Azul contabiliza ganho de 95,8 milhões de reais com títulos da TAP

09-11-2018 (10h10)

Foto: ANA Aeroportos
Foto: ANA Aeroportos

Lucro operacional cai 28,3% no 3º trimestre por desvalorização do real e aumento do preço do fuel

A Azul, companhia de aviação brasileira fundada e presidida por David Neeleman, accionista de referência da TAP, contabilizou no terceiro trimestre um ganho de 95,8 milhões de reais (22,4 milhões de euros ao câmbio de hoje), “devido principalmente ao ganho relacionado ao aumento do valor justo do título da TAP”.

O balanço da empresa relativo ao terceiro trimestre assinala que no terceiro trimestre teve “uma perda cambial não-caixa de R$35,0 milhões, relacionada principalmente à depreciação de 3,8% do real entre 30 de Junho de 2018 e 30 de Setembro de 2018, o que resultou em um aumento da dívida em moeda estrangeira, parcialmente compensada pela valorização do título conversível da TAP, depósitos em garantia e reserva de manutenção”.

O documento esclarece seguidamente que na conta de “resultados de transacções com partes relacionadas, líquidos” registou “um ganho de R$95,8 milhões, devido principalmente ao ganho relacionado ao aumento do valor justo do título da TAP, que é conversível em 41,25% do valor económico da companhia aérea portuguesa”.

A Azul indica também no seu balanço que essa posição na TAP resultou de um investimento de 1.216 mil milhões de reais (cerca de 285 milhões de euros ao câmbio de hoje).

A companhia brasileira, que além da participação da TAP, tem voos entre Viracopos, Campinas, estado de São Paulo, e Lisboa, especifica também no seu balanço que a 30 de Setembro a sua frota operacional compreendia 120 aviões (63 Embraer, 33 ATR, 17 A320neo e sete A330), mas na totalidade dispõe de 140, 15 dos quais estão “subarrendadas para a TAP”.

A Azul declarou um lucro operacional (EBIT, lucro antes de juros e impostos) de 174,1 milhões de reais (40,8 milhões de euros) no terceiro trimestre, em queda de 28,3%, apesar de um aumento da facturação em 22,6%, para 2.441,7 milhões de reais (cerca de 572 milhões de euros), pelo impacto da desvalorização do real em 25,1% e o aumento do preço dos combustíveis em 47,1%.

No conjunto dos primeiros nove meses do ano, a queda do lucro operacional cinge-se a 4,6%, para 525,8 milhões de reais (123,1 milhões de euros), e a facturação têm um aumento de 20,3%, para 6.724,1 milhões de reais (1,6 mil milhões de euros).

A Administração da companhia, liderada pelo CEO John Rodgerson, realça porém, no seus comentários ao balanço, que a Azul alcançou “uma das maiores margens operacionais entre companhias aéreas da América Latina”, sublinhando que a empresa continua a renovar a frota, que considera ser “o principal propulsor” do crescimento e da “estratégia de expansão de margem a longo prazo”.

“No 3T18 aumentamos nossa capacidade em 19% e expandimos nossa receita em 23%, resultando em um crescimento de 2,7% no RASK [do inglês para receita por lugar voado um quilómetro) em comparação com o 3T17”, escreve o executivo, que acrescenta que, “adicionalmente, nossa etapa média subiu 10,5% para 1.023 quilómetros no 3T18 e, ajustando para este aumento, nossa receita unitária (RASK) cresceu 8,0% comparada com o ano passado”.

John Rodgerson escreve ainda que acredita que “a demanda corporativa continuará forte dado um cenário político mais estável, e que a demanda dos passageiros que viajam a lazer crescerá à medida em que nos aproximamos do período de alta temporada”.

O balanço especifica que dos 2.441,7 milhões de reais de receitas, 2.312 milhões foram realizados com o transporte de passageiros, que teve uma subida de 20,9%, mas que os custos operacionais totais subiram 29,7%, para 2.267,5 milhões de reais, com destaque para os +66,5% em combustíveis, ascendendo a 737,2 milhões, e os +40,1% em alugueres de aeronaves, para 413,7 milhões.

O documento mostra também que esse aumento de custos traduziu-se numa subida do custo unitário (por lugar quilómetro) de 8,7%, enquanto a receita unitária subiu apenas 2,7% (+1,3% se considerada apenas a receita de passagens), por subida do yield (preço por quilómetro voado) em 0,6% e melhoria da taxa de ocupação dos voos em 0,6 pontos, para 83,7%.

 

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