David Neeleman prepara criação de nova companhia de aviação nos EUA, Airline Weekly

19-06-2018 (13h50)

Foto: TAP
Foto: TAP

“He’s Baaaack” — assim realça a publicação norte-americana “Airline Weekly” a sua informação de que David Neeleman, accionista de referência da TAP, ‘está de novo em campo’ para criar mais uma companhia de aviação, depois da WestJet, no Canadá, JetBlue, nos EUA, e Azul, no Brasil.

A notícia do “Aviation Weekly”, que já chegou à agência Bloomberg e já ‘mexeu’ com o mercado de capitais, diz que o empresário que ganhou a privatização da TAP através do consórcio Atlantic Gateway não quis confirmar ou desmentir a informação de que prepara a criação de uma companhia para já denominada Moxy e que, embora com foco no mercado doméstico norte-americano, terá uma frota com capacidade transatlântica.

A informação, que insiste que não é o mesmo projecto de que se falou há cerca de um ano, da Azura Airways (para ler mais clique: Nova companhia aérea registada nos EUA tem David Neeleman como dirigente e David Neeleman e Trey Urbahn envolvidos no lançamento da Azura Airways), avança que o projecto é no entanto algo semelhante, na medida em que aposta no mercado dos pequenos aeroportos regionais que as grandes companhias de rede têm preterido em prol dos seus hubs.

A notícia avança que a Moxy já conta com uma encomenda de 60 aviões CS300 do fabricante canadiano Bomabrdier, que poderão fazer voos transatlânticos por exemplo de Providence não apenas para o Reino Unido e Irlanda como também para Espanha e França, cuja expectativa é que comecem a voar em 2020.

A notícia diz ainda que Neeleman está a ‘juntar’ cem milhões de dólares para este projecto, incluindo capitais próprios e contribuições de ‘figuras’ da aviação como o ex-CEO da Air Canadá Robert Milton e o ex-CEO da ILFC Henri Courpron.

A notícia do “Airline Weekly” salienta que o actual momento da aviação nos Estados Unidos é de ‘alta’, com margens operacionais de dois dígitos, e realça o papel de Neeleman referindo que os Estados Unidos têm actualmente 11 grandes companhias de aviação, das quais apenas uma não existia ainda há 20 anos, precisamente a JetBlue fundada no ano 2000 por Neeleman, então com 40 anos, depois de ter sido afastado da Southwest.

Mas, salienta a notícia, “Neeleman não pára quieto muito tempo” e depois de sair da Southwest criou a WestJet e depois de sair da JetBlue criou a Azul, agora “está essencialmente responsável” pela TAP “e agora parece estar a fazer um importante regresso aos Estados Unidos”.

Embora Neeleman alegadamente tivesse recusado comentar a notícia, segundo a Bloomberg a informação de que a criação da Moxy está em curso e que a sua opção é por aviões Bombardier financiados por lessors chineses levou a que as acções do fabricante subissem 6% na segunda-feira em Toronto.

E também a Bloomberg diz ter tentado sem êxito obter respostas de Neeleman, bem como de Trey Urbahn, relativamente às informações de que espera ter os aviões para a Moxy entre 2020 e 2022 e que entre os aeroportos para os quais planeia voos estão Providence, em Rhode Island, Fort Worth, no Texas; Burbank, na Califórnia. Estas informações, de acordo com o “Aviation Weekly”, foram obtidas de uma “fonte familiar” com os planos de Neeleman e corroboradas por outra fonte, bem como são “baseadas numa apresentação” que consultou.

Essa apresentação enfatiza que o projecto vê “grandes oportunidades” em pequenos aeroportos cujas populações se sentem frustradas pelas dificuldades decorrentes do ‘abandono’ pelas grandes companhias de rede, descrevendo o momento actual do sector, após a consolidação, como um “oligopólio confortável” de companhias de elevadas margens e os maiores lucros de sempre.

A fazer valer a sua análise, a apresentação da Moxy realça que na década de 2007 a 2017 a economia norte-americana cresceu 34% mas o número de lugares de avião em companhias domésticas, não, e em pequenos aeroportos e pequenos mercados até diminuíram, em alguns casos drasticamente.

A notícia assinala que, assim, em grande medida o projecto da Moxy ‘replica’ o modelo da Ryanair na Europa, de voar ponto-a-ponto para aeroportos secundários, porque mais baratos, mas também porque é neles que estava o seu mercado, um mercado descontente com as companhias estabelecidas, as chamadas ‘tradicionais’.

 

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