Lease-Fly prevê ter certificado de operador aéreo em Cabo Verde em seis meses

13-08-2019 (13h30)

A portuguesa Lease-Fly prevê avançar nos próximos seis meses com a obtenção do AOC (do inglês para Certificado de Operador Aéreo) de companhia aérea regional para a Cabo Verde Connect.

A informação foi avançada à agência Lusa pelo director executivo da Lease-Fly, José Madeira, no dia em que a empresa portuguesa começou a assegurar voos domésticos em Cabo Verde, no âmbito de um consórcio liderado pela Cabo Verde Airlines (CVA), de que também faz parte o grupo Newtour, que detém o operador turístico Soltrópico e o master franchise das agências de viagens Bestravel (clique para ler: Cabo Verde Airlines começa hoje a fazer voos domésticos em parceria com Newtour e Lease-Fly).

O consórcio opera as ligações das ilhas de Santiago (Praia), São Vicente e Fogo para a ilha do Sal, onde a CVA instalou um hub para os seus voos internacionais.

Até agora, as ligações aéreas entre as ilhas eram asseguradas apenas pela companhia Binter, mas o Governo cabo-verdiano tem insistido que o mercado está aberto a novas operadoras.

O primeiro ATR42-300 da Lease-Fly, com uma configuração para transportar 48 passageiros e que hoje iniciou as ligações domésticas (entre o Sal e as ilhas de Santiago e São Vicente), chegou a Cabo Verde a 30 de Julho.

“A nossa previsão é introduzir um segundo avião em Outubro de 2019. Depois, em função daquilo que forem as necessidades de mercado e da própria CVA, poderemos ampliar a nossa frota. (…) Sendo a empresa especializada em aviões ATR, é previsível que nos mantenhamos com este tipo de operação e aeronaves”, acrescentou.

José Madeira salienta que a operação que hoje se iniciou “foi feita e desenhada em conjunto com a CVA, para dar resposta a necessidades de tráfego”, nomeadamente no hub do Sal, com a Lease-Fly a prestar o serviço à CVA nos próximos seis meses.

A operação foi criada “também para colmatar algumas necessidades de voos para as ligações entre ilhas”, acrescentou José Madeira.

Registada em Portugal, a Lease-Fly também tem bases operacionais em Espanha e França, sendo um operador especializado no transporte aéreo regional e executivo.

A entrada no mercado cabo-verdiano fez-se através da parceria com a CVA e nas rotas domésticas, mas o objectivo da administração da Lease-Fly passa por ter uma empresa própria cabo-verdiana, podendo “ser estudadas rotas regionais para países próximos de Cabo Verde”.

“O nosso plano é certificar, após seis meses, uma empresa aérea em Cabo Verde, certificação esta que será feita seguindo a regulamentação Cabo Verdiana difundida pela Autoridade de Aviação Civil de Cabo Verde. O investimento a realizar será o necessário para certificar e operar uma companhia aérea regional”, acrescentou.

Embora sem quantificar, José Madeira garante que esse investimento será “considerável” e incluirá instalações, frota de aviões, equipamento de manutenção, serviços de consultoria para a certificação da empresa, entre outros.

“Quanto aos postos de trabalho, contamos que a totalidade ou grande maioria sejam colaboradores oriundo do arquipélago de Cabo Verde. Se tivermos como base a estrutura da Lease-Fly em Portugal, diria que entre tripulantes, pessoal de manutenção, dirigentes e técnicos, estaremos a falar de um número nunca inferior a 50 postos de trabalho altamente qualificados”, assumiu ainda o director executivo da empresa portuguesa.

“Poderia chamar-se Cabo Verde Connect”, disse José Madeira, questionado pela Lusa sobre a futura empresa a criar pela Lease-Fly.

Do “ponto de vista puramente empresarial”, admite que a entrada no mercado cabo-verdiano representa “um risco e também uma oportunidade”, mas “do ponto de vista afectivo representa a nossa vontade de deixar uma marca em Cabo Verde”.

“Marca essa que terá como referência a qualidade do nosso serviço a satisfação das necessidades da população de Cabo Verde e da companhia de bandeira [CVA] e a proximidade com todos os agentes do arquipélago”, concluiu.

(PressTUR com Agência Lusa)

 

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