Norte da Tailândia, um dia em Chiang Rai

14-02-2020 (15h22)

Montanhas cobertas de vegetação atravessadas pelo rio Mekong, habitadas por tribos que parecem de outra época, templos no topo de colinas e, enfim, a tranquilidade da harmonia com a natureza. Eis o Norte da Tailândia, de Chiang Rai a Chiang Mai.

Parece outro país quando desembarcamos no pequeno aeroporto de Chiang Rai, 1h30 depois de termos saído da confusão de Banguecoque num voo da Thai Smile. Não é só a dimensão, mas a calma que aparentam as pessoas que estão no aeroporto, normalmente um local de azáfama.

Mas o maior contraste com a agitação de Banguecoque está na simpatia e sabedoria infinitas de Bee, a guia da Asian Trails que nos recebe para explorar o Norte da Tailândia. Não só nos informa em detalhe sobre os locais que visitamos, como tem sempre dicas sobre os melhores ângulos para tirar fotografias.

Na viagem de autocarro até ao hotel onde vamos almoçar, Bee conta-nos que entre toda aquela vegetação que nos enche a vista há uma espécie de árvore muito procurada pela sua madeira. É a teca, que precisa de viver décadas até estar em condições de ser cortada. A sua exploração intensiva quase arrasou a espécie e actualmente são impostas medidas de contenção para aumentar a sua presença. Por cada uma que cortam, têm que plantar dez, conta-nos Bee.

Neste momento já conseguimos ver o Mekong, a correr mesmo ao nosso lado. É o rio que separa a Tailândia do Laos e de Myanmar, países onde os tailandeses vão jogar nos casinos, que são ilegais no seu país.

Como a viagem é organizada para mostrar a Tailândia a agentes de viagens, a primeira paragem é no hotel Anantara Golden Triangle, um resort de luxo numa reserva natural onde os hóspedes podem conviver com elefantes residentes. Este hotel tem um serviço de transporte do aeroporto em que os clientes vêm de barco pelo rio Mekong até um cais ali perto, onde escolhem se querem fazer o percurso restante a caminhar na companhia de um elefante ou num jipe pela selva.

O nome do resort, Anantara Golden Triangle, alude à visão que teremos a seguir, de três países em simultâneo, separados por um rio e o seu afluente: a Tailândia, o Laos e o Myanmar, separados pelo Mekong e pelo Ruak, rios que vemos correr tranquilamente a partir de um miradouro, e formam um triângulo perfeito, conhecido como o Triângulo Dourado.

Esta região ficou conhecida pelo cultivo de ópio, extraída de uma espécie de papoila, que reduz a sensibilidade, induz o sono e pode originar visões. Ficamos a saber mais sobre a produção e o consumo de ópio ao visitar a House of Opium, um museu à saída do miradouro onde antes observámos a paisagem do Triângulo Dourado.

As montanhas do Norte da Tailândia são habitadas por várias tribos vindas de Myanmar, Laos, Tibete e China e que foram chegando ao país ao longo de quase dois séculos.

Estas comunidades estão cada vez mais a adaptar-se à cultura e aos costumes tailandeses, mas as suas tradições vivem com os habitantes mais velhos.

Na tribo Akha, por exemplo, as mulheres mais velhas mascam betel e tabaco para escurecer os dentes, o que é considerado um sinal de beleza.

Uma boa parte das tribos que habitam estas montanhas são refugiados, que fogem de guerras ou da fome e procuram uma vida melhor na Tailândia, conta-nos Bee.

Subimos a montanha ao encontro da tribo Akha e assim que paramos somos rodeados por vendedoras de artesanato. A mais velha tem os dentes negros. Outra, com umas bochechas rosadas e um ar jovem, acelera o passo até nós para não perder a oportunidade de vender alguma coisa. Atrás dela vem a correr o que presumimos ser o seu filho, a chorar por colo.

Mais à frente está um grupo de crianças a brincar e uma senhora mais velha sentada, vestida com trajes tradicionais, coloridos e adornados, a tapar um corpo magro e enrugado. A pedido e em troca de poucos bahts, sorri e mostra os seus dentes negros para uma fotografia.

Seguimos para outra zona ali perto, para conhecer a tribo Yhao, mas ao fundo da estrada a chuva começa a cair pesadamente, em gotas grossas, e a dirigir-se para nós. Abortamos o plano e damos o dia por terminado com uma visita e um jantar no luxuoso hotel Riverie by Katathani, com vista para o Mekong.

Começamos o dia seguinte com uma visita ao Templo Branco, ou Wat Rong Khun, um monumento que mistura ícones tradicionais do budismo com motivos modernos e cultura contemporânea.

O templo foi construído pelo artista Chalermchai Kositpipat em 1997, mas tem previstas mais intervenções e levará mais seis décadas a concluir.

O impacto visual do monumento é impressionante, desde logo pelos detalhes, pela minúcia e pelo reflectir da luz naquela brancura.

Atravessa-se uma pequena ponte, construída sobre representações de braços a sair do chão com as mãos abertas, suplicantes. É a entrada para o inferno, uma parte do templo onde estão pintadas cenas contemporâneas como o embate dos aviões no World Trade Center.

A secção seguinte, para onde somos encaminhados à saída do inferno, será o templo que representa uma espécie de paraíso, mas ainda está em construção.

Há outra estrutura no Templo Branco que admira qualquer um e é ainda mais surpreendente quando se descobre o que é. A fachada repleta de pormenores, totalmente em dourado, nunca deixaria adivinhar que se trata da casa-de-banho. Dizem que é a mais bonita do mundo. E como temos 200 quilómetros pela frente, pelo sim, pelo não, vale a pena espreitar.

Vamos para Chiang Mai, uma cidade no sopé da montanha, onde os edifícios são todos baixos, têm no máximo cinco andares, para se poder ver o templo no topo da colina.

Chiang Rai e Chiang Mai têm nomes muito semelhantes e não é por acaso. Bee explica-nos que Chiang significa cidade e que estes dois municípios foram mandados construir pelo rei Mangrai. Chiang Rai é a cidade do rei e Chiang Mai é a cidade nova. É para lá que vamos.

Para continuar a ler clique:

Norte da Tailândia, um templo na montanha em Chiang Mai

 

Por Luís Canto

O PressTUR viajou a convite do operador turístico Solférias

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