Aeroporto de Lisboa e RJET são as prioridades da ‘agenda’ da AHP

11-11-2017 (11h44)

Superar os constrangimentos ao crescimento do Aeroporto de Lisboa e a alteração do RJET (Regime Jurídico dos Empreendimentos Turísticos) são as duas prioridades da agenda da AHP, segundo o seu presidente, Raul Martins.

“É grave, e é um constrangimento que não é só para Lisboa, é para o país todo”, explicou Raul Martins, sobre a prioridade que atribui ao limite ao crescimento do Aeroporto de Lisboa.

Já relativamente ao RJET, o dirigente associativo avançou que a AHP vai “pedir a uma consultora para fazer um estudo”, que possibilite repensá-lo “a partir do zero”.

 

PressTUR: A sua agenda começaria por que ponto?

Raul Martins: Para começar, o Aeroporto de Lisboa. É grave, e é um constrangimento que não é só para Lisboa, é para o país todo. A alteração do RJET é também [outro ponto]. Vamos pedir a uma consultora para fazer um estudo. Não é para fazer alterações. Nós queremos repensar o RJET a partir do zero. Ele está todo remendado. A partir daí haverá a redefinição do que é empreendimento turístico, alojamento local, enfim. Essa redefinição tem que ser feita.

 

PressTUR: Em termos de hotéis está tudo resolvido?

Raul Martins: Está.

 

PressTUR: Não se põe o problema dos fundos bancários que passaram a ser hoteleiros?

Raul Martins: Passaram, quer dizer. Têm as duas vertentes, têm proprietário e empresa gestora. O que chamámos a atenção não foi tanto em relação à exploração, não foi em relação a haver gestão própria. O que muitas vezes aconteceu é que esses activos entraram por um valor inferior àquele que é o valor real. Nós estamos muito atentos à vontade de alienação desses fundos. Há fundos desses que estão em processo de alienação desses activos e, quando forem alienados, serão alienados por um valor que os traz para o valor de mercado. Achamos que a solução na altura foi inevitável por parte dos bancos. Foi a forma de tirarem [esses activos] do seu balanço. Agora, queremos é que eles sejam comprados por novos investidores porque nessa altura o preço do bem em si obriga a um preço concorrencial. Também sabemos que o BCE [Banco Central Europeu] vai exigir aos bancos que provisionem por três vezes os activos. Isto é, os fundos vão ter que ter provisão de três vezes o seu valor, enquanto o ano passado foi uma vez e meia. Portanto, os bancos querem que esses activos se vendam. Sabemos que já foram vários vendidos e até ao final deste ano vão ser muitos vendidos.

 

PressTUR: Isso é bom?

Raul Martins: É bom porque põe verdade no mercado. A exploração tem que se adequar ao valor do activo. A exploração estar associada [aos fundos] não nos preocupa. Esses fundos têm um prazo de duração. Não são todos iguais e não têm todos as mesmas circunstâncias, mas ficaram com valores abaixo, que eram os valores de mercado na altura mas não são os valores do seu custo. Hoje em dia esses fundos têm orientação para os vender por forma a recuperar esse diferencial. Queremos é que isso se faça depressa.

 

PressTUR: E acha que vai acontecer?

Raul Martins: Sim, temos sinais muito concretos. Já alguns o fizeram, mas sei de uma meia dúzia. No Douro, em Lisboa, na Madeira. Esse caminho que tinha que ser feito está a ser feito. E com este agravamento da provisão segundo orientações do BCE… Aliás, o FMI [Fundo Monetário Internacional] veio chamar a atenção: façam mais supervisão porque os bancos têm que reduzir ao máximo o crédito malparado. E esta no fundo é uma forma de crédito malparado.

 

Ver também:

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