Cairo: Viagem ao tempo dos faraós

07-06-2019 (16h42)

O Cairo, uma cidade à escala de um país, com mais ou menos o dobro da população de Portugal, é um ponto privilegiado para começar a conhecer a diversidade do Egipto, começando pela cultura faraónica, num circuito pelas Pirâmides de Gizé, a Esfinge e o Museu Egípcio.

As primeiras impressões da cidade começam num trajecto nocturno entre o aeroporto e o hotel Conrad Cairo, desde os subúrbios junto ao aeroporto, com casas que parecem ainda estar em construção, mas estão habitadas, até à parte mais moderna da cidade, com as luzes dos hotéis de luxo e dos navios a reflectirem-se no Nilo.

Com as Pirâmides de Gizé em agenda para o dia seguinte, acordar cedo não custa, mas é preciso dizer que se fosse necessário mais um incentivo, esse seria o pão egípcio ao pequeno-almoço. Felizmente, acompanhará não só a primeira como todas as outras refeições de todos os dias da viagem.

De volta à estrada, onde as buzinas não param e duas faixas de rodagem chegam bem para três filas de carros, começamos a ver as pirâmides do lado esquerdo, envoltas em neblina, provavelmente causada pela poluição, mas ainda assim com uma aura mágica.

A imponência da Pirâmide de Quéops causa o primeiro impacto, não só pelas dimensões, com uma largura de 200 metros e mais ou menos a altura da Torre Vasco da Gama em Lisboa (145 metros), mas também pelo peso, um peso que se sente, e que o guia que nos acompanha confirma dizendo que as pedras mais pesadas têm seis toneladas, enquanto as mais leves têm 500 kg.

Esta é a maior e a mais antiga pirâmide do Egipto, além de ser a única sobrevivente das sete maravilhas do mundo antigo. A seu lado estão as Pirâmides de Quéfren e de Miquerinos, a Esfinge e outros túmulos, templos e pirâmides mais pequenas.

O guia, um egípcio chamado Basem Talaat, que nos surpreende a falar português e que nos pede para o tratarmos por Benjamin, conta-nos algumas curiosidades. Diz-nos que estes túmulos gigantes foram construídos para os faraós por trabalhadores egípcios durante as épocas das cheias, períodos do ano em que o Nilo alagava os campos de agricultura e não era possível continuar a trabalhar.

Por outro lado, os egípcios estavam a trabalhar para um faraó, alguém que consideravam ser a ligação entre o mundo terrestre e o mundo divino, e, ao fazê-lo, estariam a cair nas boas graças dos deuses.

Outras teorias apontam o trabalho escravo como a única possibilidade de construir tamanha obra, mas também há defensores de que foram construídas por alienígenas, de tão complexa que é a construção e de tão difícil que terá sido o transporte das pedras.

Independentemente das teorias, há uma explicação prática que indica que as inundações provocadas pelo Nilo chegavam ao planalto de Gizé, onde estão as pirâmides, o que facilitou o transporte das pedras para a sua construção.

As pedras foram cortadas e empilhadas, mas para que ficassem coladas, foram molhadas com água, o que, segundo Benjamin, com o calor, poeira e a humidade acabou por resultar num efeito semelhante ao que acontece quando, ao lavar a loiça, metemos um copo molhado dentro de outro.

Fazem parte da experiência de visitar as pirâmides o expectável movimento de turistas e de vendedores de várias coisas, de miniaturas de pirâmides e esfinges, ou mesmo de passeios de camelo.

Mas é preciso destacar a grande quantidade de pessoas que vemos de costas para as pirâmides, de braços abertos para o alto e mãos voltadas para baixo, a segurar qualquer coisa no ar enquanto sorriem, estando presumivelmente a posar para uma fotografia em que, tendo êxito, parecerá que estão a segurar as pirâmides pelo topo.

Figuras semelhantes acontecem junto à Esfinge, a famosa estátua com corpo de leão e cabeça humana, onde vemos pessoas inclinarem-se para a frente a esticar os lábios para aquilo que, em casos de sucesso, será uma foto a beijar a estátua.

A Esfinge, que recebeu este nome dos antigos gregos devido às semelhanças com uma das suas criaturas mitológicas, representa Quéfren, filho de Queóps e pai de Miquerinos, os três faraós que ordenaram a construção das três Pirâmides de Gizé.

Sobre o nariz partido da Esfinge, há teorias que acusam Napoleão, outras que acusam militares britânicos em treinos de tiro ao alvo. O que não há é consenso...

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Do legado de Tutancamon à quietude de um passeio pelo Nilo

 

por Luís Canto

O PressTUR viajou a convite dos operadores Solférias e Soltrópico

 

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