APAVT ‘desafia’ nova secretária de Estado do Turismo para “redesenhar” a estratégia para os próximos dez anos

14-11-2019 (19h42)

Foto: APAVT
Foto: APAVT

O presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, ‘desafiou' hoje a nova secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, presente na sessão de abertura do 45º Congresso da Associação, a decorrer no Funchal, a contribuir "para o redesenhar de toda uma estratégia para os próximos dez anos".

Trata-se, defendeu o dirigente associativo, de impulsionar "uma estratégia que nos mova em direcção a um universo harmonioso de turistas com mais capacidade de gastos, e uma oferta com melhor qualidade de serviço, universo que nos permitirá crescer com a menor pressão turística possível".

Para o presidente da APAVT trata-se ainda de "uma estratégia que nos garanta mais território turístico; que nos traga menor sazonalidade; que nos permita diminuir a dependência de rotas aéreas construídas artificialmente, com meros objectivos de curto prazo".

"Uma estratégia que espalhe os benefícios do crescimento não apenas pela cadeia de valor, mas também pela população, assegurando coesão social; que garanta o envolvimento de mais território, apostando e defendendo a coesão territorial", resumiu ainda Pedro Costa Ferreira que, dirigindo-se directamente a Rita Marques, enfatizou pretender "uma estratégia que traga o Turismo para a centralidade económica do País, assegurando mais crescimento e bem-estar económico, e que envolva o País, distribuindo os benefícios por todos".

Pedro Costa Ferreira explicitou, aliás, que com a ‘convocação' deste assunto para a sua reunião magna, a APAVT mostra ter "consciência" das suas responsabilidades enquanto associação, "mas revela sobretudo que estamos dispostos a participar num movimento que tem de integrar todos, e que tem também de exigir de todos, o abandono das pequenas "quintas" em que o Portugal associativo tantas vezes se entrincheira".

Pedro Costa Ferreira elencou ainda "alguns dos temas que certamente acompanharão o nosso diálogo, nos próximos tempos", começando por destacar que "o sector das viagens continua absolutamente virado de pernas para o ar, no que à gestão da segurança dos consumidores se refere".

É um tema caro à APAVT e suas congéneres internacionais que têm insistido na necessidade de haver protecção dos clientes para falências de companhias de aviação, como existe para falências de agências de viagens e que, destacou, permitir não haver "perturbação da ordem pública, desastre natural ou qualquer outra causa de força maior prevista na directiva europeia das viagens organizadas, que não tenha sido possível gerir a favor da confiança do cliente".

"A questão da mobilidade turística nas grandes cidades" foi o segundo tema elencado por Pedro Costa Ferreira que revelou que nas conversações mais recentes com a Câmara de Lisboa se poderá "eventualmente ter dado um passo qualitativo em frente".

"Existem da parte da Câmara linhas vermelhas traçadas, de acordo com os objectivos políticos que foram escrutinados em eleições, mas sentimos agora, ao contrário de em momentos anteriores, uma marcada vontade de dialogar com os parceiros turísticos, com o objectivo de mitigar os efeitos perversos na operação turística, na hotelaria e na restauração", explicou o presidente da APAVT, que destacou "a intervenção pessoal do Presidente Fernando Medina".

Terceiro tema destacado por Pedro Costa Ferreira é a ‘velha' reivindicação de igualdade fiscal com a vizinha Espanha na Meetings Industrie porque "uma série de eventos de igual valor acrescentado, [continuam a ser] 23% mais baratos em Espanha do que em Portugal".

"A questão aeroportuária e as questões relacionadas com as duas maiores companhias aéreas portuguesas, Tap e Sata" foi outra questão destacada por Pedro Costa Ferreira, que recusou resumir aos problemas de capacidade aérea em Lisboa, pois "o Algarve tem problemas de sazonalidade não resolvidos, e que não se resolverão com nenhuma obra de engenharia" e "s Madeira tem um problema de inoperacionalidade que vem matando a confiança dos players e vem afastando lenta mas inexoravelmente os aviões da pista em que todos aterrámos nos últimos dias".

"Assim, os problemas aeroportuários são tanto da engenharia, como da política turística. E não é um problema de Lisboa, é de todo um país, país que certamente gostaria de ver, nesta legislatura, uma perfeita interacção entre as tutelas do turismo e dos transportes, já que, uma vez mais, não podemos ter os dois temas debaixo da mesma tutela", conclui o presidente da APAVT.

 

O PressTUR viajou a convite da APAVT

 

Ver também:

Recuperar a SATA parece uma tarefa inacessível, Pedro Costa Ferreira

 

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