Quatro grupos com 2.400 agências francesas recomendam privilegiar alternativas à Lufthansa

15-06-2015 (15h05)

Os agrupamentos de agências de viagens francesas Cediv, Manor, Selectour Afat et TourCom, que em conjunto somam 2.400 pontos de venda, estão a recomendar às associadas que, sempre que possível, reservem voos em companhias alternativas às do Grupo Lufthansa, que anunciou ir introduzir uma taxa sobre as reservas efectuadas em GDS.

Trata-se de uma medida que atenta contra a transparência das propostas de transporte aéreo e que penaliza os profissionais da distribuição ao complicar-lhes a comparação de tarifas, “indispensável para poderem apresentar as propostas mais vantajosas aos seus clientes”, dizem os quatro agrupamentos, citados pela imprensa francesa especializada no sector do turismo.
O grupo Lufthansa “demonstrou uma agressividade injustificada face às agências de viagens e os seus clientes”, diz a tomada de posição dos agrupamentos, que também salientaram estarem sintonizados com as tomadas de posição da ECTAA, federação de associações de agências de viagens e operadores turísticos europeus, e do SNAV, associação das agências de viagens franceses.
O presidente do SNAV, Jean-Pierre Mas, citado há dias pelo “Tour Hebdo” anunciou que a associação estuda “acções jurídicas” a levar a cabo face à “distorção da concorrência” a que conduzirá em sua opinião a decisão da Lufthansa.
A publicação refere que segundo fontes das agências de viagens o Grupo Lufthansa representa 7% das vendas BSP em França e que, dessa forma, uma eventual perda dessa ‘fatia’ não é problema maior.
O que preocupa, dizem essas fontes, é que outras companhias sigam a política do Grupo Lufthansa, que, acrescentam, visa desfavorecer o canal de vendas agências de viagens e “vontade de controlar os preços”.
Em Portugal, fontes das agências de viagens têm também como certo que é “fazendo sentir o seu desagrado onde mais dói” que podem fazer com que a Lufthansa compreenda as dificuldades que lhes está a causar e aos seus clientes.
Agentes de viagens com que o PressTUR falou não usam a palavra “boicote” mas não deixam de dizer que vender Lufthansa só nos casos em que não há alternativa conveniente para os passageiros.
Em causa estão principalmente as ligações a destinos do Extremo Oriente, um mercado que a Lufthansa já teve forte ascendente em Portugal pelos seus voos via Frankfurt e Munique.
Actualmente, porém, segundo as fontes do PressTUR, têm sido a Emirates, com voo via Dubai, e a Turkish Airlines, com voos via Istambul, que têm estado com crescimentos fortes no Aeroporto de Lisboa.
O Grupo Lufthansa anunciou no dia 2 que as suas companhias vão aplicar a partir de 1 de Setembro uma taxa de 16 euros por reserva efectuada em GDS, que são os sistemas utilizados pelas agências de viagens por lhes permitirem de forma eficiente elencar as alternativas disponíveis.
O que está em causa para as agências de viagens é, assim, não só um sobrecusto directo como também a perda de eficiência no serviço ao cliente, agravados pela percepção que estão a ser “tomadas como reféns” na “batalha” das companhias aéreas para fazerem os GDS baixarem os seus custos.

Para ver mais clique:
Lufthansa passa a cobrar taxa de 16 euros nas reservas feitas pelas agências nos GDS
A indústria das viagens fica a perder — crítica do Amadeus à decisão da Lufthansa
APAVT “repudia” taxa GDS da Lufthansa. Limita escolha pelos consumidores
Sistemas computorizados de reservas foram 1,4% dos custos operacionais da Lufthansa
Preços da Lufthansa vão subir mais de 5% com a introdução da taxa GDS — ECTAA
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