Presidente da Boeing reconhece responsabilidade nos acidentes mortais com 737 Max 8

30-10-2019 (22h14)

Foto: Trinity Moss / Unsplash
Foto: Trinity Moss / Unsplash

O presidente executivo da Boeing, Dennis Muilenburg, reconheceu esta quarta-feira perante o Congresso americano a sua responsabilidade e a da empresa nos acidentes mortais com aviões do modelo 737 Max 8 na Indonésia e na Etiópia.

"A minha empresa e eu somos responsáveis e sabemos que temos de melhorar", declarou Dennis Muilenburg, afirmando que aprendeu com os erros trágicos e que está disposto a prestar contas.

Tal como tinha feito na terça-feira perante o Senado, o presidente da Boeing pediu desculpa aos familiares das vítimas do acidentes de aviação, presentes na sala da audiência.

Muilenburg enfrentou as críticas de vários elementos da Comissão dos Transportes e das Infraestruturas da Câmara dos Representantes, que consideraram a situação inaceitável e exigiram respostas.

O presidente executivo da Boeing já tinha admitido na terça-feira perante o Senado norte-americano que a empresa cometeu erros nos acidentes mortais com aviões do modelo 737 Max 8 na Indonésia e na Etiópia (clique para ler: Boeing admite "erros" nos acidentes mortais dos 737 Max perante o Senado dos EUA).

Foi a primeira vez que a Boeing reconheceu no Congresso norte-americano ter cometido erros que estiveram na origem dos acidentes que resultaram na morte de centenas de pessoas e que custaram milhares de milhões de dólares à empresa com sede em Chicago, nos Estados Unidos.

Os testemunhos do presidente executivo da Boeing no Congresso norte-americano ocorrem exactamente um ano depois do acidente de um avião 737 Max 8 da companhia aérea indonésia Lion Air, que provocou 189 mortos, incluindo todos os passageiros e tripulantes.

Cinco meses depois, um avião do mesmo modelo da Ethiopian Airlines caiu em circunstâncias semelhantes, causando a morte de 157 pessoas.

Desde então, todos os Boeing 737 Max 8 foram retirados de circulação em todo o mundo.

Uma investigação indonésia concluiu que a queda do voo da Lion Air se deveu a uma combinação de falhas no projecto do aparelho, na formação dos pilotos e na manutenção.

O relatório final do acidente, divulgado em 25 de Outubro, refere que o voo 610 da Lion Air, que ligava a capital da Indonésia à ilha de Sumatra, caiu porque os pilotos nunca foram informados sobre como responder rapidamente a falhas no sistema de controlo automatizado do jato Boeing 737 Max 8.

O avião mergulhou no mar de Java apenas 13 minutos após levantar voo, em 29 de outubro de 2018.

Segundo o Comité Nacional de Segurança em Transportes da Indonésia, o sistema automatizado, conhecido como MCAS, contava com um único sensor de “ângulo de ataque” que fornecia informações erradas, empurrando automaticamente o nariz do avião para baixo.

(PressTUR com Agência Lusa)

Ver também:

Boeing tem “esperança” que aviões 737 MAX voltem a voar ainda este ano

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