“ATL terá que desenvolver soluções que façam prolongar a estadia”, defende Raul Martins

11-11-2017 (12h06)

"Tem que haver uma acção de promoção da região de Lisboa para prolongarmos a estadia média", defende Raul Martins, para quem o aumento da estada média é "uma forma de compensar a situação do aeroporto estar constrangido".

O presidente da AHP argumenta, aliás que para os chamados millennials e outros o Sol e praia “é uma coisa secundária”. “O que querem é experimentar coisas novas, experienciar. E, portanto, querem conhecer o país, mais do que qualquer outra coisa”.

A sua perspectiva é que, porém, a questão tem que ser vista ao nível da região e não apenas da cidade, argumentando que o “turismo baseado nas regiões, para nós é importante porque com isso prolongamos a estadia no país, mas também fazemos as regiões crescerem”.

 

PressTUR: Temos um problema de acessos. Mas não temos também um problema de imagem?

Raul Martins: Não.

 

PressTUR: A imagem do país nestes anos consolidou-se como um destino turístico?

Raul Martins: Sim. Lisboa hoje está nas bocas o mundo, ou, como se diz, está na moda. Acho que Lisboa tem é que puxar por ter uma estadia mais prolongada. Temos uma estadia média de 2,6 ou 2,7 noites, que tem vindo a subir alguma coisa. É também uma forma de compensar a situação do aeroporto estar constrangido. Se tivermos estadias mais longas acabamos por melhorar a ocupação. A ATL [Associação Turismo de Lisboa] terá que desenvolver soluções que façam prolongar a estadia.

 

PressTUR: Como é que se prolonga a estadia?

Raul Martins: Lisboa tem hoje na região e no resto do país ofertas interessantes. Hoje o turismo felizmente não se faz só de Sol e praia. Essa fase já passou. Os tais millennials e outros não querem Sol e praia. Para eles é uma coisa secundária. O que querem é experimentar coisas novas, experienciar. E, portanto, querem conhecer o país, mais do que qualquer outra coisa. Com a oferta que temos no resto do país, isso permite-nos prolongar a estadia em Lisboa e não andarmos sempre a anunciar o short break e a trazer as pessoas cá em short breaks. Tem que haver uma acção de promoção da região de Lisboa para prolongarmos a estadia média.

 

PressTUR: Portanto, não só Lisboa cidade...

Raul Martins: Região. Essa é uma das soluções que nós consideramos que é necessária. No nosso congresso temos também um tema que é a Europa das Regiões, porque consideramos que o turismo é um factor de coesão da Europa. Este intercâmbio das regiões e este turismo baseado nas regiões, para nós é importante porque com isso prolongamos a estadia no país, mas também fazemos as regiões crescerem. Os Açores, o Norte e o Centro têm tido crescimentos importantes. E não é por acaso. Os Açores foram também as low cost, mas se não houvesse coisas interessantes para experienciar as pessoas não iriam.

 

Continua:

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Ver também:

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