ACI Europe apela à preservação do espaço Schengen e ao reforço das fronteiras externas

01-03-2016 (14h55)

Foto: ANA
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O ACI Europe, face aos desafios relacionados com a crise migratória e com as ameaças terroristas, apela à preservação do espaço Schengen e ao reforço da segurança por parte dos estados nas fronteiras externas à área, sob pena de consequências negativas para a aviação, o turismo e a economia em geral.

O ACI Europe - Conselho Internacional de Aeroportos da Europa, que representa cerca de 500 aeroportos em 45 países europeus, apela à continuação e integridade do espaço Schengen, apoiando a implementação rápida da proposta da Comissão Europeia de reforçar as suas fronteiras externas no sentido de preservar o trânsito livre na sua área interna.

E, acrescenta um comunicado, defende que os estados membros devem fornecer os meios para a aplicação dessas medidas.

No que diz respeito a controlo de fronteiras e recursos policiais o director geral da ACI Europe, Olivier Jankovec, afirma que o “conselho de ministros, na semana passada, apoiou o Pacote de Fronteira da Comissão [Europeia], que estipula verificações sistemáticas de documentação e de segurança em aeroportos a todas as pessoas - incluindo cidadãos dos estados Schengen - em bases de dados relevantes, sempre que saiam ou entrem na área comum Schengen”.

Olivier Jankovec classificou esta medida como um “passo essencial” para o reforço das fronteiras externas do espaço Schengen e que “deve ser implementado o mais depressa possível”.

Esta medida, porém, requer funcionários de controlo de fronteiras e polícia nos aeroportos, “recursos sobre os quais os aeroportos não têm controlo, mas com os quais nós trabalhamos em constante parceria”, acrescentou.

A sua preocupação é se os “recursos estarão disponíveis”, uma vez que “manter níveis de serviço de passageiros já é um desafio, e se não recebermos recursos humanos adequados a situação vai piorar”.

“Esperemos que os governos cumpram as suas responsabilidades de estado [Schengen]”, acrescentou.

Jankovec afirmou ainda que controlos de fronteira entre estados Schengen “não está em cima da mesa - e nunca deverá estar, visto que o impacto seria devastador”.

As consequências de tal medida, continuou o director geral, resultariam em impactos financeiros na ordem das centenas de milhares de euros por cada grande aeroporto da área, visto que a área Schengen durante 25 anos teve influência na estruturação dos terminais de aeroportos.

O seu impacto imediato a nível práctico seria de “níveis de congestionamento sem precedentes e disrupções de voos, com potenciais efeitos de repercussões por toda a rede aeroportuária europeia”.

Os hubs não teriam capacidade para garantir os seus horários de conexão entre voos resultando em viagens mais demoradas, escolhas mais reduzidas para o cliente final e uma degradação da conectividade na Europa.

“O impacto não só seria sentido na aviação, como também no turismo e na economia geral”, acrescentou.

O espaço Schengen, criado em 1995, é composto por 26 estados entre os quais é possível realizar transporte aéreo livre.

Os estados membros da área Schengen incluem Áustria, Bélgica, República Checa, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Noruega, Polónia, Portugal, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Suécia e Suíça.

Mónaco, San Marino e a Cidade do Vaticano também beneficiam das mesmas políticas fronteiriças.

Dados divulgados pelo ACI Europe indicam que em 1990 cerca de 600 milhões de viajantes utilizaram aeroportos europeus e que em 2015 o número de utilizadores de aeroportos europeus foi de cerca de 1,95 mil milhões, sendo que 60% desse valor, (cerca de 1,2 mil milhões) utilizaram um dos 443 aeroportos do espaço Schengen.

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