Controlo de tráfego aéreo na Europa está a “atingir um ponto de colapso”, CEO da Ryanair

14-06-2018 (16h46)

Greves e falta de pessoal provocam milhares de cancelamentos e atrasos

O CEO da Ryanair, Michael O’Leary, reclamou hoje a intervenção dos governos e da Comissão Europeia no controlo de tráfego aéreo (ATC, do inglês) que, segundo afirma, está “a atingir um ponto de colapso, com centenas de voos cancelados diariamente simplesmente por falta de pessoal para geri-los”.

O alerta de Michael O’Leary, reproduzido em comunicado da companhia a apelar para a “acção urgente para prevenir o colapso do controlo de tráfego aéreo europeu”, é motivado pelo que o executivo descreve como mais um fim de semana de problemas por “uma nova greve de ATC em França que irá provocar o cancelamento de centenas de voos, prejudicando os planos de férias de milhares de passageiros”.

O’Leary enfatiza que “muitos destes voos” nem sobrevoarão França, “nem passam por solo francês, no entanto, serão perturbados já que os controladores aéreos franceses requerem que as companhias aéreas cancelem voos que sobrevoem o seu espaço aéreo, protegendo apenas as rotas domésticas”.

O’Leary reclama que os problemas também decorrem de “falta de pessoal de ATC, particularmente no Reino Unido e Alemanha” e apela aos governos britânico e alemão, bem como à Comissão Europeia, para que “tomem medidas urgentes e decisivas no sentido de garantir que os provedores de ATC têm as equipas completas e que os voos que sobrevoam os respectivos espaços aéreos não sejam afectados quando ocorrem greves nacionais, como tem ocorrido repetidamente na França”.

O CEO da Ryanair acusa mesmo os controladores britânicos e alemães de “disfarçarem” com condições “condições climáticas adversas e eufemismos como “restrições de capacidade” a realidade: não têm no horário profissionais de ATC suficientes para gerir o número de voos programados”.

“Os governos britânico e alemão, bem como a Comissão Europeia, têm que tomar medidas urgentes para evitar que milhares de voos e milhões de passageiros sejam perturbados, particularmente nos meses de pico de Verão (Julho e Agosto), algo que ocorrerá a menos que esta crise de ATC seja solucionada”, sublinha Michael O’Leary.

O comunicado da Ryanair começa por afirmar que em Maio “mais de 117.000 voos sofreram atrasos” e que a maioria (61% ou mais de 71 mil) se deveu “a greves e falta de pessoal de ATC”.

A low cost acrescenta que “mais de 56.000 voos sofreram atrasos de mais de 15 minutos, quatro vezes mais do que os 14000 voos com atraso superior a 15 minutos em Maio de 2017” e que “39 % dos atrasos (45000 voos) foram provocados por condições meteorológicas adversas, quatro vezes mais do que os 11.000 atrasos provocados por mau tempo em Maio de 2017”.

“Curiosamente — prossegue o comunicado —, a maioria destes atrasos provocados por condições meteorológicas adversas (quase 60%) ocorreram à sexta-feira ou ao Sábado, o que sugere que as entidades de ATC estão a utilizar as más condições meteorológicas para encobrir as suas faltas de pessoa”l.

A Ryanair diz no mesmo comunicado que “o objectivo da UE para atrasos em 2018 é em média de 0,5 minutos por voo”, mas que “a previsão actual para 2018 dirige-se de momento para os 1,5 minutos por voo, quase o triplo do objectivo estabelecido pela UE”.

A Ryanair refere ainda que em Maio cancelou cerca de mil voos, “quase todos devido a greves e falta de pessoal de ATC”, sublinhando que “este número foi 24 vezes superior aos 43 voos cancelados em Maio de 2017” e que a sua concorrente easyJet “cancelou 974 voos, comparando com os 117 em Maio de 2017” (para ler mais clique: Ryanair indica que teve 1.100 voos cancelados em Maio por greves de controladores e easyJet ‘desacelera’ em Maio com cancelamentos em forte alta).

O comunicado assinala ainda que Willie Walsh, CEO do IAG, comentou em Maio que “o maior impacto vem das greves e do ambiente vivido a nível de ATC, que está um caos”, acrescentando que “está a destruir o tráfego por toda a Europa”.

“Pensámos que iria melhorar em 2018 mas está cada vez pior”, comentou ainda Walsh.

 

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