Hotelaria portuguesa perde 225,7 mil dormidas de estrangeiros em Junho e acaba semestre com menos 132,3 mil

13-08-2018 (16h00)

Gráfico: INE
Gráfico: INE

A hotelaria portuguesa, que estava a viver um ciclo de crescimentos acentuados sustentado pela procura internacional, acabou o primeiro semestre deste ano com queda do número de pernoitas de turistas estrangeiros, em grande medida pela dimensão da quebra em Junho, primeiro mês da época alta, no qual teve menos 225,7 mil (-5,1%) pernoitas de residentes no estrangeiro.

Os dados publicados hoje pelo INE mostram que os estabelecimentos de alojamento turístico portugueses tiveram em Junho menos dormidas que há um ano de 11 dos 13 principais emissores europeus, cujas excepções foram as pernoitas de residentes em Portugal e em Espanha, que subiram, respectivamente 3,4% (mais 52,6 mil, para 1,615 milhões) e 1,5% (mais 4,6 mil, para 314,4 mil).

Essas subidas, porém, apenas atenuaram a dimensão da quebras, que foi potenciada nomeadamente pelas quebras dos dois maiores emissores estrangeiros para a hotelaria portuguesa, o Reino Unido, com menos 110,2 mil (-9,8%, para 1,016 milhões), e a Alemanha, com menos 63,5 mi (-10,5%, para 538,8 mil).

Quedas expressivas verificaram-se ainda nas dormidas de residentes nos Países Baixos, com menos 34,6 mil (-13,7%, para 218,1 mil), na Polónia, com menos 20,8 mil (-17,2%, para 100,4 mil), em Itália, com menos 11,9 mil (-9,8%, para 109,6 mil), e em França, com menos 10,8 mil (-2,6%, para 412,3 mil).

A estas quedas, de acordo com os dados do INE, somaram-se decréscimos de dormidas também de turistas residentes na Irlanda (-3,3% ou menos oito mil, para 233,2 mil), Bélgica (-4,7% ou menos 4,5 mil, para 91,8 mil), Suíça (-1% ou menos 734, para 73,3 mil), Suécia (-10,5% ou menos 4,5 mil, para 38,8 mil) e Dinamarca (-11,6% ou menos 4,3 mil, para 32,9 mil), bem como do conjunto “outros” emissores não especificados (-1,1% ou menos 5,7 mil, para 520,7 mil).

Assim, dos 15 principais emissores para Portugal com dados publicados pelo INE, em Junho, além das dormidas de residentes em Portugal e Espanha, apenas aumentaram as pernoitas de turistas residentes no Brasil, nos Estados Unidos e no Canadá, que tiveram um crescimento médio em 11,7%, significando um aumento de 49,5 mil.

O maior aumento absoluto foi de dormidas de residentes nos Estados Unidos, que foram mais 28,2 mil que há um ano (+15,9%, para 205,5 mil), seguindo-se as pernoitas de residentes no Brasil, que foram mais 13,3 mil (+6,9%, para 206,6 mil), enquanto as pernoitas de residentes no Canadá foram mais 7,9 mil (+14,9%, para 60,8 mil).

O contributo destes três emissores não evitou, porém, que o balanço da procura internacional da hotelaria portuguesa tenha resvalado ‘para o vermelho’ no primeiro semestre, com uma queda média em 0,7%, significando um decréscimo de 132,3 mil pernoitas para 18,57 milhões.

O total de dormidas na hotelaria portuguesa no semestre, incluindo o mercado dos residentes em Portugal, no entanto, ainda apresentou crescimento no semestre, ainda que ‘magro’, em 0,5% (mais 123,7 mil, para 25,398 milhões), graças ao aumento de 256 mil pernoitas de residentes em Portugal (+3,9%, para 6,827 milhões).

A quebra das dormidas de turistas residentes no estrangeiro deveu-se, na maior medida, ao mercado britânico, que regista quebras há nove meses consecutivos, tendo terminado o primeiro semestre com menos 342,4 mil dormidas (-8%, para 3,93 milhões) que há um ano.

A segunda maior quebra do período foi das dormidas de residentes nos Países Baixos, que foram menos 128,5 mil (11,1%, para 1,02 milhões), na Alemanha, com menos 70,6 mil (-2,6%, para 2,64 milhões), Polónia, com menos 32,2 mil (-8,6%, para 341,1 mil), Suíça, com menos 4,4 mil (-1,3%, para 332,7 mil), e Dinamarca, com menos 4,8 mil (-1,8%, para 270,2 mil).


Para ler mais clique:

Turistas brasileiros ultrapassam pela primeira vez o milhão de dormidas na hotelaria portuguesa num 1º semestre

 

Verão começa ‘muito nublado’ para a hotelaria portuguesa, com quebras da maioria dos principais emissores

 

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