Ano turístico de 2019 penalizado pela estada média mais baixa desde pelo menos 2013

18-02-2020 (14h51)

Portugal atingiu em 2019 o recorde de 16,3 milhões de turistas residentes no estrangeiro, com mais quase 1,1 milhões que no ano de 2018 (+7,1%), mas nem todo esse crescimento se traduziu em dormidas, porque uma vez mais o seu tempo médio de permanência reduziu-se, ficando abaixo das três noites pela primeira vez desde pelo menos 2013.

Os dados publicados pelo INE e que ao Ministério da Economia suscitaram apenas loas, como por exemplo “Portugal recebeu 27 milhões de hóspedes em 2019”, quando na realidade 10,6 milhões já cá estavam pois trata-se de residentes em Portugal, evidenciam várias mudanças, designadamente que pelo segundo ano consecutivo o turismo interno foi o principal ‘motor’ do crescimento da actividade dos estabelecimentos de alojamento turístico.

A informação do INE permite ver que ‘o problema’ está na desaceleração do crescimento dos mercados internacionais, que são os que contam para a balança comercial, e que em causa está principalmente a queda da estada média, que é tanto mais surpreendente por quanto é maior o peso dos emissores de longo curso, como Brasil, Estados Unidos, Canadá e China, cujas estadas são geralmente mais prolongadas que as dos turistas de médio curso.

Em 2019 a estada média dos turistas não residentes caiu 3,6% completando um ciclo de seis anos consecutivos a baixar, gerando uma quebra média em 15% desde 2013, de 3,52 para 2,99 noites.

Os dados do INE não permitem avaliar o impacto económico dessa evolução, mas para se fazer uma avaliação ainda que superficial do que está em causa basta ver que com o número de turistas estrangeiros que teve em 2019, se a estada média fosse 3,52 noites como em 2013, Portugal teria mais 8,6 milhões de dormidas de turistas estrangeiros, que ao valor médio de 61,2 euros por pernoita que se verificou no ano passado equivaleriam a uma receita adicional de mais de 520 milhões de euros.

A questão, porém, nem merece uma referência no comunicado do Ministério da Economia, que ignora que no ano passado verificaram-se reduções da estada média dos turistas de 15 dos 16 maiores mercados emissores, com a excepção a ser a Polónia, com um aumento em 3,1%.

Mas todos os principais mercados, incluindo o doméstico tiveram quedas de estada média em 2019, com -4,1% do Reino Unido, principal emissor internacional para Portugal, -3% da Alemanha, segundo maior, -2,6% de Espanha, terceiro maior, -0,4% de França, 4º maior, -1,5% do Brasil, 5º maior, -5% dos Países Baixos, 6º maior, -1,1% dos Estados Unidos, 7º maior, -5,2% da Irlanda, 8º maior, -1,6% de Itália, 9º maior, e -1,2% da Bélgica, 10º maior.

Mais grave, porém, é que Reino Unido e Alemanha completaram em 2019 cinco anos consecutivos de queda da estada média, com um decréscimo que desde 2013 atinge 12,6% e 14%, respectivamente.

 

Clique para mais notícias: Hotelaria portuguesa

Clique para mais notícias: Hotelaria

Clique para mais notícias: Portugal

Share
Tweet
+1
Share
Comentários
Escrever comentário

Outras Notícias

Hilton e American Express anunciam parceria para doar um milhão de quartos

06-04-2020 (16h39)

A rede hoteleira Hilton e a empresa de serviços financeiros American Express anunciaram uma parceria para doar um milhão de quartos, nos Estados Unidos, a profissionais de saúde que fazem frente à pandemia do novo coronavírus.

Vila Galé mantém tradição de Páscoa em modo take away

06-04-2020 (12h02)

O grupo Vila Galé vai acrescentar um menu de Páscoa, com cabrito ou bacalhau como opções para prato principal, ao seu serviço de take away em Lisboa, Porto, Coimbra e Évora.

Accor coloca 20 hotéis à disposição das autoridades

02-04-2020 (16h59)

O grupo Accor está a colocar à disposição das autoridades 20 unidades hoteleiras em Portugal e Espanha para contribuir para o combate à pandemia do novo coronavírus.

Marriott International alvo de roubo de informação de clientes

31-03-2020 (16h15)

A Marriott International anunciou que está a entrar em contacto com alguns dos seus hóspedes depois de ter sido detectada uma fuga de informação relativa a 5,2 milhões dos seus clientes, em Fevereiro deste ano.

AHP considera novas medidas de lay off “correctas e ponderadas”

31-03-2020 (14h13)

O presidente da AHP – Associação da Hotelaria de Portugal, Raul Martins, afirmou que as medidas de lay off “são correctas e ponderadas e vão ao encontro do que é necessário para continuar a garantir os postos de trabalho e assegurar que teremos capacidade no futuro para retomar a nossa actividade, mantendo os nossos excelentes profissionais”, e pediu uma extensão do prazo de reembolso do financiamento através das linhas de apoio vigentes para três anos.

Noticias mais lidas