DMC portuguesas denunciam “concorrência desleal”

01-04-2016 (15h51)

As DMC portuguesas, empresas que se dedicam à captação para Portugal de reuniões e incentivos, denunciaram hoje que enfrentam "concorrência desleal" de outros países que fazem o país perder milhões, ‘apontando o dedo' nomeadamente a Espanha e à Alemanha, que propiciam condições fiscais mais vantajosas.

É "concorrência desleal" e provoca "perda de competitividade" afirmou hoje Eduarda Neves, coordenadora do Capítulo de DMC (Destination Management Companies) da APAVT, vice-presidente da Associação e directora da DMC Portugal Travel Team.

Espanha é um concorrente natural devido à localização, clima e outros atributos, mas, além disso, passou a ser "20% mais barato" que Portugal para as empresas que querem fazer reuniões e incentivos (MI, do inglês para meetings and incentives), afirmou.

Portugal até tinha preços mais atractivos para a indústria M&I, possibilitando às empresas estrangeiras fazerem as suas reuniões e incentivos com preços cerca de 10% abaixo do que faziam em Espanha.

Mas em Janeiro do ano passado deu-se um volte-face, quando Espanha deixou de aplicar IVA na contratação de DMCs para a realização de reuniões e incentivos, enquanto Portugal pratica a taxa máxima de 23%, salientaram num encontro com a imprensa esta manhã na sede da APAVT os integrantes do Capítulo de DMC da Associação, além de Eduarda Neves, também Pedro Morgado (Abreu DMC), Paula Antunes (Compasso), Rita Montarroio (Imagine More).

A Alemanha é outro concorrente beneficiado pelo regime fiscal, uma vez que as empresas são reembolsadas do valor do IVA após a realização do evento, denunciaram ainda os mesmos dirigentes, para os quais tanto Espanha quanto a Alemanha aplicam regimes não estão em conformidade com a Directiva Europeia.

O Capítulo das DMC da APAVT referiu que tem vindo a reunir com a tutela em Portugal em busca de resposta, o que aliás já tinha sido anunciado pelo presidente da Associação, Pedro Costa Ferreira, durante o Congresso realizado em princípios de Dezembro no Algarve.

São milhões de euros que se perdem, explicaram hoje os dirigentes do Capítulo, dizendo que é difícil quantificar porque existem potenciais clientes que não se chegam a conhecer, uma vez que o processo atravessa vários passos.

Começa na empresa que quer fazer uma reunião ou um incentivo e apresenta essa ideia a um Meeting Planner ou a uma Incentive House, que por sua vez vai procurar as DMCs de diferentes países.

As DMCs de Portugal ficam fora da equação quando uma das condições é procurar um destino onde seja possível poupar no IVA.

O problema é de "perda de competitividade", frisaram, salientando que não são apenas as DMCs que ficam a perder, mas várias empresas, uma vez que uma viagem de incentivo geralmente inclui hotéis, restaurantes, empresas de animação turística, transportes, entre outras.

Outro problema é a concorrência desleal interna, face aos PCO (Professional Conference Organizers) e às empresas de animação turística, que permitem às empresas que contratam os seus serviços recuperar posteriormente o valor do IVA.

Outro panorama destacado pelas DMC em Portugal é o aumento do número de individuais ou turistas no país, que apesar de ser uma situação benéfica para a economia e para a atractividade do destino, incluindo para a realização de reuniões e incentivos, está a pressionar os hotéis, leia-se a reduzir-lhes a disponibilidade.

Os incentivos são planeados com um a dois anos de antecedência, mas as reuniões são procuradas com quatro a seis meses e alguns hotéis estão "a ficar pressionados com individuais".

Porto e Madeira são destinos onde se sente mais essa pressão, enquanto Lisboa acaba por ser um destino onde existem alternativas, admite Pedro Morgado,  director da Abreu DMC.

Tornou-se mais difícil ter o que o cliente procura, devido ao aumento dos clientes individuais mesmo nas épocas baixas e o desafio do Capítulo é optimizar as parcerias e fazer com que exista mais flexibilidade por parte dos hotéis para aceitar os ‘bloqueios' para reuniões e incentivos.

Numa viagem de reuniões e incentivos (MI) o gasto médio é de cinco mil euros por pessoa para três noites, exemplifica Eduarda Neves, dizendo que dificilmente o cliente individual chegará a valores semelhantes.

O propósito do Capítulo de DMC da APAVT é defender a qualidade dos serviços que estas empresas prestam em Portugal, procurando também assegurar que os seus fornecedores tenham padrões elevados.

No caso das apólices de seguros, os fornecedores das DMC em Portugal, que vão das empresas de animação turística aos restaurantes, "a situação não é a ideal pelos padrões internacionais", sublinha Eduarda Neves.

Mas neste caso depende do que as empresas clientes procuram a nível de cobertura.

O Capítulo de DMC da APAVT foi criado há pouco mais de um ano e conta actualmente com 14 empresas. As condições de adesão implicam que 70% do volume de negócios da empresa ou do departamento de DMC da empresa seja no segmento MI e que o seguro de responsabilidade civil seja de um milhão de euros.

 

Clique para mais notícias: Agências&Operadores

Clique para mais notícias: APAVT

Share
Tweet
+1
Share
Comentários
Escrever comentário

Outras Notícias

Agente de viagens portuguesa é a melhor “designer de viagens” da rede mundial Traveller Made

26-03-2019 (18h14)

O consórcio de designers de viagens de luxo Traveller Made distinguiu Carla Xavier, da Lounge Luxury Travel, com o prémio "Most Thorough Designer", uma distinção que reconhece rigor, atenção ao detalhe e capacidade de criar soluções.

Thomas Cook vai adquirir percentagem de operador russo

26-03-2019 (15h01)

O Thomas Cook Group, que recentemente anunciou o encerramento de 21 lojas no Reino Unido, vai adquirir, através de uma joint venture, uma percentagem minoritária do operador russo Biblio Globus.

Reuniões regionais do Grupo GEA começam amanhã e passam por cinco cidades

25-03-2019 (18h13)

A rede de agências de viagens independentes GEA vai promover entre 26 de Março e 4 de Abril as suas reuniões regionais, nas quais procurará alinhar a estratégia do grupo, apresentar novas ferramentas tecnológicas e debater alterações internas e externas à actividade.

Soltrópico convida agentes de viagens para uma aula de cozinha esta sexta-feira

25-03-2019 (13h24)

O operador turístico Soltrópico está a convidar os agentes de viagens portugueses para uma aula de cozinha com chefs profissionais esta sexta-feira, onde irão confeccionar e degustar um jantar de gastronomia madeirense.

Thomas Cook vai encerrar 21 lojas no Reino Unido

25-03-2019 (11h40)

A Thomas Cook vai encerrar 21 lojas de agências no Reino Unido, que representam 320 postos de trabalho, e passar a ficar com 566 estabelecimentos em funcionamento.