Atrair congressos da DRV e da ABTA para Portugal foi “um novo vento que soprou na APAVT”

08-12-2016 (09h19)

Pedro Costa Ferreira, presidente da APAVT (Cont.7)

"Para nós é mais importante o relacionamento com o cliente, é mais importante a valorização dos quadros das agências de viagens, é mais importante o modo como tecnologicamente evoluímos, do que propriamente o valor da comissão", assim ilustra Pedro Costa Ferreira o trabalho que desenvolve há cinco anos na presidência da Direcção da APAVT e, no fundo, qual o legado que pretende transmitir, em que sobressaem iniciativas como a atracção para Portugal dos congressos da DRV e da ABTA além de reuniões da ECTAA.

A questão surge a propósito de se a vida da Associação continua dominada pelos debates em torno das relações com os fornecedores ou se é assumido, como diz ao PressTUR, que "mais importante para nós do que falar de comissões [é] ter conseguido pela primeira vez atrair um congresso alemão ou ter conseguido pela primeira vez atrair um congresso inglês".

"Isso, sim, é um novo vento que soprou na APAVT e, modéstia à parte, porque não temos que esconder aquilo que achamos que fizemos bem, é provavelmente algo que nenhuma outra associação privada em Portugal fez", sublinha.

 

PressTUR: E em que medida é que essa ideia base de que é preciso transformar informação em conhecimento, e depois também saber vendê-lo, perpassa no congresso?

Pedro Costa Ferreira: De uma forma total... Já lhe falei no primeiro painel, com o presidente da associação holandesa, com o vice-presidente da associação americana e com o próprio Svend Leirvaag, que vão desmistificar a falta de utilidade das agências de viagens, contrapondo exactamente o contrário, como é um valor actual a liberdade de escolha e como a existência das agências de viagens é importante para a sustentabilidade da liberdade de escolha. O segundo painel diz respeito a estratégias empresariais e factores de competitividade, em que vamos ter um professor universitário, Luís Rasquilha, e vamos ter uma speaker profissional, que é a Carla Carvalho Dias, que vão dar relevância à necessidade de desenvolver estratégias que respondam às actuais tendências do consumidor e que nos vão falar - para dar um exemplo, que penso que é actual e importante - de como só o serviço é diferenciador. E serviço tem a ver com tudo o que temos andado a falar, com esta necessidade de responder de uma maneira diferente a um contexto que é completamente diferente.

 

PressTUR: E na vida da Associação? Ou a vida da Associação continua a ser dominada pelas questões da relação com a TAP, com os hoteleiros, etc..?

Pedro Costa Ferreira: Eu espero que não seja essa a ideia que as pessoas têm da APAVT... Hoje continua a ser relevante a relação a montante, com fornecedores, porque as agências constroem e desenvolvem produto em cima dessa relação, pelo que essa relação nunca será ausente da actividade das agências de viagens. Como sabe, ao longo dos últimos anos, a Associação foi obrigada a desenvolver negociações complexas e acordos com fornecedores, nomeadamente companhias aéreas e com a TAP. Agora, do ponto do vista do meu pensamento e do pensamento da Direcção da APAVT, é absolutamente óbvio que os aspectos relacionados com o sucesso das agências de viagens, que estão na esfera da criação de valor, são os aspectos relacionados com a relação com o cliente, não com a relação com o fornecedor. Quem ainda se mantém a olhar para comissões está a defender o que já foi e quem defende o que já foi não vai pertencer ao que há-de vir. É mais importante para nós do que falar de comissões ter conseguido pela primeira vez atrair um congresso alemão ou ter conseguido pela primeira vez atrair um congresso inglês. Isso, sim, é um novo vento que soprou na APAVT e, modéstia à parte, porque não temos que esconder aquilo que achamos que fizemos bem, é provavelmente algo que nenhuma outra associação privada em Portugal fez. Nós soubemos inovar, implementar, concretizar e com isso julgo que estamos a criar raízes para novos negócios de todos os elementos da cadeia de distribuição e provavelmente também para novos ventos de intervenção das associações.

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