Michael O’Leary critica regulador britânico da aviação após colapso do Thomas Cook

02-10-2019 (17h39)

O CEO do Grupo Ryanair, Michael O’Leary, criticou o regulador britânico da aviação dizendo que as suas ‘regras suaves’ de licenciamento contribuíram para o caos da falência do Thomas Cook.

O executivo, que falava esta terça-feira em Londres durante um evento promovido pela Reuters, responsabilizou a Autoridade britânica da Aviação Civil (CAA) porque, sustentou, concedeu ao Thomas Cook uma licença para operar sem exigir provas de que tinha capacidade para sobreviver.

“Como pode licenciar o Thomas Cook em Abril como apto para voar por mais 12 meses e depois fracassa em Setembro. É algo que a CAA precisa resolver”, disse Michael O’Leary, citado pela Reuters.

O’Leary defendeu que “a CAA deve ser muito mais agressiva e exigir que os accionistas ponham muito mais dinheiro nas companhias para conseguirem aguentar ao longo do ano, em vez de permitir que falhem continuamente”.

A companhia aérea britânica da Thomas Cook desistiu imediatamente quando a empresa entrou em insolvência, embora a também sua companhia aérea alemã Condor ainda esteja a voar, tendo recebido um empréstimo-ponte do governo alemão. A companhia aérea escandinava da Thomas Cook também continua a operar.

O’Leary especulou que a Lufthansa poderá comprar a Condor, cujo CEO revelou na terça-feira que eventualmente haveria um novo proprietário da companhia aérea, de acordo com o jornal alemão “Die Zeit”.

A Ryanair, por sua vez, não está interessada na Condor, disse Michael O’Leary, admitindo que no entanto está em negociações com empresas de leasing sobre a aquisição de aviões da Thomas Cook para a Lauda e que poderá contratar alguns pilotos do grupo.

Com os aviões B737 Max proibidos de voar desde Março após dois acidentes fatais, a capacidade de expansão da Ryanair está a ser prejudicada, o que impede o grupo de aproveitar as oportunidades do colapso do Thomas Cook, disse o executivo, que espera receber aviões deste modelo no próximo Verão.

A Ryanair tem 135 B737 Max encomendados e mais 75 em opção. O atraso na entrega destes aviões “desacelerará o nosso crescimento no Verão de 2020, o que é uma pena”, disse O’Leary.

“Quando surgem oportunidades como o fracasso do Thomas Cook... queremos poder crescer mais rápido”, disse o executivo. “Mas a segurança é a primeira prioridade”

Ainda segundo a Reuters, o CEO do Grupo Ryanair afirmou que, embora seja fácil acusar a gestão quando uma empresa falha, os problemas do Thomas Cook eram mais profundos do que a sua administração actual, pois todo o modelo de negócio da empresa estava fundamentalmente desactualizado.

“Acho que o mercado de pacotes turísticos está lixado, acabou. É como quem fazia ferraduras quando havia carruagens puxadas por cavalos”, afirmou Michael O’Leary.

“Existiam algumas empresas de ferraduras boas e bem geridas, mas no final todas foram da mesma forma e o mesmo acontecerá com os operadores turísticos aqui na Europa”, acrescentou O’Leary, que só no início deste ano encerrava o seu ‘negócio de ferraduras’ da Ryanair Holidays, depois de várias tentativas de o relançar (para ler mais clique: Ryanair volta a capitular na tentativa de concorrer com agências de viagens na venda de pacotes turísticos).


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