior, José Roquette contrapõe que aquilo em que os hotéis estão interessados é “em ter um RevPAR melhor” e isso “tem que ver com o preço e com a ocupação”.

“Se a ocupação se faz de estadas médias mais curtas e mais turistas ou estadas médias mais longas e menos turistas, não sei. E isso deve variar por região, ao longo do ano e em função do tipo de hotel”, acrescentou o executivo, sublinhando que, mais do que o tempo médio de permanência, valoriza a qualificação e a diferenciação para fazer “crescer o preço médio”.

“A procura está aí e vai ser crescente no mundo. Nós só queremos ficar com a melhor fatia desse bolo do turismo que vai crescer inevitavelmente”, sublinhou José Roquette, para acrescentar que considera necessário investir nos recursos humanos: “já se investiu no corpo; é preciso reforçar a alma, e com isso vai-se conseguir um preço médio mais alto” para “chegar a um RevPAR mais alto. Se isso é feito à custa de estada maior ou menor não me preocupa tanto”.

Carlos Silva Neves, administrador da SANA Hotels, afirma que a quebra da estada média “preocupa a todos, é transversal”, mas considera que “não podemos entrar em euforias de pontualidades de mercado. É errado nós andarmos ao sabor dos mercados”.

O que é necessário, na sua opinião, é “ter um plano de empresa a médio e longo prazo, independentemente do número de turistas que possam existir. Umas vezes aumentam, outras vezes diminuem”.

“Se nós andamos na moda, todos os anos temos que mudar de fato”, prosseguiu Carlos Silva Neves, argumentando que a solução está em inovar: “não podemos estar à espera que venham mais turistas. Temos que os captar, temos que ser dinâmicos. Temos que criar novos produtos e novos conceitos”.

“Tem que haver uma política séria de conteúdos. Se Elvas ou outra cidade qualquer fizer um evento, um bom teatro, um bom espectáculo, nasce daí. Contar só o turismo com hotéis é errado. Posso ter um hotel excepcional, como por exemplo o Myriad, onde as pessoas querem ir, experimentar para ver como é, mas a cidade tem que ter conteúdos, tem que ter algo que chame as pessoas. Se vierem só para ver o Santuário de Santa Luzia ou o Mosteiro do Jerónimos só vêm uma vez, não vêm mais”, concluiu o administrador da SANA Hotels.

Para Manuel Proença, administrador da Hoti Hotéis, a diminuição do tempo médio de permanência está relacionada “com a evolução da demografia”.

“A hotelaria urbana cresce mais que a do lazer. Ou seja, há uma transferência do lazer para o urbano. E isto tem que ver com o envelhecimento populacional. Pessoas com mais idade não são os maiores frequentadores de praia e de zonas desse tipo de turismo, do sol e praia”, argumentou Manuel Proença.

“A redução da estada média também resulta disso, de estar a haver mais mercado de cidade e menos mercado no lazer. É o caso da Madeira e do Algarve onde já há redução. Porquê? Não é porque as nossas condições sejam diferentes, é a demografia a funcionar”, prosseguiu o executivo, realçando que “50% da população europeia tem mais de 50 anos”.

Para aumentar a estada média nas cidades, Manuel Proença defende que devem ser criados “conteúdos para as pessoas permanecerem mais tempo”.

Já António Trindade, presidente do grupo PortoBay, preconiza que aquilo que é necessário “vender cada vez mais são experiências”, mas para isso é preciso saber como compor essas experiências. “Tenho que ir à procura de quais são os stakeholders deste conceito de experiências para dizer à autarquia, à região, à acessibilidade, aos agentes privados, para comporem algo que possa dizer: vou aumentar a estada, tenho sustentabilidade nesse aumento”.

“Ao nível do tráfego intercontinental até há muito pouco tempo vinha-se a Portugal de passagem para a Europa”, continuou António Trindade, para sublinhar que considera necessário apostar em “reduzir o espaço territorial para encher experiências”. Nesse sentido, o presidente do grupo PortoBay defende “que a afirmação ibérica é algo particularmente importante para a oferta estar de acordo com as novas solicitações do mercado”.

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