Empresários de Cabo Verde querem “quebrar o monopólio” no transporte aéreo inter-ilhas

15-05-2019 (14h46)

Foto: Binter
Foto: Binter

A falta de concorrência nos transportes aéreos inter-ilhas dificulta a unificação do mercado, pelo que é necessário encontrar soluções para "quebrar o monopólio", disse o presidente da Câmara de Comércio de Sotavento (CCISS) cabo-verdiano.

Jorge Spencer Lima falava ontem à imprensa no final de uma reunião do Conselho de Concertação Social, que tinha como um dos pontos da agenda a avaliação da situação económica do país.

Apesar de saudar algumas medidas já tomadas pelo Governo para melhorar o ambiente de negócios, o líder empresarial manifestou a sua preocupação com a questão dos transportes marítimos e aéreos.

No que diz respeito ao transporte aéreo, o representante das entidades empregadoras disse que os preços estão muitos elevados e há dificuldades na disponibilidade de lugares para viajar entre as ilhas.

Nesse sentido, considerou necessário encontrar soluções para "quebrar o monopólio" da companhia aérea Binter Cabo Verde, que desde Agosto de 2017 assegura as operações domésticas, após o Governo retirar a então companhia aérea nacional TACV.

"É preciso procurar soluções para que haja concorrência, equilíbrio dos preços, para que as empresas não possam trabalhar num mercado de monopólio, e que reflita a situação dos preços para facilitar essa mobilidade interna em Cabo Verde que estamos a precisar", continuou o líder da entidade representativa da classe empresarial da região de Sotavento - constituída pelas ilhas de Maio, Santiago, Fogo e Brava.

Jorge Spencer Lima disse ainda que os empresários ainda não constataram efeitos práticos da concessão do serviço de transporte marítimo à Tansinsular, alertou para o custo "extremamente elevado" da energia e considerou que o país precisa de ter capacidade para produzir e exportar.

Ainda sobre a situação económica do país, o presidente da Confederação Cabo-verdiana dos Sindicatos Livres (CCSL), José Manuel Vaz, afirmou que os parceiros sociais concluíram que o país "avançou significativamente" nos últimos anos, não obstante alguns aspectos que ainda afectam o processo do desenvolvimento, nomeadamente a falta de emprego, sobretudo entre os jovens.

Quem também alertou para a "elevadíssima taxa" de desemprego jovem foi a secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores Cabo-verdianos - Central Sindical (UNTC-CS), Joaquina Almeida, defendendo que é preciso ainda repôr o poder de compra dos trabalhadores e alterar planos de cargos e carreiras de algumas classes profissionais.

Outro ponto da agenda da reunião foi a apresentação das conclusões do estudo de viabilidade sobre sistema de protecção social dos trabalhadores marítimos, com a secretária-geral da UNTC-CS a dizer que o Governo "saiu mal", uma vez que a deliberação remonta há 25 anos e que já deveria estar a ser executada.

Sobre este ponto, a secretária Estado para a Modernização Administrativa, Edna Oliveira, esclareceu que o que foi apresentado foram as conclusões do estudo de viabilidade e que foram identificados três modelos para o sistema de protecção social dos trabalhadores marítimos.

Segundo a governante, os parceiros sociais acordaram que o Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) vai optar por um dos modelos, elaborar um estudo sobre o seu impacto financeiro e depois enviar ao Governo para a decisão final.

Os parceiros sociais acordaram ainda que será identificado um espaço para o funcionamento do Conselho de Concertação Social, com um secretariado fixo para fazer todo o trabalho de acompanhamento das reuniões, elaboração das atas e outros documentos.

O Conselho de Concertação Social de Cabo Verde é composto por quase duas dezenas de membros, entre representantes dos trabalhadores, das entidades empregadoras e do Estado.

(PressTUR com Agência Lusa)

 

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