“Estão a atrasar artificialmente a nossa expansão em Lisboa”, acusa CEO da Ryanair

21-09-2016 (17h33)

“Estão a atrasar artificialmente a nossa expansão em Lisboa”, acusou o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, em declarações hoje ao PressTUR, na sequência de uma conferência de imprensa em que reclamou mais eficiência do Aeroporto de Lisboa e a abertura do Montijo, preferencialmente gerido por uma empresa diferente, para haver concorrência.

A conversa com O’Leary partiu de dados a que o PressTUR teve acesso e que mostram que a teve um aumento de passageiros em Lisboa em 7,4%, abaixo, portanto, quer do que foi o crescimento médio do aeroporto, que teve uma subida de 11,4%, quer, inclusivamente, do que foi o próprio crescimento médio da sua rede, que foi de 11%.

Confrontado pelo PressTUR com estes dados, Michael O’Leary comentou que esse é o resultado de o crescimento da Ryanair em Lisboa estar a ser travado.

É “porque não conseguimos obter mais espaço para meter mais aviões em Lisboa”, retorquiu, acrescentando que as respostas às suas pretensões de expansão são que o Aeroporto Humberto Delgado “não consegue ter mais capacidade, não pode ter mais aviões na pista e não há sítio para os estacionar no terminal”.

“Estão a atrasar artificialmente a nossa expansão em Lisboa” — é o comentário do CEO da Ryanair que frisa: “queremos expandir-nos rapidamente em Lisboa, mas o aeroporto está a colocar-nos estes constrangimentos artificiais e é por isso que estamos a dizer – bem, se nos vão constranger na Portela, abram o Montijo; mas eles respondem – o Montijo não acontecerá senão em três a cinco anos; - Porquê o atraso? O aeroporto está lá. As instalações estão lá. Poderíamos ir para lá no próximo ano”.

E questiona: “se Dublin e Gatwick, por exemplo, têm capacidade para 50 a 55 voos por hora, porque é que em Lisboa se ficam pelos 35 a 40 voos por hora? Porque não 50 voos por hora? Não é difícil. A maioria dos aeroportos opera a esse tipo de velocidade. Estão a fazer um voo a cada dois minutos. Não faz sentido. E achamos que a razão pela qual o estão a fazer é porque não querem crescer rapidamente em Lisboa, porque isso os vai forçar a abrir o Montijo mais cedo. Estão a tentar atrasar a abertura do Montijo pelo maior período de tempo que conseguirem”.

A tese de O’Leary é que, entrando em actividade o Aeroporto do Montijo, a Ryanair terá voos nos dois aeroportos, “mas todo o crescimento iria para o Montijo”.

O’Leary argumentou que nas rotas rotas em que a Ryanair concorre com a TAP “não podemos mudar-nos para o Montijo, temos que estar na Portela, mas pelo menos abrindo o Montijo iria criar espaço para crescer”.

Depois das 23 rotas que vai operar em Lisboa no próximo ano, a sua previsão é chegar às 80 nos próximos cinco a seis anos.

“As outras 50 ou 60 rotas têm que ir para algum lado. E se a Portela nos está a dizer que não cabem lá, porque a pista está muito ocupada, nós dizemos: tudo bem, abram o Montijo, iremos para lá”.

A tónica das reivindicações de Michael O’Leary passou assim das taxas elevadas cobradas pelos aeroportos para um questão de capacidade porque, afirmou, “as taxas não são um problema senão quando houver mais capacidade para crescer”.

Mas garante: “se conseguirmos a capacidade para crescer, então queixamo-nos das taxas, porque quanto mais conseguirmos reduzir as taxas, maior crescimento conseguiremos ter aqui”.

 

Ver também:

O’Leary já admite que não vai ultrapassar a TAP em Lisboa no prazo que previa

Ryanair prevê transportar 9,5 milhões de passageiros de/para Portugal em 2017, Michael O’Leary, CEO

Michael O’Leary ‘fica a um passo’ de anunciar voos da Ryanair para a Madeira em 2017

Michael O’Leary atribui “papel relevante” dos GDS para o crescimento do tráfego de negócios na Ryanair

 

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